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Divagações, Diatribes e outros Semelhantes
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segunda-feira, 23 de dezembro de 2019

Merry Natal

A SATA está de greve outra vez.
Não sei se é de mecânicos ou de porteiros ou lá o que é, mas estamos outra vez de vôos cancelados.

Eu percebo a necessidade de lutar pelos direitos, compreendo que é preciso combater a disparidade salarial e essas lérias todas que eles apresentam, mas... no natal?

Cheira-me demasiado a "hostage situation", demasiado a chantagem para me parecer bem.

Ficam as pessoas quase uma semana em terras alheias, a gastar do seu dinheiro para poder comer, sem amparo e sem fim à vista, numa das alturas mais lembradas do ano.

É assim meio coiso e tal, quer-se dizer...

Percebe-se que a tripulação boicote os vôos, para mostrar à administração que "ou melhoras ou ficas a perder dinheiro", mas isso soa muito menos mal quando é numa situação que há concorrência e há alternativa.

Nós aqui presos nestas ilhas só temos a SATA pra nos valer, de modo que este boicote fere muito mais os utilizadores que os administradores.
Não há aquele aspeto de perda de negócio que justifica o transtorno perante as pessoas, nem há alternativa para os passageiros, pelo que estes engolem e só se calam.

Parece-me desnecessariamente cruel perante pessoas que já estão fartas de levar porrada.

sábado, 21 de dezembro de 2019

sábado, 12 de janeiro de 2013

Carnaval


Já muito se fala de carnaval... Tiradas do di de hoje:

"Se calhar, já não se pode é gastar 400 euros para vestir um dançarino" 
400 euros?!? Porra! Mas essa roupa é feita de quê? Pérolas?
Não se pode e ainda bem! Quando o bailinho deixa de ser sobre a crítica social e passa a ser sobre a "boniteza" da roupa, está aí o primeiro sinal de que a coisa não está a correr bem.

"Entre 10 a 12 bailinhos devem recusar ser filmados para transmissões em direto pela Internet"
Este é um daqueles casos bicudos e ao mesmo tempo absurdos que bastava pensar um bocadinho pra terem ficado calados... é que em vez de mostrarem que têm razão, mostram é dor de cotovelo.
Aparentemente a principal queixa é de que "as empresas que realizam as filmagens e as sociedades lucram financeiramente (...) e persiste a injustiça dos artistas não retirarem quaisquer mais valias."
A sério? E também se vão queixar dos cafés das sociedades venderem bifanas e pipocas? É que desses lucros eles também não veem nada... E as mesas montadas pros bailinhos, com comida e bebida à farta? São financiados por quem? 
Outra das queixas é que "As pessoas ficam em casa, a assistir aos bailinhos pela Internet e as salas (...) cada vez mais vazias"... 
Será que já pensaram em reduzir a quantidade e aumentar a qualidade?
Talvez se eu soubesse que ia ver só 20 ou 30, mas bons, valia a pena sair de casa e ir secar pro salão a noite inteira. Da última vez que fui, fiquei duas horas à espera de um bailinho que demorava a chegar, e quando chegou não valia um peido... mas não, as transmissões pla internet é que roubam o público.
Quando o bailinho deixa de ser sobre a crítica social e passa a ser sobre quem é que lucra, está aí o segundo sinal de que a coisa não está a correr bem.

E pra mais "Se um político quiser ter noção com clareza do que o povo pensa (...) deve assistir ao nosso Carnaval"
Títulos de bailinhos em 2009, que acho que foi dos últimos anos que me dei ao trabalho de sair de casa, "“Morreu o Toiro das Mulheres”, “Quando Elas Vestem Calças”, “O Comando é Meo” e “Uma Visita Papal”... Pode-se dizer que fiquei completamente esclarecido sobre o estado da governação do país.
Quando o bailinho deixa de ser sobre a crítica social e passa a ser sobre a primeira merda que vem à cabeça, tenha qualidade ou não, está aí o terceiro sinal de que a coisa não está a correr bem.

Acho que a única coisa que se diz acertada é mesmo o remate final... "Será um Carnaval sem luxos, mas fiel à tradição da crítica social. Genuíno."

Quem diria que é preciso viver em instabilidade social para poder fazer boa crítica social...
Talvez seja o primeiro sinal que a coisa vai começar a correr bem.

domingo, 24 de junho de 2012

Diz-me com quem andas

Já vou avisando que este é controverso. 

Eu tenho um hábito sempre que vou de férias em que nos primeiros dias rapo o cabelo, normalmente à lâmina e deixo crescer a barba.

Não há razão em especial, parte é rebeldia porque normalmente não posso e então vingo-me nas férias, parte é nostalgia em que andava sempre assim nos tempos de liceu e a maior parte é já por tradição, faço-o porque sempre o fiz.

Uma coisa a que eu não consigo escapar é a reação pública.
Casaco de (pseudo-)cabedal, botas de biqueira de aço, careca e barba grande, fico com cara de mânfio. Qualquer loja que entre, tenho sempre um empregado a marcar. Nos restaurantes sou sempre mal servido e até chega a acontecer pessoal atravessar a rua só para não se cruzar comigo.

