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Divagações, Diatribes e outros Semelhantes

terça-feira, 14 de julho de 2009

Táxis ao metro

Este é japonês, portanto é o modelo pra S MiguelO que esta ilha está a precisar é de uma central de táxis.

O negócio está muito mau pros taxistas, os turistas normalmente tem carro alugado, ou vem em excursões com tudo incluído, ou fazem como os holandeses e andam a pé.
Aqueles fretes seguros, da velhinha que todos os meses vai receber a sua pensão, ou do casal das freguesias que vai às compras estão a acabar, porque cada vez mais há um neto, um vizinho ou um amigo com carro.

Depois há a questão do preço, que a vida não está fácil pra ninguém.

Pra mais, se é verdade que muitos são pessoas honestas que só querem fazer a sua vida e ganhar uns heróis pra comida, há um ou outro que dão um péssimo nome à profissão.

Esta imagem que temos do taxista de aldrabão, arriscado, dono da estrada, desrespeitador e, no geral, filho da puta, deve-se a estas 3 ou 4 ovelhas negras.

Lembro de dois ou três casos em particular...
Há um nocturno que eu evito chamar a todo o custo, é caro, malcriado e malcheiroso.
Há outro que tem o táxi a cair aos bocados e que insiste em chamar os clientes por tu.
Depois há o outro com cara de fuinha, que ao fim de quatro ou cinco minutos faz questão de anunciar que se alguma vez o cliente precisar de putas, fale com ele. Uma vez fez esta revelação a um casal com uma criança...

Há ainda um em particular que por acaso já não vejo à algum tempo... um sujeito que há alguns anos matou outro à facada por causa de um jogo de futebol. Pessoas deste calibre nem sequer deviam andar na rua, quanto mais ao volante de um automóvel!

E chega ao cúmulo... há alguns anos, esteve hospedado no hotel um casal que foi passar um dia à Graciosa, americanos julgo eu. Na ida, o táxi para o aeroporto custou-lhes 35 euros. No dia seguinte, o mesmo taxista, custou 18. O dobro! Foi a confusão total... Então a trapaça é tanta que o homem nem sequer se apercebeu que tinha enganado aquele casal no dia antes!

Com uma central de táxis esta palhaçada acabava-se.

Havendo padrões de conservação acabavam-se os carros a cair aos bocados.
Com taxímetros acabavam-se as aldrabices de horários nocturnos às duas da tarde.
E acima de tudo resolvia-se um problema grave, pelo menos a meu ver.

Com uma central de táxis, haveria sempre um táxi disponível através de um número de telefone único, fossem 3 da tarde ou 6 da manhã, era só ligar e já está.
É uma complicação, especialmente nas festas maiores, encontrar táxis sem ser preciso passear pla cidade inteira.

Acho que se esta ilha se quer virar para o turismo, temos que começar pelas coisas pequenas, mais fáceis de resolver, e uma das maiores queixas sempre foi os táxis e os autocarros.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Medic!!!

Eu sei que é de farmacêuticos, mas cumpre o seu propósitoEste país sofre de um problema que nunca conseguiríamos explicar a estrangeiro nenhum...

Excesso de doutores e falta de médicos.

Dá-se demasiada importância ao título (imerecido, diga-se de passagem) e muito pouca ao conhecimento.

Cada vez que me aparece um idiota de fato e gravata a exigir ser tratado por doutor só me apetece responder à letra...
"Ai é doutor? Ora, ainda bem, porque eu estou aqui com uma dor nas costas que não quer passar. Será que me pode dar uma olhada?"

Estes mamões, à falta de melhor, julgam que só porque passaram 4 ou 5 anos mais que os outros a viver à custa do papá e da mamã que são comparáveis a praticantes de medicina...

Andam praí a vender comprimidos, ou a vender projectos, ou a vender banha da cobra... pensando bem, esse tipo de pessoas anda sempre a vender alguma coisa!

É que nem são doutorados, a esmagadora maioria tem uma licenciatura de merda qualquer!

Acho que a única sociedade que eu conheço com uma tradição de títulos tão extensa como a nossa, mas que realmente funcionava, era a japonesa feudal. Mas esses tinham um código de honra! Não havia doutores que não praticassem medicina, nem arquitectos que não praticassem arquitectura! Era uma cultura onde ser carpinteiro era uma profissão de mérito, com anos de experiência, verdadeiros mestres na sua arte...

Mas também, o que é que podiamos esperar dum país onde se tira um curso de engenharia ao domingo?

A minha primeira torradeira

Fernão, filho, foste substituído por uma tostadeira!Já andei a brincar com um Magalhães.
Não achei nada mau, mas passo a explicar porquê:

Como o próprio aparelho diz, o propósito do Magalhães é ser "O meu primeiro computador" (ou se calhar é "o meu primeiro portátil", não me recordo ao certo) e nesse ponto de vista cumpre bem o seu propósito.

A começar pelo exterior, é leve (não chega a quilo e meio) e "fofinho" e tem uma pegazinha pra facilitar o transporte. E muito importante, é resistente (ou pelo menos parece).
Se isto é computador pra putos, tá-se mesmo a ver que vai dar muita queda.

As teclas são pequenas, apropriado ao utilizador alvo, e o ecrã é grande o suficiente, 9 polegadas panorâmico, que combate o "medo" de os putos acabarem a usar óculos por causa do computador.


