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Divagações, Diatribes e outros Semelhantes
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terça-feira, 31 de dezembro de 2019

Séries de Segunda: The Witcher

Quando comecei a ver a série não tinha lido os livros nem tinha jogado os jogos.

No entretanto, já comecei a ler os livros (não na língua original, que eu não falo polaco, mas mesmo assim em inglês), e nota-se algumas diferenças marcadas mas não necessariamente para pior.

Mesmo assim, para quem não leu, há coisas que passam ao lado, por exemplo, que os olhos pretos são sintoma das poções que ele toma e não só do facto de ser witcher.

Os conhecidos prévios alteraram-se, o Geralt e o Stregebor ou o pai da Marilka, por exemplo, e alguns plot hooks são introduzidos onde antes não havia mas não está mal feito e aumenta a tensão sem ser demasiado.

O único ponto que achei mesmo mal foi que, fora uma ou outra micro-pista, custa a perceber que as três histórias passam-se em tempos diferentes.

De resto, recomenda-se. A série ainda não aprofundou a mística da magia mas pelos livros já vi que é uma visão interessante e um bocadinho inovadora, promete boas coisas.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Séries de Segunda - Chuck

®NBCAqui está um perfeito exemplo de como uma série deve acabar.
Chuck tem sido desde o princípio uma série vencedora, por assim dizer, com actores bem escolhidos, diálogos bem escritos, um pouco de acção, um pouco de romance, muita parvoíce e sempre bem humorada.

O canal chegou à conclusão que o programa já não rende o suficiente para cobrir o esforço e tomou a acertada decisão de acabar em grande, em vez de apertar a mama até ao fim pra ver o que é que sai.

Ainda não acabou, portanto ainda há hipótese de estragar, mas pelo menos até agora os episódios têm sido todos bons.

As pontas soltas estão-se a amarrar, os problemas estão-se a descomplicar e não há aquela corrida para enfiar mais história só na esperança de haver mais qualquer coisa no futuro (ao contrário, por exemplo, de Reaper, Andromeda e Caprica).

Acho piada que todos os episódios tenham um cameo famoso, desde Luke Skywalker do Star Wars a Trinitys do Matrix, passando pela Mystique dos X-Men e pelo agente Peter Burke do White Collar, o que não faltam são caras conhecidas.

Acho que é uma boa despedida, um fim digno de uma série merecedora.

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Séries de Segunda - Terra Nova

®FoxVi esta outro dia por acidente, daqueles coisas que aparecem à frente sem estar a contar muito com isso.
Foi mesmo só por parvoíce, apareceu-me o Title Card e não sei se foi os pássaros esquisitos ou a paisagem idílica, mas apeteceu ver.

Foi, no mínimo, uma alegre surpresa.

Liderada por Steven Spielberg e pelo "Star Trekiano" Brannon Braga, esta série é um Jurassic Park do futuro, com um toque de Lost in Space misturado com a família Robinson, a trama de Lost e até um toquezinho de Avatar e se for bem explorada promete ser a próxima grande saga de ficção científica, ao lado de Star Streks, Stargates e outros stars que andam por aí.

A história começa 150 anos no futuro e passa-se 85 milhões de anos no passado. Os humanos tentam estabelecer uma colónia numa paisagem crivada com dinossauros e mais um sem-fim de incontáveis perigos, desde doenças bizarras até uma facção traidora que prometer ter enredo para quantos episódios lhes apetecer fazer.

O orçamento de efeitos especiais aparentemente é bem grande, o que felizmente se traduz em criaturas e ambientes realistas em vez de explosões e bicharada artificial.

Os actores são na sua maioria caras de televisão, uma mistura entre britânicos e americanos, do tipo que nos fazem andar de cinco em cinco minutos a dizer "olha aquele que apareceu no tal episódio daquela série!" mas deve-se destacar o excelente Stephen Lang, que passou de um líder militar no Avatar, para... um líder militar no Terra Nova.

Ainda é muito cedo para dizer se é ou não uma série vencedora mas, se os criadores não fizerem muita asneira, parece ter pernas para andar.

sábado, 1 de outubro de 2011

A televisão que se afunda

RêTêPê A Cores
E voltamos à vaca morna.

Como já tinha dito vai pra mais de dois anos, esta história da RTP Açores é uma ilusão.

Volta à boca do povo "a televisão que nos une"... e parece que o dito excesso de confiança está mesmo a levar a RêTêPê Acores ao declínio.
É um bocado como o Lusitânia, no ponto que está a morrer mas meia dúzia de macacos continuam a fazer tudo por tudo para não os deixar afundar no abismo. Ou pelo menos a fazer barulho suficiente para não cair no esquecimento.