É o custo de fazer o que me apetece... as pessoas acham o que acham e reagem em concordância com isso.

Isto para dizer que de bem cedo percebi que a imagem muda a atitude que as pessoas têm perante nós. É por isso que usamos fato nas entrevistas de trabalho. Ou a nossa melhor roupa pra ir à missa. Ou até a nossa pior roupa para ir ajudar um amigo com as mudanças (não tenhas vergonha de pedir nada, que como a roupa mostra estou pronto pra tudo). O ar que projetamos é estudado para o que queremos que as pessoas pensem.

Ontem caminho do trabalho vi uma rapariga toda indignada porque um bêbado qualquer estava a fazer-se a ela no meio da rua. À frente dum bar. Às onze e meia da noite. Em que ela só tinha um par destes e um top justíssimo vestido. Em que a amiga dela estava ao marmelanço com um outro gajo qualquer. Na mesma rua. À vista de toda a gente.

Não é querer dizer que algumas estão a pedi-las, mas também não é de ficar indignado quando aparece algum a oferecer!

Isto é quase a mesma coisa que borrar-se de sangue para se atirar à água e depois ficar todo espantado quando aparecem os tubarões!

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Coisas escritas em jornal

Duas merdas que me enervam, que não consigo evitar salientar no DI de hoje.

Quanto será que custa uma assembleia?
Mais propriamente, um voto de protesto na Assembleia Legislativa dos Açores, quanto custa?

Não estou a falar de subornos, nada disso.
Pergunto-me, em ordenados, eletricidade do espaço em si, manutenção da dita sala, cobertura televisiva/noticiosa, quanto será que custa?

Mais diretamente, quanto é que custou ao povo açoriano as horas gastas pelo CDS/PP só pra dizer em praça pública que achou ofensivo o facto de que a RTP o achou ofensivo?

Então os senhores deputados agora estão a ser pagos para irem para a assembleia choramingar que "quem diz é que é"?

E segundo, o que caralho é que um emigrante nos EUA tem que vir mandar postas de pescada sobre o nome do aeroporto das Lajes?
Então este gajo não escolheu abandonar a sua terra? Não escolheu virar costas ao seu país pra ir fazer fortuna nas américas?
Se quer ter poder de decisão sobre a terra então não tivesse saído dela!

Acha que só porque mandou erguer uma estátua do Eusébio sabe-se lá onde (manobra que deu de comer a muito pobrezinho, sem sombra de dúvida) e mais uma igual lá na terra dele, que lhe dá azo a arrotar opiniões dessa maneira?

Quer ter opinião de como se governa a ilha? Trabalhe para o melhoramento da mesma! Invista cá o seu dinheiro! Abra postos de trabalho, fundos de caridade, nem que seja!
Derreta as duas estátuas de um trolha qualquer que deu uns pontapés numa bola, se quer ver quanta comida põe à mesa dos açorianos desfavorecidos!

E lá vem os jornais, relatar esta merda como se fosse édito real, ou a última teoria de Einstein, ou as declarações de Ghandi ou o caralho! Porra, que esta gente tira-me do sério!

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Acho que ainda não tinha reclamado desta treta de se pagar bilhetes no minibus.

Digamos que vou de casa prá Lua, ou pra outro destino qualquer que não é isso que interessa, e decido ir tomar café ao centro, eu e a maria pra fazer dois.
Estaciono no Cerrado do Bailão e apanho o dito cujo até à Central, por exemplo. E lá vão 40 cêntimos.
Chego, tomo café, volto a apanhar minibus de volta. E mais 40 cêntimos.

Se parasse o carro mesmo à porta da Central e pusesse 50 cêntimos no parquímetro saía-me bem mais barato que dar de comer à EVT.
E parar em cima do passeio com os quatro piscas ligados ainda mais barato sai.

Mas a ideia dos Minibuses não era fornecer uma alternativa viável para não entulhar o centro de carros? Para as pessoas que não querem pagar parquímetro? Para os idosos, inválidos, malandros, preguiçosos e outros políticos em geral? Para melhorar o comércio tradicional, dando às pessoas um método de transporte fácil entre zonas, uma maneira de explorar o comércio local?

O problema destas medidas é que quando revelam a sua verdadeira razão de existir (dar 80 cêntimos à EVT por cada passageiro, que as pessoas já não andam tanto de carreira como andavam) as pessoas reagem pelo extremo.

E dentro em breve, vou direito ao Hiper onde posso comprar de tudo e ainda tomar café... e o parque é de graça e o euro que dou pelo carrinho é-me devolvido.
E aí lá se vai o comércio tradicional, lá se vai a mama da EVT e lá se vai o chulanço dos parquímetros.

Porque se há coisa com que podemos contar é que assim que as pessoas se apercebem que estão a ser obrigados a fazer alguma coisa deixam logo de o fazer e se revoltam contra quem os obriga.

sábado, 7 de janeiro de 2012

Água Contaminada

Só em pequeno aparte, estou curioso em ver o que é que sai desta história das águas contaminadas pelo aterro.

Aparentemente os aquíferos a sul do aterro intermunicipal vão estar contaminados durante, no mínimo dos mínimos, 50 anos.

