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Divagações, Diatribes e outros Semelhantes
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segunda-feira, 23 de dezembro de 2019

Merry Natal

A SATA está de greve outra vez.
Não sei se é de mecânicos ou de porteiros ou lá o que é, mas estamos outra vez de vôos cancelados.

Eu percebo a necessidade de lutar pelos direitos, compreendo que é preciso combater a disparidade salarial e essas lérias todas que eles apresentam, mas... no natal?

Cheira-me demasiado a "hostage situation", demasiado a chantagem para me parecer bem.

Ficam as pessoas quase uma semana em terras alheias, a gastar do seu dinheiro para poder comer, sem amparo e sem fim à vista, numa das alturas mais lembradas do ano.

É assim meio coiso e tal, quer-se dizer...

Percebe-se que a tripulação boicote os vôos, para mostrar à administração que "ou melhoras ou ficas a perder dinheiro", mas isso soa muito menos mal quando é numa situação que há concorrência e há alternativa.

Nós aqui presos nestas ilhas só temos a SATA pra nos valer, de modo que este boicote fere muito mais os utilizadores que os administradores.
Não há aquele aspeto de perda de negócio que justifica o transtorno perante as pessoas, nem há alternativa para os passageiros, pelo que estes engolem e só se calam.

Parece-me desnecessariamente cruel perante pessoas que já estão fartas de levar porrada.

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Fim da Restauração

roubada da net
Desde 1 de Janeiro que o IVA de 9% aumentou para 16%, cá nas ilhas, porque no continente ainda foi pior... de 13%; para 23%.

Muito se chora e muito se resmunga, que isto é mau, que agente não sobrevive e tal e não sei mais quê.

Confesso que a princípio me parecia fatalismo, mas agora vendo melhor acho que é mesmo motivo para alarmar.

Ora façamos uma exposição.

Uma pessoa chega ao restaurante, senta-se e leva couvert, aquela fatia de pão rijo e mais a casquinha de manteiga do fundo do frigorífico.

Pede a comida e enquanto espera lá vai mamando uma cerveja. Como a comida demora (quase de propósito) quando chega o prato lá tem que vir outra bebida.

Depois no fim lá vai um café e pede-se a conta.

Um couvert normalmente é cobrado a 1 euro. Imaginemos que um pão custa 1 euro, dá pra 20 fatias e cada cliente leva duas. ou seja, aquele couvert vai custar 10 cêntimos plo pão mais 10 pla manteiga. Portantos, couvert = lucro 0,80 euros.

A cerveja vai mais um, e custa praí 50 cêntimos. Ou seja, duas cervejas = lucro 1 euro.

Normalmente é na comida que está o verdadeiro ganho... pagamos 5 euros por um prato que custa 2 a fazer, sem querer entrar em ingredientes específicos, produtos perecíveis e especiarias incontabilizáveis, vamos por este valor... prato principal = lucro 3 euros.

O café costuma ser daquelas coisas que as pessoas nem dão por ela... pagamos 60 cêntimos mas na realidade o custo não chega a 20. Portanto café = lucro 0,40 cêntimos.

No total, esta refeição teria um lucro de 5,20 euros. Deduzindo os 9% de IVA (que o restaurante é que paga o IVA, se repararem todas as ementas que se vêem por aí dizem "IVA incluído") este lucro seria 5,20 - 0,47 = 4,73 Euros.

Até parece muito, mas não esquecer que este lucro tem que pagar o empregado de mesa, o cozinheiro, a electricidade dos frigoríficos, o gás dos fogões, a água pra lavar a loiça e tudo o resto que anda à volta de gerir um restaurante.

E agora buga subir taxas.

Logo de raiz aumentam os produtos base. O pão ainda está a ser discutido e a manteiga já se decidiu que não aumenta... portanto o couvert está safo.
As cervejas sobem de 50 cêntimos para 54. Portanto o lucro já não é 1 euro, já são 92 cêntimos.

O custo do prato principal também sobe, de 2 euros passa para 2,20... e assim o lucro já é só 2,80.

o café também sobe, portanto o lucro aqui passa a ser 0,38, em vez dos 40.
O lucro total da refeição já passa a ser 4,90 euros... é menos 30 cêntimos por cabeça.

E agora aplica-se o martelo final da taxa. 4,90 euros - 0,78 (que agora é 16%) = 4,12 euros...

Quem não teve pachorra para a exposição recomece a ler aqui.

O restaurante vai perder 61 cêntimos por pessoa...

Onde antes serviam 10, agora vão ter que servir 12, só para igualar.

Em tempo de crise, em tempo que as pessoas gastam menos, que se aperta o cinto e se come pão e queijo em vez de lagosta... os restaurantes vão ter que servir mais duas pessoas diárias só para continuar na mesma merda que estão.

Isto é preocupante...

É preocupante porque se o restaurante fecha já não há ninguém pra comprar carne e batatas, portanto fecham os talhos e fecham as plantações. E depois os empregados dos talhos e das plantações não recebem ordenado, portanto não comem em restaurantes. E lá fecha mais um restaurante, e mais um talho, e mais uma plantação, e mais um restaurante, e mais, e mais, e mais...

É claro que isto é uma visão um bocado fatalista. Os preços reais não são estes, os talhos e as plantações de batatas não vivem só de restaurantes, até porque as pessoas que comiam bife na tasca continuam a comer bife em casa, mas fica como exemplo.

Só que os donos do restaurantes sabem isto. Portanto em vez de servirem mais pessoas para repôr os ditos 60 cêntimos, vão é aumentar o preço da conta. Ou aldrabam e as porções vêm mais pequenas.

E o cliente paga, senão não almoça.

O problema é que a aumentar assim... muito em breve o cliente paga e arrota e mesmo assim não come.

É que hoje é a comida, amanhã é o gás, depois a água e a luz e só falta é inventarem um IVA a aplicar ao oxigénio.

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Crise

Roubado da Wikipedia
O português gosta de falar.
Não gosta de ouvir, não gosta de trabalhar e não gosta de tomar decisões... mas gosta de falar.
E mais que isso, adora queixar-se.

A culpa é do governo, dos advogados, dos políticos, da burocracia, dos ricos, dos pobres, dos políticos, da classe média, dos médicos, dos políticos, dos tribunais, do Carlos Cruz, da função pública, dos políticos, da polícia, dos hospitais, dos políticos e, para o caso de me ter esquecido, dos políticos.

Mas minha gente... a culpa do país estar da maneira que está? É do povo.

É vossa, nossa, minha e tua. Tal como o país é de todos nós, a culpa é de todos nós.

Ora veja-se a bela decisão do povo português:

27 de Setembro de 2009.

Já tinha rebentado o caso da Independente, o famoso curso comprado ao Domingo, bem como toda a tentativa de encobrimento do mesmo.
Já tinha rebentado o escândalo dos Magalhães.
Já tinha rebentado o caso Freeport, em que o tio do primeiro ministro disse à imprensa que tinha "oferecido" o contrato dos ingleses ao sobrinho.
Já tinha começado a caça à TVI.
Já havia barulho sobre os voos de Guantanamo...
Vale a pena continuar?
Já havia mais que provas suficientes que a pessoa à frente do Governo era um aldrabão, talvez incompetente, que punha os seus interesses à frente dos do país.