Este canal é conhecido por todos os lados como "o canal que ninguém vê" e não parece ter aspirações a mais que isso.

Eu quando vejo RTP África, sabe-me a áfrica. Nunca lá estive nem faço intenções disso, não conheço mais que o comum português, mas é um canal que me dá um cheiro africano. O mesmo com a RTP Madeira.
Até a RTP Internacional tem um ar de "emigrantes, vejam como vai o vosso país".

A RTP Açores? Cheira-me a RTP Continente. Sabe-me a enviados especiais, tipo Carlos Fino no Kosovo ou em Bagdad, ou seja lá por onde o homem já andou. Não me sabe a uma televisão verdadeiramente açoriana, mas sim a um continentalismo qualquer, com uns remates micaelenses pelo meio.

Querem transformá-la numa TV puramente arquipélaga? Acabem com a competição, tanto a interilhas, como a com o continente, como a com outros canais.

Estou praqui a olhar para a programação de Domingo, puramente a título de exemplo.
Abrimos com desenhos animados e começa logo mal. Numa programação que tem Sic K, canal Panda, Disney Channel, Jim Jam e Cartoon Network, os putos vêem a macacada que quiserem sem precisarem da RTP-A pra nada.
às 11:30 temos 70x7... quando tivemos o mesmo programa no mesmo dia 3 horas antes na RTP-2.
Ao meio dia, jornal da tarde... em directo da RTP-1.
Às 13:15, Nós... repetição do que deu às 9 na 2.
às 14:50 músicas de áfrica... e nem é preciso dizer de que canal é que isto vem.
Asseguir um filme, que acompanhando o exemplo dos desenhos, temos Hollywood, Fox Movies, MGM, Tele-cines e sei lá mais o quê. E porra... Charlie e a Fábrica de Chocolate? Um filme de Tim Burton com um Johnny Depp pseudo-pedófilo que anda a torturar psicologicamente criancinhas na sua fábrica com trabalho-escravo de um monte de clones cor de laranja de um metro de altura? Isto é que é um filme para uma tarde de Domingo?
Às 16:35 Top+... repetição do que deu sábado na 2.
E por aí a fora...

Num dia com 14 horas de programação só 3 horas é que são programação açoriana e uma delas é repetição (como o festival dos moinhos do corvo).
O Telejornal - Açores, o Açores Vip , o Máquinas e o Nóticias - Açores... Só isto é que é diário açoriano neste magnífico e completamente indispensável canal.

Convençam-me que o canal não deveria mudar o nome para RTP-Repetições.

Dêem-me missa de uma igreja açoriana! Rodem a igreja semana a semana e antes da missa uns cinco ou dez minutinhos de exposição turística à igreja corrente, transformem isto numa coisa apelativa, que venda!
Dêem-me Fala quem sabe, Maria do Nordeste, Jerónima de Jesus, seja o que for, em vez de repetições dos Gato Fedorento.
Que volte o Mau tempo no canal, em vez das novelas brasileiras!
Dêem-me 20 ou 30 minutos de notícias para cada ilha todos os dias! O que é que se passa no Corvo? Como é que estão as coisas na Graciosa? Se eu quiser saber notícias internacionais vou ver a BBC, o Sky News ou até a Fox!

Acabem com a reciclagem, acabem com a competição de horários e dêem-me uma televisão não só açoriana, mas que também mostre os Açores ao mundo!

sábado, 16 de julho de 2011

Séries de Segunda - Game of Thrones

®HBOEu sei que hoje não é segunda... mas foi o que calhou.

Se não apetece ler por ser muita palha, fica a ideia geral: vejam.

Para quem não conhece, Game of Thrones é o primeiro livro de "A Song of Ice and Fire", uma excelente saga pelo americano George RR Martin. Leiam, vale mesmo a pena.

É um mundo onde a própria fantasia se esqueceu que existe, onde os bons da fita não são assim tão bons, onde as piores atrocidades se cometem pelas melhores razões possíveis, onde ninguém está seguro, ninguém é feliz embora todos tentem, e só uma coisa é certa... o Inverno está a chegar.

A adaptação ao ecrã é das melhores que já vi e é muito fiel ao livro, ao contrário do que se costuma ver nestas coisas.

