
Outro dia apercebi-me pela primeira vez do slogan da RTP Açores.
"A televisão que nos une".
Discordo redondamente, quadradamente e até triangulamente se fôr preciso.
O simples facto de precisarmos de uma televisão própria separa-nos, tal como a RTP África ou a RTP Internacional.
Um canal de televisão centrado e sentado em S. Miguel não faz absolutamente nada para me unir aos meus concidadãos, aos meus compatriotas, aos meus "conaçoreanos".
É errado, absurdo e até perigoso...
Esta pseudo lavagem cerebral, que o micaelense é que é bom, ou pelo menos melhor, mesmo com a esporádica notícia de outra ilha para apaziguar as massas, só nos leva a uma separação ainda maior, a um bairrismo (ou neste caso "ilhismo") absolutamente desnecessário.
A inveja do tempo de antena dispendido com S. Miguel leva a casos cada vez mais extremos de "a minha ilha também vale alguma coisa"... comentários tipo "somos pouco mas bons" ou então o extremamente estúpido mas sempre popular "a tua ilha pode ser maior, mas a minha é que é de Jesus".
Percebam de uma vez por todas que um canal de televisão, seja ele qual for, é sempre faccioso, não é a voz do povo, não é independente, está sempre vergado à vontade do seu "dono" ou quadro de directores neste caso e nunca nunca nunca é dono da verdade...
Tudo o que se vê na televisão, tudo o que se lê nos jornais e praticamente tudo o que se ouve em conversas de café deve sempre ser levado com uma pitada de sal.
O excesso de confiança nestas verdades absolutas ainda nos vai levar ao declínio.
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