E o país o que é que faz?
Elege a criatura para novo mandato!

A culpa não é do Sócrates.
A culpa é dos dois milhões de pessoas que votaram nele e, mais ainda, dos quatro milhões que não levantaram o cú do sofá, efectivamente dizendo "enganem-me à vontade e façam o que vos apetecer, que eu cá estou-me cagando"

E onde é que estão esses quatro milhões agora?

Nos cafés, nas ruas, no sofá... a queixar-se dos políticos e do governo e dos médicos e dos políticos e... da troika também, e da Alemanha e da Grécia e da Irlanda e sei lá mais o quê.

Antigamente dizia-se que a televisão era futebol e fado. Agora acabou-se o fado e é só futebol.
Antigamente queria-se putas e vinho de cheiro. Agora as putas são importadas do Brasil e o vinho de cheiro já não pode ser por causa dos taninos.

O povo português quer é pão e circo.

Ou brasileiras e futebol.

domingo, 16 de outubro de 2011

O Acordo Tortográfico

Não sei se a citação está correcta ou não, mas foi assim que chegou a mim:

Como os filólogos da República da Guiné-Bissau não puderam estar presentes na recente reunião para o Novo Acordo Ortográfico, estamos todos à espera da sua ratificação para saber como é que nós, os Portugueses, vamos escrever a nossa própria língua. E esta? De qualquer modo, os grandes peritos de São Tomé e Princípe, de Angola, do Brasil, e dos outros países de «expressão oficial portuguesa» já se pronuciaram. A República da Guiné-Bissau, porém, também terá a sua palavra a dizer. Muito provavelmente, uma palavra escrita à maneira deles; mas não faz mal. Nas palavras de Fernando Cristovão, 1986 é o ano que marca a nascença da lusofonia. A grandiosa lusofonia está, obviamente, acima da mera língua portuguesa.

A lusofonia é uma espécie de estereofonia, só que é melhor. A estereofonia funciona com dois altifalantes, enquanto a a lusofonia funciona com mais de 100 milhões.” Para mais, os falantes da lusofonia têm a vantagem de ser feitos em África e na América do Sul, o que lhes confere uma sonoridade nova e exótica. Para instalar uma aparelhagem lusofónica devidamente apetrechada, são necessários complicados componentes tupis, quimhmoguenses, umbandinos e macuas, Enfim, coisas que não se fabricam na nossa terra. A partir de 1986, todos os povos a quem uma vez chegou a língua portuguesa podem contar com um lusofone em casa. Um lusofone é um aparelho que permite a qualquer indígena falar e escrever perfeitamente esta nova e
excitante língua, que passará a chamar-se o brutoguês.

Para haver lusofonia, nada pode ser como dantes. Os Lusíadas passarão a conhecer-se por Os Lusofoníadas. Se dantes havia língua portuguesa e a sua particular ortográfica, agora passa a haver a língua brotuguesa e a sua ainda mais particular tortografia. A tortografia, conforme se estabeleceu no Acordo Lusofónico de 1986, consiste em escrever tudo torto.

As bases da tortografia assentam numa visão bruta da fonética. Por outras palavras, se a lusofonia é uma cacofonia de expressão oficial brutoguesa, a tortografia consiste fundamentalmente no conceito de cacografia”. Dantes cada país exercia o direito inalienável de escrever a língua portuguesa como queria. As variações ortográficas tinham graça e ajudavam a estabelecer a identidade cultural de cada país. Agora, com o Acordo Tortográfico, a diferença está em serem os Portugueses a escreverem como todos os outros países querem. Como todos os países passam a escrever como todos querem, nenhum país pode escrever como ele, sozinho, quer.

As ortografias tupis e crioulas, macumbenses e fanchôlas passarão a escrever-se direito por linhas tortas. O Prontuário passa a escrever-se «Prontuario», rimando com «desvario» e «Cuf-Rio». O Abecedário passa a escrever-se «Abecedario», em homenagem a dario, grande Imperador da Pérsia, que, por sua vez, se vai escrever «Persia» para rimar com «aprecia», já que qualquer persa aprecia uma homenagem, mesmo que seja só uma simples omenagem. Já dizia acentuadamente Fernando Pessoa que «a minha pátria é a língua portuguesa». Agora passa a dizer «a minha patria é a lingua portuguesa», em que «patria» deixa de ser anomalia e «lingua» assim, nua e crua.

Será possível imaginar os ilustres filólogos de Cabo Verde a discutir minúcias de etimologia grega com os seus congéneres de Moçambique? Imagine-se o seguinte texto, em que as palavras sublinhadas serão obrigatoriamente (para não falar nas grafias facultativas) escritas pelos portugueses, caso o acordo seja aprovado:”A adoção exata deste acordo agora batizado é um ato otimo de coonestação afrolusobrasileira, com a ajuda entristorica dos diretores linguisticos sãotomenses e espiritossantenses. Alguns atores e contraalmirantes malumorados, que não sabem distinguir uma reta de uma semirrecta, dizem que as bases adotadas são antiistoricas, contraarmonicas e ultraumanas, ou, pelo menos, extraumanas. No entanto, qualquer superomem aceita sem magoa que o nosso espirito hiperumano, parelenico e interelenico é de grande retidão e traduz uma arquiirmandade antiimperialista. Se a eliminação dos acentos parece arquiiperbolica e ultraoceanica, ameaçando a prosodia da poesia portuguesa e dificultando a aprendizagem da lingua, valha-nos santo Antonio, mas sem mais maiúscula. A escrever »O mano, que é contraalmirante, não se sabe mais nada, mas não é sobreumano«? O que é que deu nos gramáticos de além-mar (ou escrever-se-á alemar)? A tortografia será uma doença tropical assim tão contagiosa?”

Os portugueses no fundo assinaram um Pacto ortográfico que sabe a pato. Ninguém imagina os espanhóis, os Franceses, ou os Ingleses a lançarem-se em acordos tortográficos, a torto e a direito, como os Portugueses. Cada país – Seja Timor, seja o Brasil, seja Portugal – tem o direito e o dever de deixar desenvolver um idioma próprio, Portugal já tem uma língua e uma ortografia próprias. Há já bastante tempo. O Brasil, por sua vez, tem conseguido criar um idioma de base portuguesa que é riquíssimo e que se acrescenta ao nosso. Os países africanos que foram colónias nossas avançam pelo mesmo caminho. Tentar «uniformizar» a ortografia, em culturas tão diversas, por decretos aleatórios que ousam passar por cima de misteriosos mecanismos da língua, traduz um insuportável colonialismo às avessas, um imperialismo envergonhado e bajulador que não dignifica nenhuma das várias pátrias envolvidas. É uma subtracção totalitária.