Todas as alterações que notei até agora são perfeitamente compreensíveis, excepto dois pontos, que no geral são insignificantes.
Achei curioso o facto de terem envelhecido toda a gente cerca de 2-3 anos embora causa algumas confusões, particularmente na credibilidade do Robb Stark que é muito mais novo no livro e torna a incredulidade mais compreensível e no caso de Robert Arryn, que aos seis anos ainda anda agarrado à mama da mãe... e que na série parece ter nove. Muito mais sinistro.

O elenco é extraordinário.
Desde desconhecidos a mega-estrelas, há de tudo um pouco e várias caras deixam aquela ideia de "onde é que eu já vi este".
Não sei, e isto é meramente opinião pessoal, se Sean Bean foi a melhor escolha possível para Eddard Stark.
Muita gente tem bem presente o papel de Boromir, a personagem que começa com as melhores intenções, faz asneira meio por acidente e morre no fim. E eis que chega Ned Stark, começando com as melhores intenções, faz asneira meio por acidente e morre no fim.
Sabe um bocadinho a Boromir 2.0

Mas sem sombra de dúvida, quem mais brilha é Peter Dinklage. De todos os intervenientes na confusão do trono, esta é a única personagem que era indispensável ser igual ao livro. Dinklage consegue capturar a essência do anão, do filho indesejado, duma maneira que faz parecer que é ele o verdadeiro centro de toda a história, sem activamente roubar a cena.
Não sou só eu que penso, aparentemente já foi nomeado para um Emmy e, ou muito me engano, ou vai ganhar.

Há muito mais para dizer, mas deixo a mensagem que tal como o livro merece ser lido, a série merece ser vista.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Séries de Segunda - Modern Family

®ABCEsta série é um mimo.
Nos anos 50 tínhamos I Love Lucy, a história de uma mulher que sonhava ser estrela ao lado do marido, que tocava numa banda cubana, e a sua vida do dia com muita comédia estúpida pelo meio.
Nos anos 60 a série era Brady Bunch, mas acho que essa não passou na televisão portuguesa.
Nos anos 70 aparece All in the Family, com o seu icónico Archie Bunker e a já conhecida estrutura familiar de pais conservadores e filhos liberais, centrando-se entre outras coisas no choque de culturas.

Nos 80 a coisa já começava a descair e a solução que eles (Hollywood) acharam foi a de inverter os papéis.
E eis que aparece Family Ties, a série que estreava um semi-desconhecido Michael J Fox, no papel de filho conservador de um casal liberal.
Na minha humilde opinião, se não fosse a química entre os actores a série tinha falhado redondamente, porque a ideia é absurda. Mas os papéis foram muito bem representados e a série lá se safou.

Houve outros pelo meio também de grande fama, desde Dear John, a Taxi, Alf e até Who's the Boss?, mas estes são exemplos de famílias nucleares no centro da série.

Depois chegamos aos anos 90 e... nada.

Percebe-se o problema, já não há famílias nucleares.

E eis que aparece a solução.

Modern Family segue, como o nome indica, uma família moderna.

O pai casou com uma mulher muito mais nova, o filho é gay com respectivo parceiro e criança adoptiva e a filha, que era uma desnaturada, agora é mãe de três.

Nada disto é normal e ao mesmo tempo tudo é familiar.

Todos nós conhecemos uma família assim, todos temos um primo, um tio, um vizinho que encaixa num destes padrões.

É, como o próprio nome indica, uma família moderna.

Nas palavras de uma das personagens, "It makes you laugh but it also makes you think."

Merece ser visto.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Séries de Segunda - Pilotos

RogerPara quem não sabe, um piloto é o primeiro episódio das séries, uma espécie de teste para ver se a série vai pegar com o público, antes de enterrarem dinheiro nisso.

No geral há dois tipos de piloto, os propostos pelos autores e os encomendados pelos canais.

Para muitas ocasiões, este primeiro episódio é suficiente para ver se vai funcionar, se vale a pena o investimento, se as personagens são carismáticas e afins. É uma boa oportunidade para limar as arestas e não é incomum ver mudanças drásticas do primeiro pro segundo.

Tome-se como exemplo NCIS: Los Angeles. O piloto foi encaixado na série NCIS original, no fim da sexta temporada.

Desde aí até à série em si perdeu-se a personagem principal, mudou-se o local, o foco da série alterou-se ligeiramente da investigação criminal para a vida pessoal da (nova) personagem principal e apareceu uma nova directora, representada pela versatilíssima Linda Hunt.

Neste caso as mudanças foram praticamente todas para melhor, o que mostra uma boa avaliação da opinião pública.