Vão ser 50 anos a olhar para a torneira e a pensar se isto é mesmo seguro pra beber ou se vou virar mutante ou super-herói ou o caraças.

Mas não, a final da casa dos segredos é que é mesmo importante.

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Fim da Restauração

roubada da net
Desde 1 de Janeiro que o IVA de 9% aumentou para 16%, cá nas ilhas, porque no continente ainda foi pior... de 13%; para 23%.

Muito se chora e muito se resmunga, que isto é mau, que agente não sobrevive e tal e não sei mais quê.

Confesso que a princípio me parecia fatalismo, mas agora vendo melhor acho que é mesmo motivo para alarmar.

Ora façamos uma exposição.

Uma pessoa chega ao restaurante, senta-se e leva couvert, aquela fatia de pão rijo e mais a casquinha de manteiga do fundo do frigorífico.

Pede a comida e enquanto espera lá vai mamando uma cerveja. Como a comida demora (quase de propósito) quando chega o prato lá tem que vir outra bebida.

Depois no fim lá vai um café e pede-se a conta.

Um couvert normalmente é cobrado a 1 euro. Imaginemos que um pão custa 1 euro, dá pra 20 fatias e cada cliente leva duas. ou seja, aquele couvert vai custar 10 cêntimos plo pão mais 10 pla manteiga. Portantos, couvert = lucro 0,80 euros.

A cerveja vai mais um, e custa praí 50 cêntimos. Ou seja, duas cervejas = lucro 1 euro.

Normalmente é na comida que está o verdadeiro ganho... pagamos 5 euros por um prato que custa 2 a fazer, sem querer entrar em ingredientes específicos, produtos perecíveis e especiarias incontabilizáveis, vamos por este valor... prato principal = lucro 3 euros.

O café costuma ser daquelas coisas que as pessoas nem dão por ela... pagamos 60 cêntimos mas na realidade o custo não chega a 20. Portanto café = lucro 0,40 cêntimos.

No total, esta refeição teria um lucro de 5,20 euros. Deduzindo os 9% de IVA (que o restaurante é que paga o IVA, se repararem todas as ementas que se vêem por aí dizem "IVA incluído") este lucro seria 5,20 - 0,47 = 4,73 Euros.

Até parece muito, mas não esquecer que este lucro tem que pagar o empregado de mesa, o cozinheiro, a electricidade dos frigoríficos, o gás dos fogões, a água pra lavar a loiça e tudo o resto que anda à volta de gerir um restaurante.

E agora buga subir taxas.

Logo de raiz aumentam os produtos base. O pão ainda está a ser discutido e a manteiga já se decidiu que não aumenta... portanto o couvert está safo.
As cervejas sobem de 50 cêntimos para 54. Portanto o lucro já não é 1 euro, já são 92 cêntimos.

O custo do prato principal também sobe, de 2 euros passa para 2,20... e assim o lucro já é só 2,80.

o café também sobe, portanto o lucro aqui passa a ser 0,38, em vez dos 40.
O lucro total da refeição já passa a ser 4,90 euros... é menos 30 cêntimos por cabeça.

E agora aplica-se o martelo final da taxa. 4,90 euros - 0,78 (que agora é 16%) = 4,12 euros...

Quem não teve pachorra para a exposição recomece a ler aqui.

O restaurante vai perder 61 cêntimos por pessoa...

Onde antes serviam 10, agora vão ter que servir 12, só para igualar.

Em tempo de crise, em tempo que as pessoas gastam menos, que se aperta o cinto e se come pão e queijo em vez de lagosta... os restaurantes vão ter que servir mais duas pessoas diárias só para continuar na mesma merda que estão.

Isto é preocupante...

É preocupante porque se o restaurante fecha já não há ninguém pra comprar carne e batatas, portanto fecham os talhos e fecham as plantações. E depois os empregados dos talhos e das plantações não recebem ordenado, portanto não comem em restaurantes. E lá fecha mais um restaurante, e mais um talho, e mais uma plantação, e mais um restaurante, e mais, e mais, e mais...

É claro que isto é uma visão um bocado fatalista. Os preços reais não são estes, os talhos e as plantações de batatas não vivem só de restaurantes, até porque as pessoas que comiam bife na tasca continuam a comer bife em casa, mas fica como exemplo.

Só que os donos do restaurantes sabem isto. Portanto em vez de servirem mais pessoas para repôr os ditos 60 cêntimos, vão é aumentar o preço da conta. Ou aldrabam e as porções vêm mais pequenas.

E o cliente paga, senão não almoça.

O problema é que a aumentar assim... muito em breve o cliente paga e arrota e mesmo assim não come.

É que hoje é a comida, amanhã é o gás, depois a água e a luz e só falta é inventarem um IVA a aplicar ao oxigénio.

sábado, 1 de outubro de 2011

A televisão que se afunda

RêTêPê A Cores
E voltamos à vaca morna.

Como já tinha dito vai pra mais de dois anos, esta história da RTP Açores é uma ilusão.

Volta à boca do povo "a televisão que nos une"... e parece que o dito excesso de confiança está mesmo a levar a RêTêPê Acores ao declínio.
É um bocado como o Lusitânia, no ponto que está a morrer mas meia dúzia de macacos continuam a fazer tudo por tudo para não os deixar afundar no abismo. Ou pelo menos a fazer barulho suficiente para não cair no esquecimento.