O que passou pelas minhas mãos vinha com dois sistemas operativos, ao contrário do que é vendido ao público (p. ex. na Worten) que só traz um.
O Windows XP Pro, que me deu a ideia de ser uma versão própria pra notebooks, e o Linux Caixa Mágica Mag, uma versão do Caixa Mágica 12 customizada ao Magalhães, por sua vez baseado no Mandriva Linux, uma das versões mais estáveis do sistema Open Source.

Adorei o facto que se dá ao utilizador a hipótese de deixar a teta da Microsoft.
É um passo muito importante na formação cívica das crianças, ensinar-lhes que há uma escolha, que há uma alternativa à primeira coisa que te empurram pra debaixo do nariz, que não és obrigado a usar aquilo que "eles" querem que uses, a comer aquilo que "eles" querem que comas, a vestir aquilo que "eles" querem que vistas, e etc.

Não tem leitor de CD's, nem drive de disquetes, nem etceteras, sendo que os únicos interfaces disponíveis ao utilizador são duas portas USB e um leitor de cartões SD (que são baratinhos e relativamente grandes). Há também uma porta RJ45, ou seja, uma porta para cabo de rede.

A nível de processador e RAM, tem um Celeron a 900 e 1GB DDR2.
Acho que não está nada mau, quer dizer, isto não é pra andar a jogar Crysis nem San Andreas.

Tem um disco rígido de 30 gigas (e pelo que me parece há uma versão com disco de 80) o que também é mais que espaço suficiente.

A nível de software é que eu começo a torcer o nariz...
Percebo que muito disto foi estupidez de quem configurou a torradeira antes de ser entregue aos alunos, mas achei que tinha muita tralha que não servia pra nada.
Trazia o Google Desktop, por exemplo, o Firefox (que embora se compreenda a hipótese de dualidade poderia ter sido só posto no Caixa Mágica, que poupava recursos) e mais uma infinidade de parvoícezinhas que só servem pra por a máquina a passo de caracol.

Vem todo configurado para o uso na sala de aula, mas pelo que me indica uma professora, ainda não é este ano que se vai começar a usar o computador como apoio integral na escola. E é bem capaz de também não ser para o próximo. E talvez não para o outro asseguir... estão a perceber a idéia.

É um bocadinho preocupante que um dos programas que eles tenham eleito instalar seja um controlo parental, tanto de conteúdo da internet como de programas... Isto substitui a educação cívica por um "não porque eu não deixo", o que na minha opinião é uma péssima maneira de ensinar. Acho que deveríamos explicar os porquês antes de dizer não. Eu quando era puto "não porque não" não funcionava, e continua a não funcionar.

Mas considerando que isto está a ser pago pelo Ministério da Educação até que se percebe... assim como assim, eles já são peritos em lavagem cerebral, esta é só mais uma forma de controlar o que é que as nossas crianças vêem e ouvem, nada fora do normal.

Afrodisíacos

AspirinaCaféEstava a comer amendoins quando me lembrei desta...

O amendoim não é afrodisíaco.

Este tipo de mitos urbanos existe já há muito tempo... normalmente tem uma base de verdade, que com o passar do tempo se perde na ignorância. Perceba-se, quem dizia no princípio sabia o que é que estava a dizer, mas hoje em dia já se diz só por repetição, tipo papagaio, sem saber os porquês.

No caso do amendoim, a explicação até é simples, um amendoim tem a mesma quantidade de calorias que um papo-seco (e não é à escala, é mesmo comparação directa).
Mais calorias disponíveis para queimar significa mais energia pra pinocar.
Simples.
Mas não é isso que o torna afrodisíaco...

Quando eu andava no liceu, uma destas parvoíces que rodava por aí era que um café com duas aspirinas dava uma moca enorme...
Era um tal tomar cafés e aspirinas, e embora aquilo não fizesse merda nenhuma, nós acreditava-mos que sim e lá andavamos todos mocados. Como se costuma dizer, a sisma é pior que a doença.

Neste caso, a explicação também é bem simples... A aspirina causa um efeito anticoagulante no sangue ("corta o sangue" como se costuma dizer), o que faz com que a cafeína se espalhe pelo sistema mais depressa.

Para quem nunca bebeu café, até um speedzinho jeitoso, mas para quem como eu naquela altura já bebia pelo menos um por dia, não fazia absolutamente nada.

Mas no entanto andávamos lá, feito idiotas, pedrados com um café e duas aspirinas...

Eu já fiz cada burrice, que só vendo mesmo...

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Revolta

Ando já há uns dias a planear um seguimento para "Saudade", uma prova do meu desconforto perante a maneira como foi subsequentemente tratada a situação pela minha entidade patronal.
Pretendia berrar e refilar sobre a desumanidade dos mesmos, a extrema desconsideração por mim enquanto funcionário antigo e enquanto simples ser humano.

Decidi calar-me.

De nada serve refilar, de nada serve partilhar as minhas supostas mágoas, as minhas previstas injustiças.

Acho que, agora já passados alguns dias, vejo que só serviria para alimentar um fogo que teimava em arder, mesmo acabado todo o combustível.

É melhor assim, fica o murmuro quase inaudível que aqui está em vez do grito ensurdecedor planejado.