A ortografia brasileira tem a sua razão de ser, e a sua identidade. Quando lemos um livro brasileiro, desde um «Pato Donald» ao Guimarães Rosa, essas variações são perfeitamente compreensíveis. Até achamos graça. Como os Brasileiros acham graça à nossa. Tentar «uniformizar» artificialmente a ortografia, para além das bases mínimas da Convenção de 1945, é da mesma ordem da estupidez que pretender que todos os que falam português falem com a pronúncia de Celorico ou de Salvador da Bahia. é ridículo, é anticultural, é humilhante para todos nós. Se não tivessem já gozado, era caso para mandá-los gozar com o Camões.

>Imaginem-se os biliões de cruzeiros, escudos, meticais, patacas e outras moedas que vai custar a revisão ortográfica de todos os livros já existentes. Imagine-se o distanciamento escusado que se vai causar junto das gerações futuras, quando tentarem ler escorreitamente os livros do nosso tempo. Sobretudo, imagine-se a desautorização e a relativização que o acordo implica. Amanhã, uma criança há-de escrever esperanssa e quando for chamada a atenção, dirá «tanto faz, que estão sempre a mudar, e qualquer dia desaparecem as cês cedilhados». Ou responderá, muito simplesmente: «Pai, mas é assim que se escreve em Cabo Verde!»

“A língua portuguesa nasceu do latim – toda a gente sabe. Um dia, a língua brasileira, e a língua são-tomense, e a língua angolana serão também línguas novas e fresquinhas que nasceram da língua portuguesa. Ninguém há-de respeitar menos a língua por causa disso. (Nós também não desrespeitamos o latim.) As línguas são indissociáveis das culturas e das histórias nacionais, e elas são diferentes em todos os países que hoje falam português à maneira deles. A maneira é a maneira deles, e a nossa é a nossa. A única diferença é que Portugal já há muito que achou a sua própria maneira, tanto mais que a pôde ensinar a outros povos, e é um ultraje e um desrespeito pretender que passemos a escrever como os Moçambicanos ou como os brasileiros. Eles são países novinhos. Nós somos velhinhos, e não faz sentido ensinar os velhinhos a dizer gugudadá, só para que possam «falar a mesma língua» que as criancinhas.

Sem império, Portugal tem ainda a dignidade de ter sido Império. Mas há um feitio mesquinho que se encontra em muitos portuguesinhos de meia-tijela, que consiste em ter medinho que as ex-colónias se esqueçam de nós. Estes acordos absurdos são sempre «ideia» dos Portugueses armados em donos da língua. A verdadeira dignidade não é essa – é soltar a língua portuguesa pelo mundo fora, já que a sua flexibilidade é uma das suas maiores riquezas. Aquilo que já aconteceu – haver um português brasileiro, um português angolano, um português indiano – é prova gloriosa disso. Mas quando os Portugueses desejam meter-se na vida linguística dos outros, é natural que os outros também se metam na nossa. Os próprios participantes deste último Acordo parecem ter perdido completamente a cabeça, aceitando normas ortográficas disparatadas para a língua portuguesa de Portugal. Sem ingerências da nossa parte, seriam inaceitáveis as ingerências dos outros. O Acordo agora proposto – que o Governo deveria ler muito cuidadosamente, antes de consigná-lo, entre saudáveis gargalhadas, ao caixote do lixo da história – é uma mistura diabólica e patética de extremo relaxamento ortográfico («tudo vale, seja na Guiné, seja em Loulé) e de inadmissível sobranceria cultural («tudo vale, mas nós é que temos o aval»). Faz lembrar aqueles miúdos que dizem «Eu faço o que vocês disserem, desde que eu possa ser o chefe»).

Dizem que é «mais conveniente». Mais conveniente ainda era falarmos todos inglês, que dá muito mais jeito. Ou esperanto. Dizem que a informática não tem acentos. É mentira. Basta um esforçozinho de nada, como já provaram os Franceses e já vão provando alguns programadores portugueses. Dizem que é mais racional. Mas não é racional andar a brincar com coisas sérias. A nossa língua e a nossa ortografia são das poucas coisas sérias que Portugal ainda tem. É irracional querer misturar política da língua com a língua da política.
O que vale é que, neste momento, muitos portugueses – escritores, jornalistas e outros utentes da nossa língua – estão a organizar-se para combater a inestética monstruosidade. Que graça tinha se se fizesse um Acordo Ortográfico e nenhum português, brasileiro ou cabo-verdiano o obedecesse. Isso sim, seria um acordo inteligente. Concordar em discordar é a verdadeira prova de civilização”.

Miguel Esteves Cardoso, “O Acordo Tortográfico”, in “Explicações de Português” (Assírio & Alvim, 2ª edição, 2001)

domingo, 2 de outubro de 2011

O desespero é meo


A incompetência dos serviços espanta-me cada vez mais. Acho que as empresas se esquecem que os seus funcionários são a cara pública da empresa, a primeira linha de contacto que o cliente tem e muita vez o ponto definitório de essa pessoa se tornar ou não cliente.
Esquecem-se também que após o ter como cliente é preciso mantê-lo, cuidá-lo e no geral tratá-lo bem para evitar que ele salte pra concorrência.

Em certos serviços isso não é viável, como o caso da EDA que é aquela e mais nenhuma, mas de qualquer modo, pelo menos para essas empresas chamadas públicas, esquecem-se que somos nós, os contribuintes, que lhes pagamos os salários chorudos a que estão habituados.

Mas no fundo no fundo isto não passa de uma(s) grande(s) empresa(s) que se estão completamente a cagar para o zé povinho, por muito que ele contribua.
Passo a deixar um exemplo pessoal:

Lá fui eu, na minha dança mensal, pagar as contas do mês.
Como tem sido cada vez mais normal neste tempo de crise, tinha uma factura da PT atrasada, para além da do mês corrente.

Derivado de, tinham-me feito o que eles chamam de suspensão parcial, cortaram-me a televisão mas continuei com internet.

Por causa de, cheguei eu à TMN pra pagar a minha factura, munido de cartão multibanco, que hoje em dia o que manda é o plástico.
Tirei a minha senha, que hoje em dia não passamos de peças numa linha de montagem, e esperei a minha vez. Ia olhando para as montras de telemóveis, para os panfletos a anunciar serviços que ou já tenho ou não preciso, ou até a olhar para as saídas do ar condicionado... tudo para evitar olhar para aquela gaja que trabalha naquela agência e parece querer fingir que não me conhece, ou para o lavrador que cheira tão mal que nem o AC o salva, ou para a velha que me manda uns olhares que mais parece que me quer saltar em cima, ou para o repatriado que olha para os telemóveis como se estivesse a decidir qual deles vai roubar, ou para as bezerras atrás dos balcões que têm cara de que se lhes déssemos um tiro na cabeça era um favor que lhes fazíamos.
Sim, que isto de contacto interpessoal é coisa do século passado e deus me livre se hoje em dia alguém conversar com a pessoa que está ao seu lado na bicha pro abate.