Este canal é conhecido por todos os lados como "o canal que ninguém vê" e não parece ter aspirações a mais que isso.

Eu quando vejo RTP África, sabe-me a áfrica. Nunca lá estive nem faço intenções disso, não conheço mais que o comum português, mas é um canal que me dá um cheiro africano. O mesmo com a RTP Madeira.
Até a RTP Internacional tem um ar de "emigrantes, vejam como vai o vosso país".

A RTP Açores? Cheira-me a RTP Continente. Sabe-me a enviados especiais, tipo Carlos Fino no Kosovo ou em Bagdad, ou seja lá por onde o homem já andou. Não me sabe a uma televisão verdadeiramente açoriana, mas sim a um continentalismo qualquer, com uns remates micaelenses pelo meio.

Querem transformá-la numa TV puramente arquipélaga? Acabem com a competição, tanto a interilhas, como a com o continente, como a com outros canais.

Estou praqui a olhar para a programação de Domingo, puramente a título de exemplo.
Abrimos com desenhos animados e começa logo mal. Numa programação que tem Sic K, canal Panda, Disney Channel, Jim Jam e Cartoon Network, os putos vêem a macacada que quiserem sem precisarem da RTP-A pra nada.
às 11:30 temos 70x7... quando tivemos o mesmo programa no mesmo dia 3 horas antes na RTP-2.
Ao meio dia, jornal da tarde... em directo da RTP-1.
Às 13:15, Nós... repetição do que deu às 9 na 2.
às 14:50 músicas de áfrica... e nem é preciso dizer de que canal é que isto vem.
Asseguir um filme, que acompanhando o exemplo dos desenhos, temos Hollywood, Fox Movies, MGM, Tele-cines e sei lá mais o quê. E porra... Charlie e a Fábrica de Chocolate? Um filme de Tim Burton com um Johnny Depp pseudo-pedófilo que anda a torturar psicologicamente criancinhas na sua fábrica com trabalho-escravo de um monte de clones cor de laranja de um metro de altura? Isto é que é um filme para uma tarde de Domingo?
Às 16:35 Top+... repetição do que deu sábado na 2.
E por aí a fora...

Num dia com 14 horas de programação só 3 horas é que são programação açoriana e uma delas é repetição (como o festival dos moinhos do corvo).
O Telejornal - Açores, o Açores Vip , o Máquinas e o Nóticias - Açores... Só isto é que é diário açoriano neste magnífico e completamente indispensável canal.

Convençam-me que o canal não deveria mudar o nome para RTP-Repetições.

Dêem-me missa de uma igreja açoriana! Rodem a igreja semana a semana e antes da missa uns cinco ou dez minutinhos de exposição turística à igreja corrente, transformem isto numa coisa apelativa, que venda!
Dêem-me Fala quem sabe, Maria do Nordeste, Jerónima de Jesus, seja o que for, em vez de repetições dos Gato Fedorento.
Que volte o Mau tempo no canal, em vez das novelas brasileiras!
Dêem-me 20 ou 30 minutos de notícias para cada ilha todos os dias! O que é que se passa no Corvo? Como é que estão as coisas na Graciosa? Se eu quiser saber notícias internacionais vou ver a BBC, o Sky News ou até a Fox!

Acabem com a reciclagem, acabem com a competição de horários e dêem-me uma televisão não só açoriana, mas que também mostre os Açores ao mundo!

domingo, 10 de julho de 2011

Vinte e sete escolas encerradas

Roubada algures da netFoi o título de primeira página d'a União de hoje.

Aparentemente a Secretária da Educação acha que fechar escolas vai melhorar as circunstâncias pedagógicas.
Tenho que admitir que gosto da escrita de Cláudia Cardoso. Lá de vez em quando apanho uma crítica/crónica dela nos diários locais e até se lê bem, sem demasiada pompa nem muita verborreia que só serve pra encher chouriço.

Não faço a mínima ideia qual é a formação da pessoa em questão, portanto se calhar até estou a falar de boca cheia. Mas pelo pouco que já li das suas mãos, não me parece professora, parece-me política de carreira.

Mas pergunto... Dona Cláudia, já alguma vez esteve à frente de uma sala de aulas com trinta putos ranhosos, malcriados, desimportados, preguiçosos e alguns até indecentes?

Já alguma vez teve que tomar a difícil decisão de cagar completamente para um aluno que coitado é burrinho e não chega lá à mesma velocidade que os outros, só para não atrasar os outro vinte e nove? Mesmo estando farta de saber que se calhar se fossem só quinze já havia tempo suficiente para o acompanhamento eficiente daquele rapaz?

Já alguma vez lhe apeteceu pregar um murro num pai, numa mãe, que só sabem reclamar que os putos são burros, não aprendem, não querem nada quando muitas vezes são os próprios a responsabilizar por esses defeitos?

E vendo pelo outro lado...
Já teve que sair de casa uma hora mais cedo que o habitual, porque de repente a sua escola está a mais não sei quantos quilómetros de distância?