Depois temos casos como Stargate Universe...
Este piloto encomendado pelo canal é uma tentativa de criar uma Voyager no mundo Stargate, uma localização longe do universo "controlável" principal em que as personagens não tem outro remédio senão desenrascar-se da melhor maneira possível com tecnologia que não conhecem em situações que não estão preparados, sem sequer se conhecerem bem uns aos outros e sem um inimigo principal fixo.
Este inimigo principal é que matou o SG1, porque depois de derrotar os Goa'Ulds tem que se inventar um maior e melhor e isso cria um sem-fim de perguntas estilo "se eles são mais fortes porque é que não apareceram antes?"

O piloto, nada mau. Dá uma ideia de Lost inicial, aquela onda de "o que raio é que se passa aqui" que se for bem explorada agarra as audiências. As personagens são todas complicadas, não há muitos estereótipos, ficamos sempre de pé atrás se vale a pena confiar neste ou naquele, o que (novamente) se for bem explorado é uma grande mais-valia.

Mas depois estragam completamente. A série afasta-se cada vez mais do piloto, embrulha-se cada vez mais em pormenores sem interesse nenhum e faz-nos odiar as personagens todas por igual ao ponto de que o canal mandou cancelar ao fim da segunda temporada.

Este é o perfeito exemplo de péssimo aproveitamento da opinião pública, centraram-se mais no que é que as pessoas gostam da concorrência do que o que é que gostavam nos antecessores. Na minha humilde opinião arruinaram quaisquer hipóteses de seguir com o franchise Stargate, o que é sinal de que é mesmo mesmo mau.

Para resumo deixo-vos uma frase de uma entrevista com um dos actores principais, Robert Carlyle. Para quem não se lembra Carlyle era o Begbie do Trainspotting e o Durza do Eragon.
"suddenly a drama [was] opening up in space, [and] in the past that was something that was slightly missing from the genre"

Com uma saída destas a única coisa que eu vejo é "esta série não vai ter nada a ver com as outras" o que pra mim estraga completamente porque eu até gostava das outras.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Séries de Segunda - Bones

®FoxBones já vai no seu sexto ano... É bones a mais.

Esta série sofre do mesmo problema de muitas que se esticam por mais tempo do que deviam, como é o caso dos correntes Supernatural e Weeds ou dos já terminados X-Files e Highlander...

O complicar só para ter mais episódios para encher chouriços.

Tinha uma boa premissa, uma especialista forense intelectual mas socialmente inepta, um agente do FBI com bom instinto mas que não é particularmente genial.
É o clássico "book smarts" vs. "street smarts" e se for bem explorado tem pernas para andar.

Junta-se a isto o facto de que é um casal e está-se mesmo a ver que eles vão acabar juntos.
Mais uns pormenores para misturar, vai-se mudando de chefes, vai-se explorando o passado das variadas personagens, arranja-se uns crimes manhosos pra resolver e a coisa até resulta... durante algum tempo.

Para quem não segue, cá vai um recap da temporada que está a estrear este ano.

O gajo arranjou uma namorada, a gaja continua enfiada no trabalho.

E levou-se 5 anos inteiros pra isto.

Já não há evolução, já não há inovação... Há uns episódios atrás, no fim da quarta temporada, houve uma doença, uma hospitalização e uma ideia de que se calhar era desta que eles iam acabar juntos... Ele acordava, ela estava à espera dele, eles juntam-se ou casam-se ou seja o que for, dá mais dois ou três episódios e pronto. Final feliz, casalinho perfeito e siga pa bingo.

Mas não. Enrola-se e enrola-se e embrulha-se e embrulha-se e já não há mais nada a dizer.

A teta já secou mas eles continuam a chupar pra ver se sai.

Acabem com essa porcaria e acabem em grande enquanto ainda há fãs suficientes... senão vai dar em cancelamento sem fim de jeito que é o infeliz destino de praticamente todas as séries dos últimos tempos.

domingo, 14 de novembro de 2010

Não percebo de cinema

Eu não percebo de cinema.
Não posso dizer que sou um Roger Ebert, não sei reconhecer um realizador sem ir ao IMDB, não consigo ver que tipo de lente é que o cameraman está a usar.

Mas, roubando uma frase de Mr. Burns, posso não saber muito de arte mas sei o que detesto.

E como toda a gente com língua, tenho uma opinião.

Considerando que a coisa que me tira mais tempo perto de vocês meu público é o grande ecrã, pensei em juntar o útil ao agradável, ou neste caso o escrevível ao visível, e falar bem ou na maioria das vezes mal, do que vê por aí nos ecrãs deste mundo moderno.

Aqui ficam duas novas rubricas dedicadas ao cinema e televisão e aos seus muitos, muitos defeitos.