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Divagações, Diatribes e outros Semelhantes
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segunda-feira, 23 de dezembro de 2019

Merry Natal

A SATA está de greve outra vez.
Não sei se é de mecânicos ou de porteiros ou lá o que é, mas estamos outra vez de vôos cancelados.

Eu percebo a necessidade de lutar pelos direitos, compreendo que é preciso combater a disparidade salarial e essas lérias todas que eles apresentam, mas... no natal?

Cheira-me demasiado a "hostage situation", demasiado a chantagem para me parecer bem.

Ficam as pessoas quase uma semana em terras alheias, a gastar do seu dinheiro para poder comer, sem amparo e sem fim à vista, numa das alturas mais lembradas do ano.

É assim meio coiso e tal, quer-se dizer...

Percebe-se que a tripulação boicote os vôos, para mostrar à administração que "ou melhoras ou ficas a perder dinheiro", mas isso soa muito menos mal quando é numa situação que há concorrência e há alternativa.

Nós aqui presos nestas ilhas só temos a SATA pra nos valer, de modo que este boicote fere muito mais os utilizadores que os administradores.
Não há aquele aspeto de perda de negócio que justifica o transtorno perante as pessoas, nem há alternativa para os passageiros, pelo que estes engolem e só se calam.

Parece-me desnecessariamente cruel perante pessoas que já estão fartas de levar porrada.

sábado, 12 de janeiro de 2013

Carnaval


Já muito se fala de carnaval... Tiradas do di de hoje:

"Se calhar, já não se pode é gastar 400 euros para vestir um dançarino" 
400 euros?!? Porra! Mas essa roupa é feita de quê? Pérolas?
Não se pode e ainda bem! Quando o bailinho deixa de ser sobre a crítica social e passa a ser sobre a "boniteza" da roupa, está aí o primeiro sinal de que a coisa não está a correr bem.

"Entre 10 a 12 bailinhos devem recusar ser filmados para transmissões em direto pela Internet"
Este é um daqueles casos bicudos e ao mesmo tempo absurdos que bastava pensar um bocadinho pra terem ficado calados... é que em vez de mostrarem que têm razão, mostram é dor de cotovelo.
Aparentemente a principal queixa é de que "as empresas que realizam as filmagens e as sociedades lucram financeiramente (...) e persiste a injustiça dos artistas não retirarem quaisquer mais valias."
A sério? E também se vão queixar dos cafés das sociedades venderem bifanas e pipocas? É que desses lucros eles também não veem nada... E as mesas montadas pros bailinhos, com comida e bebida à farta? São financiados por quem? 
Outra das queixas é que "As pessoas ficam em casa, a assistir aos bailinhos pela Internet e as salas (...) cada vez mais vazias"... 
Será que já pensaram em reduzir a quantidade e aumentar a qualidade?
Talvez se eu soubesse que ia ver só 20 ou 30, mas bons, valia a pena sair de casa e ir secar pro salão a noite inteira. Da última vez que fui, fiquei duas horas à espera de um bailinho que demorava a chegar, e quando chegou não valia um peido... mas não, as transmissões pla internet é que roubam o público.
Quando o bailinho deixa de ser sobre a crítica social e passa a ser sobre quem é que lucra, está aí o segundo sinal de que a coisa não está a correr bem.

E pra mais "Se um político quiser ter noção com clareza do que o povo pensa (...) deve assistir ao nosso Carnaval"
Títulos de bailinhos em 2009, que acho que foi dos últimos anos que me dei ao trabalho de sair de casa, "“Morreu o Toiro das Mulheres”, “Quando Elas Vestem Calças”, “O Comando é Meo” e “Uma Visita Papal”... Pode-se dizer que fiquei completamente esclarecido sobre o estado da governação do país.
Quando o bailinho deixa de ser sobre a crítica social e passa a ser sobre a primeira merda que vem à cabeça, tenha qualidade ou não, está aí o terceiro sinal de que a coisa não está a correr bem.

Acho que a única coisa que se diz acertada é mesmo o remate final... "Será um Carnaval sem luxos, mas fiel à tradição da crítica social. Genuíno."

Quem diria que é preciso viver em instabilidade social para poder fazer boa crítica social...
Talvez seja o primeiro sinal que a coisa vai começar a correr bem.

sábado, 5 de janeiro de 2013

Hipocrisia

Há relativamente pouco tempo soube-se que a Anne Hathaway foi apanhada de pachacha ao léu num dos já típicos casos de paparazzi atrás das estrelas.

Achei piada às reações dela, por um lado numa de "shit happens" e por outro numa de "é triste viver num mundo onde as pessoas se aproveitam" e coisa e tal.

Concordo que as estrelas tenham o seu direito à privacidade, viver na ribalta é complicado, usar "máscara" todos os dias, todo o dia deve pesar ao fim de um tempo, mas...

A estreia do seu último filme não pode ser considerada uma situação privada, muito pelo contrário, é um evento pra dar nas vistas. Se a miúda sai de casa sem cuecas e com um vestido de racha até à cintura... não parece demasiada coincidência?