Certo ponto apanhei uma conversa pelo ar, não sei se acompanhada do mau cheiro ou de intenções criminosas, da qual só percebi "multibanco".
Antes de chegar à minha vez lembrei-me de perguntar à abécula se aceitavam cartões ao que ela me responde... "Pra quê?"

Só me apetecia responder qualquer coisa parva, tipo "pra cortar linhas de coca" ou "pra alugar filmes pornográficos" mas lá me contive e, considerando que estava a falar com a criatura do balcão dos pagamentos, disse... "pra pagamentos."

"Ah não, multibancos só pra compras."

Olha que porra, então se só há uma opção porque é que não abre logo com "só pra compras" em vez do idiótico "pra quê"?

Mas enfim, lá saí eu da fila, perdi a minha vez e dirigi-me ao multibanco mais próximo. Levantei dinheiro, voltei à loja e por aí adiante até finalmente chegar a minha vez na linha de montagem.

"Queria saber se para me reactivarem o serviço preciso de pagar as duas ou se pode ser só a mais antiga."
"Ah pois, nós aqui fazemos o pagamento mas é só da factura que o senhor tiver na mão."
Desculpa?!?!? Mas afinal vocês são um balcão da PT ou são o pay-shop na vendinha da esquina?
E eu com o olhar vidrado no computador dela, que mais óbvio só se tivesse setas a sair dos olhos pergunto, "e não há maneira de saber?"

Daí que ela agarra o telefone e... liga para o serviço a clientes!

Mas que merda vem a ser esta?!? Vim até aqui pra fazeres o mesmo que podia ter feito em casa? Mas afinal estás a receber pra quê?
A este ponto só me passa pla cabeça que tipo de favores sexuais é que esta jumenta andou a fazer pra conseguir este trabalho, porque pela inteligência não foi de certeza!

Passando à frente, depois de dois telefonemas e muita conversa com a burra-gémea da caixa ao lado, lá a pequena me diz que sim senhor, posso pagar só a mais antiga, custa X e remata com o incrédulo... "E como é que vai pagar?"

PUTA QUE PARIU!!!! Então se vocês só aceitam dinheiro como carga de diabos é que achas que eu vou pagar? Duas vacas e um cabrito? Meia hora de trabalho escravo durante uma semana? Talvez uma pequena pilha de sal?

Eu a contar mentalmente quantos anos ia parar à cadeia por transformar o ecrã dela num colar cervical acabei a responder, "Com dinheiro, faz favor."

Saí de lá biurso (ou seja, duas vezes urso) mas pelo menos estava a situação resolvida, agora era só esperar 48 horas no máximo pra me re-ligarem aquela merda e não precisava de ver aquele furúnculo pelo menos até ao mês que vem.

Saltando dois dias... ainda nada de têvê, ligo eu pro serviço de apoio a clientes, o mesmo que a cebola tinha ligado na loja.

Ah e tal, contas em atraso, pagamentos na loja, bla bla bla e atirem-se da rocha abaixo que eu quero a porra da televisão ligada.

"Ah não, pedimos muita desculpa pela informação dada, mas a partir do momento que vai pra corte tem que regularizar a situação por completo senão não há nada pra ninguém."

A minha cabeça parecia a terceira guerra mundial, ataques nucleares ao alto das covas, campos de concentração repletos de funcionários da PT, cães de ataque a vaguear as ruas e baratas radioactivas ao quilo a perseguir os poucos que restam...
E queimadas públicas de cartazes do meo e de efígies dos gajos dos Gato Fedorento.

Mas o pior, passando à parte séria, o pior mesmo é que a culpa não é da funcionária.
Se calhar a rapariga nos seus tempos livres está a descobrir a cura pro cancro, ou a distribuir próteses pelas vítimas das minas terrestres, mas naquele posto e naquele momento a empresa não lhe dá informação absolutamente nenhuma.
Ela não é mais que uma pay-shop, uma "recebedora" de dinheiros, sem acesso nenhum a registos, políticas internas, procedimentos ou tudo o mais necessário para desempenhar a sua função.

Que no fundo no fundo ela não é uma funcionária da PT. Ela é sim uma empregada da TMN que por acaso dá pagamento a umas contas de outras firmas...

Da mesma maneira que o pessoal da manutenção não são da PT mas sim da Viatel e outros parecidos, os vendedores são contratados por empresas de marketing e o suporte técnico está todo a um oceano de distância.

Com uma infraestrutura destas o serviço nunca pode ser bom, a atenção devida nunca pode ser dada e a funcionária, por mais inteligente que seja, vai passar sempre por imbecil.

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Eleições

Get it?E lá acabámos com um governo PSD.

Não é que faça diferença, que o país está entregue ao FMI... Fosse quem fosse pra cadeira, não vai governar merda nenhuma, só vai cumprir ordens.

Pensando bem, até pode ser que seja melhor assim!

Ao menos as hipóteses de fazer asneira são menores!

Desta vez nem votei.
Sentado ao computador estava e sentado ao computador fiquei.

O líder do meu partido disse na televisão aqui há uns meses (talvez dois) que não faria diferença nenhuma quem ganhasse, porque fosse quem fosse teria que tomar as mesmas medidas, cumprir as mesmas ordens.

Ora, se a pessoa a quem eu dou o meu apoio acha que não vale a pena, o que é que eu, mero mortal, hei-de achar?

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Ai caramba!

Veio da costa
Com o sorrir de quem chegava cedo
Trazia histórias
De baleias, de marés e medo
E aquela gente
Que nunca tinha visto o mar contado
Ouvia tudo
Como segredo que é revelado

E a filha do carpinteiro
Que era como uma sereia
Tão boa como água mansa
Fêmea como a lua cheia
De crescer água na boca
De sonhar a noite inteira
Ponham-me a pensar sozinho
Que ainda a deitava na areia

[Refrão]
Ai caramba!
Aquilo é que havia de ser caramba
Palavra de honra
Só me arrependia do que não fizesse
Ai se eu pudesse catraia
Levava-te a navegar
O teu lenço, a tua saia
Deitava os dois ao mar
E era o que Deus quisesse,
Ai catraia se eu pudesse...
E era o que Deus quisesse,
Ai catraia se eu pudesse...

Raio de moça
Que já me põe a falar sozinho
Ainda hei-de um dia
Aparecer-lhe à curva do caminho
Pode a nascente
Se levantar lá das terras da sorte
Hei-de dizer-lhe
Que é mais bravia que o vento norte

E um dia de manhazinha
O pescador perdeu o medo
Foi bater-lhe à porta e disse
Quero contar-te um segredo
E ela pior que as marés
Deu-lhe a resposta despachada
Vai mas é de volta ao mar
Que tu daqui não levas nada

[Refrão]

Ai se eu pudesse...

Ai caramba
Aquilo é que havia de ser caramba
Palavra de honra
Só me arrependia do que não fizesse

[Refrão]

Ai caramba!
Aquilo é que havia de ser caramba
Palavra de honra
Só me arrependia do que não fizesse
Ai se eu pudesse catraia
Levava-te a navegar
O teu lenço, a tua saia
Deitava os dois ao mar
E era o que Deus quisesse,
E era o que Deus quisesse,
Ai catraia se eu pudesse...