Já teve dúvidas que não puderam ser esclarecidas, lacunas que ficaram sem preencher, erros de aprendizagem que continuaram até à idade adulta, só porque o professor pura e simplesmente não tem tempo para chegar a si no meio de tanta criançada?

Compreendo que a decisão não é da própria. Sei que a troika diz que o país não pode sustentar escolas com 10 alunos. Até acredito se me disserem que a secretária não gosta da decisão que está a tomar e que não o faria se não fosse absolutamente necessário.

Mas aqui voltamos ao problema deste país...

O país não se preocupa com o amanhã, só quer tapar os buracos do hoje.
O dar de comer a meia dúzia de filhos da puta sem pensar nas consequências amanhã é que nos pôs na crise que estamos.

Os putos vão sair da escola com canudos, mas não saem com sabedoria.
Têm curso, mas nem escrever conseguem. São doutores e engenheiros, mas precisam de instruções para atar os sapatos.

E pior... estes é que vão ser os líderes de amanhã. Estes é que vão tomar as decisões, passar as leis, editar as regras que decidirão o nosso futuro.
E nós em vez de nos certificarmos que os nossos filhos não cometem os mesmos erros que nos afundaram, andamos é a vender o seu futuro para pagar as asneiras do passado.

Daí que se vê a bosta em que vivemos, ou não fosse esta uma ilha de vacas!

domingo, 13 de março de 2011

Carnaval

Na tradição religiosa a época de Carnaval que acaba com a Terça-feira Gorda, antes da Quarta-feira de Cinzas, representa uma época de festa e celebração, um último adeus aos bens armazenados antes da época da quaresma.

A quaresma, que começa na dita quarta-feira e acaba na Páscoa, é uma época de jejum, o que explica o gastar o stock, pra não se estragar nos (aproximadamente) quarenta dias seguintes.

Como facto curioso da outrora grande influência portuguesa, a Terça-feira Gorda no Hawaii é conhecida como Malasada Day, o dia das malasadas, prato comido em terras portuguesas por esta altura.

Tal como todos os feriados e épocas católicas, este foi roubado a tradições Pagãs. Um último festim dos produtos invernais, antes das novas colheitas primaveris, já de um teor muito menos gorduroso e farinhento, para afugentar os espíritos do frio e da escuridão e abrir as portas à época do renascimento, do desabrochar, e dos coelhinhos a fazer o que os coelhinhos fazem.

Sim, que para estes pagãos tudo tinha a ver com sexo.

Mas passando ao assunto principal.

Alguém que me explique como é que passamos de comida, de pratos variados feitos com os restos da dispensa, para meia dúzia de totós vestidos como drag queens de Las Vegas a pinchar em cima de um palco.

Não consigo perceber de onde vêm estas tradições.

Esta coisa de danças e bailhinhos, de pandeiros e espadas, de enredos que já não têm piada nenhuma, é só palavrões... isto mais valia acabar. Apanhei um bocadinho na rádio, muito por acidente. Em 4 minutos o "actor" disse a palavra merda 36 vezes. Isso é mais do que uma vez de dez em dez segundos.

Ah e tal, porque a tradição e os costumes e o caraças... Perguntem a qualquer velhote daqueles que se vê sentado numa sociedade o que é que acha dos bailinhos de hoje em dia em relação aos de antigamente e a resposta vai ser sempre a mesma.

Uma merda!

Eu até acredito no valor cultural das tradições. Até consigo perceber a história dos folclores, vestir como antigamente e andar com uns cestos à cabeça...

Mas isto do Carnaval, já está tão diferente, tão deslavado, tão sem graça que já não é nem nunca volta a ser o que já foi. Tanto que já não pode ser considerado tradição, já não pode ser considerado um costume, feito da maneira que sempre se fez.

Não, bailinhos não é tradição.
É parvoíce.

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Esterco

De acordo com o DI, mandar lixo à rua vai passar a dar multa até 2500 euros.
E acho muito bem.
O dever cívico não se faz cumprir pelo amor à pátria, nem pelo amor à Natureza, nem pelo amor ao planeta Terra nem nenhum desses outros slogans hippies de trazer por causa.

Faz-se cumprir, isso sim, pelo amor ao dinheiro.

É fácil atirar um jornal pro chão depois de o ler.
É fácil atirar a beata ao chão depois de acabar o cigarro.

A única solução para isso é passar a ser menos fácil de o fazer.

Mas agora, envolvendo alguns outros exemplos, pergunto eu...

Na minha rua não passam os carros do lixo da reciclagem.
Eu recebi a cartinha a dizer que a minha rua faz parte da zona seleccionada para recolha porta-a-porta. Supostamente este facto justifica não haver ecopontos na minha zona. Recebi os calendários e as fitas.
Durante um mês pus a minha reciclagem na rua, em sacos marcados e próprios, com etiquetas, com fitas, com as cores certas, nos dias certos... e nada.
Não sei se eles acharam que dava muito trabalho, ou se quiseram ser simpáticos e dar-me material para escrever no blog.

A verdade é que eu ao fim de um mês disse "puta cuspariu" e caguei completamente na reciclagem. Agora... acham justo que eu, dado que o governo não está a cumprir a sua parte, deva ser multado por uma situação que não é da minha culpa?

