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Divagações, Diatribes e outros Semelhantes

sábado, 26 de junho de 2010

Sanjoaninas 2010

E chegamos (praticamente) ao fim de mais um ano de sanjoaninas.

A opinião geral é de que a festa tem vindo a piorar de ano pra ano e sinto-me obrigado a concordar.

Para tentar evitar a estagnação do que é, no fundo, uma festa de freguesia em ponto maior, tem-se vindo a inovar cada vez mais.

E parece que quanto mais se inova mais merda sai.

Primeiro foi a treta de acabar às duas da manhã.
Sanjoaninas não é Festas da Praia. Não é festa para a pseudo-burguesia que tem que ir trabalhar cedo no dia seguinte portanto toca de acabar cedo.
Sanjoaninas é festa de bêbados, de estudantes de férias, de emigrantes, de tarrassos, de povo de rendimento mínimo.
Sanjoaninas é e sempre foi festa de pobre. Festa de quem sabe se divertir porque não há mais nada a fazer, festa de quem goza a vida um dia de cada vez porque amanhã pode ser o último. Festa de quem vai trabalhar de ressaca e de directa, de quem vai dormir prás aulas, de quem fica a dormir na valeta ou nos bancos do jardim ou no relvão ou seja onde for...

Depois veio a divisão da festa em zonas.
Já não há concentração na rua da sé durante os desfiles e concentração no bailão mais tarde, agora é uma mão cheia de palcos e ruelas que divide e dispersa tornando uma festa que já era relativamente pequena numa miséria que quase não aparece.
Saí no dia das marchas e nunca antes tinha visto a rua direita sem ninguém às 9 e meia da noite.
Enquanto que a ideia de assegurar espectáculos diferentes para interesses diferentes parece boa, esquecem-se que não há público para isso tudo. E se não há público os artistas actuam com menos interesse, os concertos acabam mais cedo, o que por si faz com que se beba menos e por lógica se gaste menos.
Já para não dizer que há muito mais área para cobrir... quando eu era puto o arraial acabava no alto das covas. Depois havia o bailão e os carrinhos, mas eram isolados.
Agora? Agora há luzes e barracas até à RTP... é demais, não há povo para tanta área.

Seguindo desta bela ideia de concertos pagos.
Eu tinha em casa programas das festas dos anos 80... praí até 88.
Havia 1 cabeça de cartaz. 2 no máximo.
Agora querem encher todos os dias com um nome sonante e é claro que a comissão não tem dinheiro suficiente para pagar... ou se perde qualidade ou se aumenta no preço e é um tal ver os lotes das tascas mais caros, o que tornam as bebidas e as comidas mais caras, o que se reflecte em... menos povo.

Querem transformar uma festa do povo e pro povo numa máquina de fazer dinheiro e é mais que certo que não está a funcionar e nunca vai funcionar.

Acho que escolheram o logotipo perfeito para este ano.

O ideal das festas, Sanjoaninas com havia de antes e tudo isso que associávamos a esta festa... voou.

sexta-feira, 25 de junho de 2010

CV

Get it?Aqui há uns meses estava a ajudar um colega a compor um currículo, fui buscar um template à net algures, acho que à Europass, não tenho bem a certeza.

Gostei do modelo porque é simples, eficaz e conciso.

O que me põe a pensar... porque raio é que os cv's tem sempre tanta palha?

Eu sou um futuro patrão, tenho uma pilha de praí 500 currículos à frente... se eu encontro um com quarenta páginas, é logo de atirar pro lado!
Ou este gajo é mesmo muito bom e eu não tem dinheiro para lhe pagar, ou então é só tanga e não interessa pra nada!

Foi daquelas coisas que sempre me fez confusão quando eu entrei para o mercado de trabalho, toda a gente me dizia "tens pouca experiência portanto põe tudo o que te lembres!"... mas pra quê?
Quer dizer, OK que é Vitae, mas não precisa de pôr lá a vida toda!

Então um bom patrão não vai dar por isso que é só para encher chouriços?
E se não der? Será que eu quero mesmo ser contratado por este gajo?

Será que eu quero mesmo trabalhar para um patrão que se deixa enganar por volume de texto e nem consegue perceber o valor dos funcionários que tem?