O que vai aqui em cima é a letra do "Ai Caramba" dos Quadrilha, canção estupidamente conhecida e que muitos pensam vem da boca do Vitorino.
Para quem não está a ver quem são os Quadrilha, esta banda deu que falar a meio dos 90's e tem um som que nós associamos ao folclore. Com algumas excepções tipo o "Não Há Dinheiro" e o "Canção de Emborcar", à primeira vista Quadriga é música de velho.

E é claro que não é. O que foi, pensavam que eu vinha falar de folclore?

Para quem ouve na rádio e por aí, esta canção tem um toquezinho agradável e é daquelas que fica na cabeça. Mas prestem bem atenção à letra...

É a história de um pescador que, se pudesse, atirava-se à filha do carpinteiro que, pelo chamar-lhe de catraia, quase de certeza que é menor de idade.

Raptava a rapariga para águas fora do território português, despia-a à força e fazia o que fizesse com autorização divina.

Dá que pensar, não dá? Que andamos todos a cantarolar e aplaudir uma canção sobre violação?

E depois aparece o Emanuel a cantar uma sobre "Encostar devagarinho, com respeito e juizinho" enquanto se dança, mas aí não, esse já não presta e é música pimba que é só porcarias...

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Votar pra quê?

Também quero!Será que alguém me explica o que faz um presidente?
É que eu olho, ouço, sinto e cheiro (sim, que a merda do governo vai longe) mas não o vejo fazer nada...
O pessoal queixa-se é do Sócrates, os ministros é que propõe leis, os bancos é que controlam o dinheiro e o presidente... o presidente o que é que faz? Nada?

Ontem foram as presidenciais. Como já se esperava, re-ganhou Cavaco. Como também se esperava, a quantidade de abstenções foi maior que a de votos registados.

Com um magnífico total de mais de cinco milhões, a abstenção é a verdadeira vencedora desta eleição. Os dois milhões e duzentos de Cavaco nem chegam à metade.

E agora, proponho eu, deixem a cadeira vazia! Não precisamos de mais um pra fazer nada, que o salário dele reverta para os cofres do estado, que ao menos sempre vai pagando umas obras!


Lamento dizer que votei Alegre.

Novamente cometi o erro de votar por ideologia, de seguir o candidato apoiado pelo meu partido.

Infelizmente ideologia na política portuguesa é uma coisa morta, se é que realmente chegou a existir. Hoje em dia os órgãos escolhem-se por carisma, as pessoas votam nos seus líderes como se estivessem a escolher quem é que vai sair da casa dos segredos. Já não há programas eleitorais, ou se os há não passam de promessas.

Já lá vai o tempo em que votar comuna significava votar pelo povo, pela arraia miúda, em que votar socialista era votar pelo equilíbrio, votar popular era apoiar igreja e assim por diante.

Hoje? Hoje ou se vota no amigo dos TGV's ou no gajo dos portos. Ou se vota no que quer o aeroporto novo, ou no que quer comprar submarinos. Ou se vota nas putas, ou nos filhos delas.

Já não há partidos, já não há ideologias.
Mudam as caras dos fantoches, mas o interior continua a ser a mesma palha.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Hipercrisia

Ah pois é...
Fala-se muito praí de igualdade entre os sexos, de que somos pessoas tolerantes, de que cada um faz o que quiser e não temos nada a ver com isso, de que somos todos livres...

Posto isto, eu venho falar de hipocrisia.

Nós não somos tolerantes. De facto, nós somos tudo menos tolerantes.

Algures em 2007, uma criaturazinha escreveu para um jornal americano, o Peninsula Clarion, em que entre outras barbaridades dizia que "nós temos liberdade de religião, não liberdade de nenhuma religião" ou seja, podes escolher, mas és obrigado a ter uma!

O original dizia "The United States is based on having freedom of religion, speech, etc., which means you can believe in God any way you want (Baptist, Catholic, Methodist, etc.), but you must believe."

E é alarmante a enorme quantidade de gente que concorda com esta besta!

Mas não nos ficamos só pela religião, nem pouco mais ou menos!

Ponha-se em questão a fotografia em anexo... marido chega a casa e encontra a mulher na cama... tudo aponta para um amante. Dentro do guarda-fato está... uma gaja!

Isto não passa pela cabeça de ninguém! Qualquer pessoa confrontada com a traição do cônjuge pensa automaticamente em pessoa do sexo oposto.

Nunca ia passar pela cabeça daquele homem que estava a ser trocado por outra mulher... e porquê? É assim tão difícil de acreditar?

Chico Anysio, humorista brasileiro, diz e com razão "As mulheres estão descobrindo que mulher é bom - coisa que os homens já sabem há séculos."

E para apostar que aquele homem acredita que é o mais sortudo do planeta...

E lá vem outra... homem com muitas mulheres é bem-sucedido, mulher com muitos homens é puta. Isto já há muito tempo que se ouve, numa variação ou outra.

E mulher com muitas mulheres? É o quê?

Mau exemplo para dar aqui, mas o cantor Mika diz "I've never ever labeled myself. But having said that; I've never limited my life, I've never limited who I sleep with..."

E pergunto eu, dum ponto de vista completamente analítico, qual é o problema com esta mentalidade? Porque é que isto é considerado errado?

Mas é... se alguém diz uma coisa destas nós consideramos devasso, perverso... freak.

Não, nós não somos tolerantes, não somos aceitadores de diferença.

Para rematar deixo-vos com uma simples pergunta.
Só quando nós conseguir-mos ouvir perguntas destas sem ficarmos chocados e conseguirmos responder sinceramente sem medo de represálias, sem vergonha das nossas palavras, só aí seremos verdadeiramente tolerantes...

A tua primeira vez, foi com um homem ou uma mulher?

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Fisioterapia

O sí cariño!Aparentemente hoje é o dia nacional da fisioterapia.

Logo a seguir ao dia das parteiras em 4 de Maio, ao dia mundial das tartarugas a 23 de Maio, o dia de falar como piratas a 19 de Setembro e o importantíssimo dia internacional das sanitas a 19 de Novembro, este é o dia mais importante que existe...

Nunca nos podemos esquecer do importantíssimo papel da fisioterapia na recuperação de doenças, na reabilitação de internamentos e, não menos importante, na desculpa para encher as algibeiras de médicos e brasileiras.

Fisioterapia é daquelas coisas que toda a gente fala mas ninguém tem bem a certeza o que é.
Para a maioria das pessoas fisioterapia é chegar ao consultório e levar umas massagens na zona afectada e dá cá 50 euros e até prá semana.

Para outras é ir para o alto das covas fazer ginásio de máquinas e levantar pesos, o que não é muito diferente das outras coisas que se fazem no alto das covas.