E quando chegar ao inverno e eu estiver a andar na rua e se me partir o guarda-chuva? Vou pô-lo onde? Nos cinzeiros? É que os baldes que havia antigamente já foram... como é que faço agora?

Isto de ameaçar multas é tudo muito giro mas criar condição para cumprir? É quando?

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Desperdícios

A presidente diz que sim, a imprensa diz que não. No entretanto a presidente já é outra, ou talvez não seja por completo, e fica tudo em águas de bacalhau. Depois há fábrica e não há fábrica, há praça e não há praça e os quiosques vão ser renovados mas não vão, mas fiquem descansados que pelo menos bancos novos vão ter!

E se acham que isto está confuso, imaginem a minha cabeça por dentro como não deve estar.

Aparentemente vai-se renovar a praça velha. Redesenhar a calçada, reconstruir o quiosque, bancos novos, árvores novas, reaproveitamento da zona em si.

E faço eu três perguntas. É necessário? E todos os órgãos sociais me dizem que sim, é absolutamente necessário. Qual cura pro cancro qual carapuça, o que agente precisa é de uma Praça Velha nova. E se por acaso os órgãos sociais não o disserem, lá aparece um panfleto na caixa do correio, a descrever muito por alto o que é que se vai fazer à praça e porque é que nós deveremos achar que é uma boa ideia.
E para a segunda. Quanto custa? E não se esqueçam de incluir nesse orçamento o panfleto, que foram alguns milhares de exemplares, num papel bem jeitoso e com um design gráfico que não deve ter sido barato. Ah, e já agora incluam também o modelo 3d, o tal que há snapshots no dito panfleto, que também não custa só meio escudo.
E o custo do projecto, que estas merdas envolvem sempre arquitectos, desenhistas, paisagistas e mais um sem fim de -istas nem que seja em posição de consultadoria.

E agora a pergunta fatal... o que é que essas melhorias vão contribuir para a economia local?

É que isso a mim parece-me só estética. Isto não vai dar dinheiro nenhum.

Mas e a fábrica do leite T3rceira?

Não, pra isso não há dinheiro.

Não vamos fazer uma infraestrutura de transformação do único recurso que temos em abundância. Não vamos comercializar o que temos de melhor para o exterior. Não vamos criar postos de trabalho.

Não. O que nós vamos fazer é literalmente atirar dinheiro à rua.

E acho muito bem!

Com tanta gente no rendimento mínimo, temos que ter estradas adequadas para esses filhos da puta passearem todo o dia!

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Cá na ilha

Estávamos em casa de uma colega da Mónica, a "correr meninos" como se costuma dizer, quando chega o pai dela com uma história que lhe tinha acabado de acontecer, daquelas que quem não é de cá não acredita.

Os pormenores eludem-me mas correu qualquer coisa como isto:

Perto das 9 da noite vai homem de carro por Santa Luzia a fora, a caminho de casa, perto da memória.
Em frente do Instituto de Meteorologia há um ferro caído no caminho a bloquear a estrada. À primeira vista parece uma daquelas cercazinhas dos relvados, junto ao passeio.

O homem fica compreensivelmente preocupado e pensa que só há duas hipóteses para aquele ferro estar ali àquela hora ou são putos na brincadeira, ou é uma emboscada para assalto.

Eis que liga para a polícia, a comunicar que havia ali um ferro caído no caminho a meio da noite e o agente sai-se com esta magnífica gema...

"O senhor pode sair do carro e tirar o ferro sem preocupação que cá na ilha ainda não há assaltos desses!"

Resposta do homem?

"Até agora não houve, mas eu não quero ser o primeiro!"

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Ambulâncias com taxímetro

Chamem uma ambulância!Muito se fala disto agora, de taxa de uso das ambulâncias.

Eu não concordo e não concordo ao ponto de chamar nomes a quem defende esta ideia.

É um perfeito disparate, uma burrice de primeira apanha, uma ideia completamente estúpida.

Eu percebo que haja pessoas que chamam ambulâncias como se fossem táxis. Eu percebo que haja abusadores que tem que parar...

Sabem como é que eles fazem nas américas? Multas!
Se o pessoal da ambulância percebe que não é urgência, assim que chegam ao hospital pimba que lá vai multa.

E sabiam que também nas ditas américas há médicos nas ambulâncias? Não são bombeiros que tiraram um curso de duas semanas, nem enfermeiros emprestados, mas médicos especializados em transporte médico de emergência, o verdadeiro sentido da palavra "paramédicos".

É claro que não são todos médicos, mas pelo menos um elemento da equipa é.

E é nas mãos desta gente que vamos pôr a regulamentação destes custos?
Os próprios bombeiros é que vão decidir quanto é que se paga para andar de taximbulância?

É que aí de certeza que as pessoas vão abusar mais ainda. É porque se estão a pagar vão exigir, e por aí a fora num ciclo vicioso.

Eu sou a favor das multas. Se ligar para o 112 quando não é emergência dá multa, então chamar ambulância quando não é preciso também devia dar.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

ACM

ACM Versão AmericanaDe acordo com o Diário Insular de hoje, vai começar uma mini-guerra contra o ACM, por causa de "algumas" denúncias de maus tratos e outras variadíssimas infracções.