No Brasil há a diferenciação entre fisioterapeutas e fisiotratas, sendo que uns são médicos especializados e os outros são como que comparar contínuos a professores só porque trabalham numa escola.

Aqui? Aqui é tudo a mesma merda e qualquer massagista é chamado de fisioterapeuta.

Está mal. Deprecia-se uma profissão e gera-se a enorme descrença no povo...

Fisioterapeutas? São todos uns mamões e não fazem a mínima ideia do que estão a fazer, só querem é dinheiro.

Querem uma boa coisa pra fazer neste dia? Toca de passar uma lei a obrigar fisioterapeutas a ter cursos e acabar com a mama dos que não percebem nada daquilo!

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Monanarkia

Isto cá pra mim não protege nadaContinuando a bater no ceguinho...

No fim do século na-sei-das-quantas tentou-se instaurar em Portugal uma monarquia constitucional, à semelhança da Inglaterra e outros que tais, aquando da subida de D. Manuel -parte dois- ao trono...

Para quem não conhece o estado político da altura, deixem-me dizer que já de raiz se via que não ia funcionar. Meses antes tinha-se levado meia família a tiro, e só não foi o Manel atrás porque Dona Amélia (a das queijadas) afastou os assassinos com um ramo de flores.

Estou mesmo a imaginar a mulherzinha de bouquet na mão à florada nos cornos de quem lhe passasse à frente!

Moral da história, qual constituição qual merda nenhuma, o Manel devia era ter visto que ninguém gostava dele e enfiado-se em casa.

Mas vejamos, nos quase dois anos que durou o reinado do puto...
O lema do Manel era "um rei reina mas não governa", que é a mesma posição adoptada por Juan Carlos, o tal de Espanha, 60 anos depois, e convenha-se que pela maioria está a dar resultado.
Fez cumprir (ou pelo menos tentou) a Carta Constitucional, que para quem vê televisão a mais é onde estão escritas as tais "Emendas" que toda a gente berra no tribunal.

Mais importante, julgo eu, é a "Questão Social"...
Vendo que a coisa não estava a correr bem para o povo tuga, o Manel fez os possíveis e os impossíveis para reorganizar por inteiro o governo e estrutura administrativa...

Em português directo? O Rei queria acabar com os tachos e pôr lá gente de jeito para o progresso do país!

E o que foi que o lixou?

Manuel II aliou-se ao Partido Socialista! Liderado na altura por um Azedo Gneco (que com um nome destes tava-se mesmo a ver que ia... azedar) e mais tarde por um tal Alfredo Aquiles (porque aparentemente "Azedo" era subtil de mais) a união monarcosocialista não conseguiu implementar porra nenhuma antes do golpe de 5 de Outubro.

Oras, se nem o rei todo-poderoso conseguiu acabar com os tachos em Portugal, como é que nós 100 anos depois havemos de ter esperança de o conseguir?

Pelo menos nasce daí um novo slogan!

Partido Socialista! A foder o país desde 1910!

Há 100 anos...

1830 mais caroço menos caroçoPor causa deste post lembrei-me da coluna da União...

Apercebi-me que, a não ser que instaurem um "Há 125 anos" nunca mais vamos ouvir falar da monarquia portuguesa. Já passou o centenário da morte do rei, já passou o centenário da instauração da república...

Acabou-se.

Olhando para Espanha, Inglaterra, Suécia, Bélgica, Dinamarca e (surpreendentemente) Holanda, não sei se não estávamos melhor antes...

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

O Porto é uma nação!

FêQuêPêSou só eu que acho que esta expressão é completamente absurda?

Mas isto é a ETA versão portuguesa? Querem a separação do Porto do resto do país?

O futebol faz com que as pessoas digam e façam coisas estúpidas, mas isto parece-me absurdo demais!

O que é que o porto tem pra ser uma nação? Tem governo autónomo? Hino próprio? Língua própria? Cultura em particular? Origens comuns entre o povo?

Quer dizer... até tem!

terça-feira, 5 de outubro de 2010

República

Não parece francês nem nadaFaz 100 anos hoje, a república.

Já traz a bandeira a arrastar, que a artrite não dá pra mais.
As grilhetas já voltaram ao pulso, que fica mais leve assim.
As mamas já tocam nos joelhos, que a falta de sutiã não perdoa.

O sonho que era a república portuguesa perde-se em corrupção, interesses privados, TGV's, aeroportos, submarinos e outros que tais.
Já apertámos tanta vez o cinto que ele já dá duas voltas e quando parece que não aperta mais, cortam-nos um bife de lombo, que é pra dar ainda mais um buraco na fivela.

Isto não é república nem merda nenhuma, isto é um feudalismo de roupa diferente, em que os nobres tiram cursos ao domingo, onde os pobres dão do seu próprio sangue para alimentar os ricos, onde os toucados foram substituídos por sacos azuis, onde se investe no Brasil e em Angola com gente no próprio país à fome...

Queria eu voltar ao tempo de Teófilo Braga, onde os governantes eram mortos a tiro se só fizessem asneira!

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Think of the children!

Também recentemente encontrei esta e esta deixa-me numa posição mais ambígua.

Já referi praqui algures quantos anos tinha quando foi a minha primeira vez, mas sem querer entrar em pormenores digamos que era um perfeito caso para uma destas acusações.

O que gera ambiguidade é que eu sabia perfeitamente o que é que eu estava a fazer...
E nem estava perto deste, que este tinha 17!

As fantasias mais comuns entre TODOS os rapazes adolescentes são a vizinha, a professora e a mãe do amigo... é assim tão estranho que dada a oportunidade eles a agarrem com unhas e pénis? Ou era unhas e dentes?

Se eu acho que ela fez mal, sim, acho que fez mal. Mas não é porque se enrolou com o rapaz, é porque quebrou a lei.

Diz-se que as crianças crescem depressa demais, que já querem ser adultos com tenra idade, mas na minha opinião é que só as consideram adultas tarde demais.

Em Portugal, a idade de consentimento para o sexo é 14. Da tropa 16. Da carta 18.
Antigamente, praí à 60 anos atrás, quando os dinossauros andavam na terra e não havia electricidade, não era raro um "rapaz" de 16 anos já ser pai de família. Um de 20 já era homem de palavra. Quem chegasse aos 40 já era velho e aos 50 já era um milagre.
Hoje? Hoje quem tem 20 é um puto, não percebe nada da vida e ainda tem muito que aprender... Quem tem 40 ainda nem tem filhos na escola e quem tem 50 ainda nem se pode reformar.

Antigamente ficava-se quatro anos na escola e já se sabia tudo o que era preciso para viver. Hoje? Hoje são 12 e bem mais de metade é palha.
Está provado que os primeiros anos são os anos mais úteis para aprendizagem... Porque é que não lhes estamos a enfiar tralha na cabeça mais cedo? Levar um dia inteiro para pintar um desenho? Mas isto o que é? E depois surpreendemo-nos quando eles são preguiçosos... Pois então! Nós levámos os primeiros anos da vida deles a dizer-lhes que há tempo pra tudo e é tudo nas calmas!

Acho mal. Só porque agora vivemos mais tempo significa que levamos mais tempo a crescer?

Na minha opinião é-se adulto quando se chega à puberdade... Se a natureza diz que estás pronto pra criar família, quem somos nós pra discordar?

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Toda a gente fode

Vestido feito de preservativosA compartimentação do sexo é, para mim, uma coisa difícil de compreender.
É bizarro e é um daqueles comportamentos inexplicáveis.

Não consigo perceber porque é que ninguém fala nisso.

Não digo gabarem-se, que é o que os homens fazem quando aparecem a dizer que comeram esta e comeram aquela e que rematam às três de cada vez se for preciso, 25 horas por dia e 9 dias por semana.
Nem digo aquelas parvoíces que se escrevem na Maria, que é do mais inventado que há, como o tal "tive relações sexuais com o meu cão, será que isto é normal?".

Conversas abertas sobre sexo, ninguém tem.

E ao mesmo tempo toda a gente fala... toda a gente fala mas ninguém conversa.

Outro dia apanhei um pisco de uma conversa entre duas tias em que uma dizia à outra "estava-mos a fazer aquilo"... Aquilo o quê? Tricô?

O português tem uma dificuldade inerente em falar em sexo... Ninguém chama as coisas pelos nomes.

A princípio pensava que era por ser íntimo, uma coisa a ser falada só entre dois... mas o que mais se vê praí é raparigas e rapazes a rodarem o mais possível e até escrevem blogs sobre isso e metem fotografias no hi5. Portanto não, se se faz tanta publicidade não pode ser íntimo.

Depois pensei que fosse por uma questão de nojo (hey, eu era puto), mas o que não falta nas touradas é homens a mijar contra a parede e por várias vezes ouvi um "hoje não posso ir trabalhar que estou com diarreia"... portanto não, se essas duas ninguém evita, então também não pode ser por nojo.

Acabei por decidir que é por falta de vocabulário.
Ou vamos pelo científico de "quando o falo está erecto e a cavidade vaginal está lubrificada estão atingidos os pré-requisitos para a penetração" ou se vai pelo popularucho de "aquilo e aquilo e aquilo".

Mas é que isto é grave! Chega até à conhecida lei das multas de "boca naquilo", "mão naquilo" e "aquilo naquilo"...

Está por todos os lados e nem as revistas pornográficas escapam (estou até hoje para perceber o que raio é um zizi), nem há substitutos aceitáveis para o descrever.

E depois fui apresentado ao mundo dos palavrões!
Digamos que no meio de piças, pachachas e canzanas a desculpa de ser por falta de vocabulário foi-se com os porcos.

E isto levanta um grave problema locucional.

Não se pode dizer sexo, que é íntimo, não se pode dizer foda que é malcriado e até "fazer amor" já dá uns torcimentos de nariz.

E então não se diz. As pessoas inquietam-se para se perceber e é um tal rodear e rodear e rodear e nunca mais estacionam.

Motivados pela vergonha perdem-se verdadeiros poços de sabedoria simplesmente porque as pessoas tem custo em falar.

E chega aos casais, ao meio onde isto não devia acontecer! O que as mulheres mais se queixam é que os homens não sabem o que ou quando fazer durante o sexo, mas se lhes perguntam acanham-se e não dizem nada e está tudo bem!

É que a mim, quando estava na minha fase formativa, tinha-me dado jeito alguém com quem falar seriamente sobre isto!

O que é que se faz? O que é que entra onde? Com que força é que se aperta aqui ou ali? Quanto tempo é que dura? Pode-se parar pra beber água?

Aquela coisa dos tamanhos não interessarem, é verdade?

E mamas? O que é que é preciso saber sobre mamas?

Querem um povo iluminado? Querem uma sociedade civilizada? Levantem os tabus do sexo que metade das parvoíces que se fazem é por ignorância!

Deixo-vos com um recorte da Maria... Digam-me lá com toda a seriedade que isto não é inventado.
Sim, e vais ter um cachorro!

sábado, 18 de setembro de 2010

Imposto Audiovisual

Há já alguns anos ajudei um amigo meu a esvaziar a casa antes da sua partida para os Continentes, uma das coisas que apareceu pro lá foram uns facturas muito giras com o logótipo da RTP, que supostamente seriam de uma taxa de televisão. Ao que parece, antigamente pagava-se para ter o luxo de televisão em casa...

Coisa que até certo ponto fazia sentido, considerando que antigamente não havia intervalos publicitários de 15 minutos e se é a televisão do povo pro povo convém que seja o povo a pagar por ela.

Oras, algo recentemente ouvi sobre a tal confusão da Contribuição Áudio-Visual.
E para quem não sabe como eu também não sabia, passo a explicar.
De acordo com o n.º 5 do artigo 5.º da Lei n.º 30/2003, de 22 de Agosto, na redacção que lhe foi dada pelo Decreto-Lei n.º 169-A/2005 e pelo Decreto-Lei n.º 230/2007, de 14 de Junho, as empresas fornecedora de electricidade são obrigadas pelo estado a cobrar aos clientes esta CAV que reverterá na íntegra para a Rádio Televisão de Portugal SGPS, SA, ou seja as nossas amadas RTP e RDP.

Sou só eu que acho estranho que se pague televisão por duas vias?
Quer dizer, já não basta pagar (no meu caso) 50 euros por mês à MEO, ainda tenho que pagar mais 4 à EDA?

E já não se pode dizer que faça sentido! Agora a RTP tem contratos publicitários aos montes, já não tem produções originais, a programação é uma porcaria, os concursos são horríveis não há absolutamente nada que se salve...

E se, com a MEO, eu tenho a opção de pagar por certos canais (telecines e isso) porque é que não me dão a opção de pagar ou não pela RTP?

Simples! Porque se me for dada a opção eu não quero RTP para nada!
Não quero financiar a RTP1, a RTP2, a RTP Memória, a RTP Internacional, a RTP Madeira, a RTP Açores e muito menos a RTP África!

Se algum exemplo ilustra bem o que é o estado português, é este.

Este hábito de mentir aos contribuintes, de dizer que não, a taxa de televisão acabou e depois pimba com a CAV, mostra sem discussão possível que o nosso país está efectivamente a cagar-se para nós.

E passe a boa regra portuguesa... As moscas mudam, mas a merda é a mesma.

terça-feira, 6 de abril de 2010

Tá todo no cú da querida!

Uma das manchetes que li recentemente falava do prémio Pritzker e, como eu tenho uma mente perversa, não consigo pensar em arquitectos sem pensar em Tomás Taveira.

O homem que desenhou as Torres das Amoreiras, a Zona J e três dos estádios do Euro 04 vai ficar para sempre conhecido como o arquitecto que vem ser por trás.

Ao que me vem outro assunto à cabeça... mas o que é que nós temos a ver com isso?

Então o homem não pode comer quem quiser e bem lhe apetecer nos buracos que quiser e à hora que lhe der mais jeito?