A que mais me choca é a dos patos.

Aparentemente os jovens utentes do ACM têm patos como animais de estimação, prática muito usada na educação de deficientes por todo o mundo, já que a criação de um animal para além de ensinar sobre responsabilidade, ensina o valor da vida (animal e etcetera) e os mais variados cuidados diários que advêm de ter uma criatura dependente de nós.

Parece que por vontade de algum membro da administração ou lá o que foi, os ditos patos foram mortos por estrangulamento e dados de comer aos utentes...

Ora parem uns minutos a pensar nisto.

Pensem nos vossos animais de estimação, cães ou gatos na maioria dos casos.

Pensem naquela criaturazinha que tem um nome, que já vos deu alegrias e tristezas, que é parte integrante da vossa vida...

E agora absorvam a ideia de um ensopado de gato, ou um bife de cão para o almoço...

E mais! Alguns recusaram-se ao almoço, trazendo autorizações assinadas por pais, e não lhes foi permitido sair para comer fora! Comes a merda do pato e mai nada!

Nós sabemos que os animais comem-se. Nós sabemos que os bifes não crescem na prateleira e que as linguiças não crescem nas árvores.
Mas uma coisa é um animal criado para alimentação e outra coisa é um animal de estimação!

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Tabacagem

Hoje na União falou-se de tabaco, de como os plantadores na Terceira estão a desaparecer.

Faz-se uma entrevista com um dos poucos que resta, um tio josé qualquer com a sua fotografia na página da frente.
Cita-se um livro lá do século 30 antes de cristo, que diz haver plantações em tudo o que é quintal, nem que seja para consumo próprio.

Mas não é isso que me mais me chamou à atenção.

O que me chama a atenção neste... atraso de vida... é que, de acordo com o redigido, as declarações do tal tio josé foram feitas à Lusa.

Sou só eu que acho isto mal?

É preciso vir uma agência noticiária com sede em Lisboa vir-nos dizer o que é que se passa no nosso próprio quintal?

O que é que aconteceu ao jornalismo? À pesquisa?

É assim tão complicado, tão difícil, tão hercúleo, ir à rua falar com as pessoas para saber o que é que se está a passar?

Porra, basta sentar na Praça Velha durante meia-hora a ouvir conversas daqui e dali para perceber logo quais são as preocupações das pessoas, para se perceber sobre o que é que elas querem ler...

As pessoas queixam-se do buraco no passeio na rua da Sé? Faz-se uma reportagem sobre isso!
Diz-se o que é que está feito, quem é que tem a obrigação de arranjar, a quem é que nos devemos queixar e o que se pode fazer para evitar...

Não é escrever como o Diário Insular, que "isto está mal e aquilo está mal e o outro está mal" e está tudo mal e é só queixumes.

Que se motivem as pessoas!

Se eu ler no jornal que tenho que me queixar ao Sr. Manuel das Couves para arranjar o dito buraco e por acaso vir o homem sentado a tomar café, vou lá e digo-lhe!

Instrução para o povo!

O pessoal fala da barriga de aluguer do Cristiano Ronaldo? Faça-se uma reportagem sobre inseminações artificiais, métodos de reprodução alternativos, fertilização in vitro... entrevistas com psicólogos, com professores primários, com pessoas que já tenham passado por isso...
Fale-se de quais são os pros, quais são os contras, fale-se de que estas crianças vão passar no futuro, quais os riscos médicos...

A semente já está plantada, está tudo a falar do Cristiano Ronaldo, aproveitem a oportunidade! Tirem daí o futebolista e instruam o povo!

Houve um acidente em cadeia na recta? Ora lá vai mais um!

Faça-se um apanhado dos maiores acidentes da terceira... Eles não tem arquivo de jornais com cem anos? Vão lá desencantar uma notícia qualquer para comparação!

Faça-se uma comparação da recta, como é que era antes, como é agora, quais são as vantagens, as desvantagens, como devemos conduzir para evitar estas situações!


O que nós temos agora não é jornalismo, é repetição...
Outro jornal ou outro órgão social fala disso e os nossos dois pasquins toca de repetir.

Tem que mudar!

Se não inovarem esta porcaria depressa os jornais vão acabar e depois onde é que eu vou buscar números de telefone de brasileiras?

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Qualidade vs Quantidade

E salvai-nos do mal, wei menQuem lê os meus escritos dos últimos tempos pode pensar que eu sou anti-tradição, o que não é bem verdade.
O que eu acho é que as pessoas usam as ideias de "tradição" e "festejo" como desculpa esfarrapada para se embebedarem e não terem que ir trabalhar.

Há festas a mais.

Tomemos como exemplo a freguesia São Mateus...

À pouco tempo acabou a festa do mar, depois há a festa da terra, a festa do terreiro, a festa das mulheres, a festa da canada do capitão-mor, a festa do cantinho, a festa da terra do pão, a festa do pesqueiro, a festa dos lavradores, a festa dos pescadores e pelo menos mais uma que eu agora não me lembro.

E isto só pra uma freguesia.

Percebo que as pessoas na sua visão católica religiosa queiram dar graças ao divino espírito santo pela boa fortuna do último ano, ou pedinchar para um ano próximo melhor... Essa ideia até é fácil de engolir.