Eu percebo perfeitamente a existência de pornografia do foro amador.
Há pessoas que têm uma componente de exibicionismo ou voyeurismo que lhes dá para andarem a partilhar filmagens dos seus enrolanços, enquanto que outras pessoas precisam de aprovação alheia que os faz empastar fotografias por tudo o que é site, ou outras ainda querem-se vingar da namorada que lhes pregou os cornos e lá vai um powerpoint em massa com fotos da gaja da Spaghetti, mas pelo que percebi estas filmagens eram por assim dizer da sua colecção pessoal!

O facto de se terem espalhado pelas capas de revistas e mais recentemente pela internet parece-me mau... onde é que está o pressuposto de privacidade?
É verdade que o homem é famoso, mas em que ponto é que o privado se torna público?
Que nem se pode dizer que fosse um descuido, como a Britney a mostrar o pachachal a sair do carro, nem que fosse uma "conspiração", como o caso da filmagem da lua de mel da Pamela Anderson ser posta à venda pelo próprio marido, pelo que parece foi mesmo um "roubo" das cassetes e toca de distribuir!

E se isto me acontecer a mim? Se alguém espreitar pela minha janela e tirar fotografias minhas em posições comprometedoras, o que raio é que o nosso sistema legal vai fazer pra me proteger? Para mais, depois da casca estar partida, o ovo já não fica inteiro!

É que isto é tudo muito giro quando estamos do outro lado, a nos rirmos dos pobres coitados, mas como é que vai ser quando nos acontecer a nós?

Sempre ouvi dizer e já aqui o mencionei que o que não queremos que se ouça ou se veja deve ser mantido em privado... mas e quando vai alguém nos meter a mão no privado?

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Dias Santos

Sou só eu que acho que temos feriados a mais?

É verdade que sabe bem ficar um dia em casa, ou receber mais no caso dos que trabalham, mas parece-me que temos feriados para festejar coisas que não interessam a ninguém.

Há dias que fazem perfeito sentido, como o 25 de Abril que é dia feriado para comemorar a ocasião de se terem entupido espingardas com cravos, ou o 13 de Maio, que comemora o dia que três labregos decidiram enganar uma aldeia inteira e dizer que viram uma Maria qualquer, mas mesmo esse já nem são festejados como deviam...

O Natal, tudo bem, toda a gente festeja o Natal. O Fim-de-Ano a mesma coisa, acho que toda a gente festeja o fim-de-ano... menos os chineses, mas esses não interessam.

Mas é que até o Carnaval já começa a ser inútil... normalmente a terça feira gorda marcava o último dia de exagero antes da quaresma, os não sei quantos dias pra Páscoa em que era suposto fazer jejum e não sei mais o quê, mas nos dias que correm há danças e bailinhos na quarta e às vezes até na quinta, portanto já nem de "fim" serve.

E alguém me sabe explicar porque raio é que o 5 de Outubro é feriado?

Quer dizer, quando eu era puto lembro-me de haver festejos do 25 de Abril, dia da liberdade e etceteras, e fazia sentido que sendo um dia aplicado a uma ocasião em especial se façam festejos relacionados com essa ocasião.

Mas... o 5 de Outubro? Nunca vi festejar nada no 5 de Outubro.

Um gajo quando sai à rua a 25 de Dezembro e leva com a música nojenta, os pais natais, a iluminação fatela e os peditórios da cáritas pelo menos dá logo por isso que é Natal!

Agora, ter um feriado para festejar o dia que o Afonso Henriques deu umas chapadas na mãe quando a maioria dos portugueses nem sabe quem era a mãe dele, não me faz sentido nenhum...

Há os dias feriados e depois há os dias de coçar na micose e o efeito e a memória deste eventos perdem-se num mar de falta de interesse.

Deixamos de festejar marcos importantes na história portuguesa para festejar a preguiça e o ócio em geral.

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Patriotismo Infundado

Bandeira da Terra no ano 3000, de acordo com FuturamaNunca percebi esta tanga do nacionalismo.

Lembrei-me desta quando estava a falar com um cliente hoje, que disse que estava contente em voltar à Ilha de Jesus...

No tempo dos Descobrimentos a Ilha Terceira era tão mais importante que as outras que o Infante D. Henrique decidiu dar-lhe o nome de Ilha de Jesus Cristo, acima de todas as outras que tinham nomes de santos. Lembro-me que a Graciosa se chamava Santa Bárbara, só pela curiosidade.

No entretanto fomos perdendo cada vez mais importância, até que nos chamamos de Terceira... nem chega a vice-presidente, é logo vogal do ministério da Educação.

Mas há gente que se chateia com isto. Que os micaelenses são uns ladrões, que é tudo pra lá e nós a ver navios...

Da mesma maneira que se chateiam com os espanhóis. E com os americanos. E por aí em diante.

Não consigo perceber...

O que é que eu ser português tem de especial? Os tempos do quinto império já eram, ser português não tem nenhum estatuto de melhor.

Se houvesse guerra em Portugal, por exemplo se fossemos invadidos por espanhóis, eu acho que não levantava armas e tenho a certeza que não era o único...

Eles vão obrigar-me a pagar mais impostos? Vão proibir-me de comer carne, de ver televisão, de beber álcool ou fumar tabaco? Se sim, sou dos primeiros da linha da frente!
Ninguém me tira as minhas liberdades!

Mas e se eles dizem que a minha vida vai melhorar? Que os filhos da puta vão deixar o governo e voltar pra casa das mães? Que se vai ver melhorias na gestão do país?
Então eles que venham que nós os acolhemos de braços abertos!

Não somos todos humanos? Independentemente do grau de bronzeado, ou de para qual amigo imaginário é que nós rezamos? Independentemente do facto de comermos animais ou plantas?

Então porque é que havemos de brigar, porque é que eu hei-de dizer que o meu país é melhor que o teu, se o teu até tem um melhor sistema de saúde, melhor economia e mais cultura em geral?

Eu nem sequer escolhi nascer aqui!

Porque raio é que me hei de agarrar a um bocado de chão e falar de esoterismos como "pátria" e "nação" e "terra-mãe" e essas merdas todas?

Quer dizer, nós já nem somos homogeneizados!

Antes olhavas para alguém de olhos em bico e pele amarela e sabias logo que ele era chinês, vias alguém a comer alcatra e de certeza que era terceirense, alguém com dois metros de altura, loiro de olhos azuis só podia ser norueguês, um homem de saias às riscas era sem dúvida escocês...

Hoje em dia não, estamos todos misturados!

Há uma família de chineses, os tais donos da loja, que os filhos já nasceram cá! Não são menos terceirenses nem menos portugueses que eu...

Que direito tenho eu de os demonizar? Dizer que são menos ou piores que eu? É que muito provavelmente nem são!

Mas no entanto há porrada nas ruas contra os ucranianos, há campanhas contra os pretos, reportagens de jornal contra os chineses...

Como se nós, terceirenses vaqueiros, sujos de merda e gordos do subsídio, fossemos de alguma forma melhores!