Embora ache completamente estúpido, eu percebo que se façam oferendas aos santos, que se façam peditórios e bazares para organizar isto tudo, que se enfeitem as ruas e as casas e tudo mais que é habitual.

Mas o que é que isso tem a ver com os Irmãos Rosa a cantar até às 2 da manhã? Para que raio é que uma só festa tem que ter três touradas?

E porque é que eu sou obrigado a engolir isto sem refilar?


Mas será que ninguém percebe que não há população para isto tudo?

É que dado o tamanho da freguesia, se juntassem as nove ou dez festas em, por exemplo, duas (que fossem a do cantinho que apanha a zona de cima e a festa do mar que ficava encarregue da zona de baixo), faziam-se festas muito mais grandiosas com artistas que prestem (se o Quim Barreiros ou o Carlos do Carmo, que não devem ser nada baratos, vão às festas de São Carlos - que nem sequer é freguesia! - porque é que nos havemos de contentar com menos?), com touradas de qualidade, em vez daquelas porcarias de vacas que ficam paradas num canto quase que a pastar, e muito mais importante, com povo bastante, que encha as ruas de alegria e diversão!

Não há nada pior que uma tourada onde só há meia dúzia de gatos pingados porque está tudo espalhado pela ilha, uma pinguinha em cada festa, das 9 ou 10 que acontecem ao mesmo tempo por todo o lado.

É um absurdo, é um desperdício de dinheiro e acaba a ser inútil porque as pessoas estão tanto dispersadas que ninguém aproveita a festa na totalidade...

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Folclores

Em relação à fotografia da página da frente de hoje, tenho opinião mista sobre folclore.

Por um lado até consigo perceber a ideia de reprodução dum período passado, de um tempo diferente na nossa história, sendo quase como uma celebração do antigo, da nossa cultura e das nossas raízes.

Mas no fundo acho que nada disso deveria interessar... Acho que sim senhor devemos aprender com o passado para não cometermos os mesmos erros e essa treta toda, mas isto de folclore pra mim exagera um bocadinho... é isso e as feiras renascentistas.

Tanta asneira que se faz só porque no passado fazia-se assim, quando estamos fartos de saber que isto ou aquilo afinal não funciona!
Antigamente atirava-se o conteúdo dos penicos para o meio da rua, lancetava-se tudo o que fosse ferida, as sanguessugas eram cura para tudo, o orgasmo feminino era uma cura médica para a loucura, comia-se sopas de cavalo cansado ao pequeno almoço, tomava-se banho uma vez por mês e mais um sem fim de idiotices...

Em vez de emularmos o comportamento da sociedade daquela época, devíamos aprender com ela como não fazer!

Se já há tecidos muito melhores, mais insuladores, mais duradouros e afins, porque é que nos havemos de vestir daquela maneira estúpida?

Se já há sapatos à prova de água, com solas ortopédicas, com apoio de arco e tudo mais, para que é que vamos usar tamancos?

E quem diz isto diz muito mais... Acho que o espectáculo folclórico é um retro exagerado, é demasiado...

Até porque aquelas roupas não são reproduções fiéis, no fundo no fundo não passam de aproximações... portanto nem se pode dizer que é igual!

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Irresponsabilidade

Fotografia da página da frente da União de hoje... "Presença de limos provoca acidente".

Não, não provoca.

O que provocou o acidente do dito rapaz foi falta de atenção, falta de responsabilidade, falta de cuidado, falta de juízo e à bela moda da Terceira, falta de discrição.

E se calhar também foi falta de umas palmadas bem dadas na altura certa.

Se não se andassem a comportar como uns babuínos estas coisas não aconteciam.

Como o outro estúpido que foi arrastado pelas águas ao pé do petiska, só porque muito bêbado se lembrou de atravessar a correr de um lado ao outro da zona balnear, em dia de fortes ondas... estava-se mesmo a ver onde é que aquilo ia acabar.

Quando eu era puto, na altura em que ainda ia pra silveira, tanta vez voltei eu pra casa com joelhos esfarrapados e canelas negras... os meus pais nunca foram pro jornal chorar à frente da ilha toda!
E porquê? Porque eles sabiam perfeitamente que eu magoava-me porque andava para lá aos pinchos que nem um canguru speedado... ainda cheguei a ouvir uns quantos "é bem feito que é pra aprenderes".

Hoje? Hoje a culpa é da sociedade, é da escola, é do Bin Laden, é da polícia, é dos amigos, é da câmara, é do Cristiano Ronaldo, é da televisão e é do raio que o parta mas nunca, mesmo nunca é dos pais e dos próprios catraios.

Vivemos numa cultura infantocêntrica, estamos a pôr as crianças em pedestais e isto só vai acabar mal.

O que é que vai acontecer quando esses putos que crescem a pensar que são reis e senhores do mundo, que são génios, que são especiais, que conseguem fazer tudo o que quiserem "basta desejar com muita força e bater os calcanhares três vezes!", o que é que vai acontecer quando eles chegarem a adultos e perceberem que são só mais um idiota, só mais uma roldana na máquina, que não são mais que nenhum outro?