Mais recentemente ela deu uma entrevista em que queixa-se que não é vista como sexy pelo público, que está farta da sua imagem de "boazinha".

Sou só eu que vejo uma ligação aqui?

Quer dizer, eu vi o Brokeback Mountain... mesmo de mamas de fora, ela não parece lá muito... pecaminosa.

Pondo a coisa desta maneira, eu vi o Princess Diaries, vi o Ella Enchanted, e raios partam que até vi o Bride Wars. Nenhum desses berra "gaja boa". Nem o Devil wears Prada. E até certo ponto nem o Get Smart. Todos eles tem uma inocência (à falta de palavra melhor) que capitalizam na imagem de boazinha, perfeitinha, novinha e engraçadinha.

Em grande parte por causa disso e porque não estávamos habituados a vê-la em papéis diferentes, a cena do Brokeback Mountain não caiu bem, parece demasiado forçada, quase como "tem que haver mamas".

E eis que chega Christopher Nolan...
O novo Batman, embora seja um papel a meu ver espetacular, a Catwoman como sex symbol está horrível, comparada à Michelle Pfeiffer. Enquanto que a outra fazia um papel em que, roubando uma expressão americana, "pingava sexo" duma maneira completamente psicótica, esta é primeiro que tudo ladra e só depois "love interest". Encaixa perfeitamente com a visão mais dark and gritty de Nolan, num aspeto mais realista do mundo de Gotham, mas não faz favores nenhuns à rapariga.

Ainda não vi o Love and other Drugs, mas também não tenho muita esperança.

Resumindo, acho que a menina que fica famosa por ser princesinha e inocente não se pode queixar de ser vista como tal.

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Coisas escritas em jornal

Duas merdas que me enervam, que não consigo evitar salientar no DI de hoje.

Quanto será que custa uma assembleia?
Mais propriamente, um voto de protesto na Assembleia Legislativa dos Açores, quanto custa?

Não estou a falar de subornos, nada disso.
Pergunto-me, em ordenados, eletricidade do espaço em si, manutenção da dita sala, cobertura televisiva/noticiosa, quanto será que custa?

Mais diretamente, quanto é que custou ao povo açoriano as horas gastas pelo CDS/PP só pra dizer em praça pública que achou ofensivo o facto de que a RTP o achou ofensivo?

Então os senhores deputados agora estão a ser pagos para irem para a assembleia choramingar que "quem diz é que é"?

E segundo, o que caralho é que um emigrante nos EUA tem que vir mandar postas de pescada sobre o nome do aeroporto das Lajes?
Então este gajo não escolheu abandonar a sua terra? Não escolheu virar costas ao seu país pra ir fazer fortuna nas américas?
Se quer ter poder de decisão sobre a terra então não tivesse saído dela!

Acha que só porque mandou erguer uma estátua do Eusébio sabe-se lá onde (manobra que deu de comer a muito pobrezinho, sem sombra de dúvida) e mais uma igual lá na terra dele, que lhe dá azo a arrotar opiniões dessa maneira?

Quer ter opinião de como se governa a ilha? Trabalhe para o melhoramento da mesma! Invista cá o seu dinheiro! Abra postos de trabalho, fundos de caridade, nem que seja!
Derreta as duas estátuas de um trolha qualquer que deu uns pontapés numa bola, se quer ver quanta comida põe à mesa dos açorianos desfavorecidos!

E lá vem os jornais, relatar esta merda como se fosse édito real, ou a última teoria de Einstein, ou as declarações de Ghandi ou o caralho! Porra, que esta gente tira-me do sério!

sábado, 7 de janeiro de 2012

Água Contaminada

Só em pequeno aparte, estou curioso em ver o que é que sai desta história das águas contaminadas pelo aterro.

Aparentemente os aquíferos a sul do aterro intermunicipal vão estar contaminados durante, no mínimo dos mínimos, 50 anos.

Vão ser 50 anos a olhar para a torneira e a pensar se isto é mesmo seguro pra beber ou se vou virar mutante ou super-herói ou o caraças.

Mas não, a final da casa dos segredos é que é mesmo importante.

domingo, 16 de outubro de 2011

O Acordo Tortográfico

Não sei se a citação está correcta ou não, mas foi assim que chegou a mim:

Como os filólogos da República da Guiné-Bissau não puderam estar presentes na recente reunião para o Novo Acordo Ortográfico, estamos todos à espera da sua ratificação para saber como é que nós, os Portugueses, vamos escrever a nossa própria língua. E esta? De qualquer modo, os grandes peritos de São Tomé e Princípe, de Angola, do Brasil, e dos outros países de «expressão oficial portuguesa» já se pronuciaram. A República da Guiné-Bissau, porém, também terá a sua palavra a dizer. Muito provavelmente, uma palavra escrita à maneira deles; mas não faz mal. Nas palavras de Fernando Cristovão, 1986 é o ano que marca a nascença da lusofonia. A grandiosa lusofonia está, obviamente, acima da mera língua portuguesa.

A lusofonia é uma espécie de estereofonia, só que é melhor. A estereofonia funciona com dois altifalantes, enquanto a a lusofonia funciona com mais de 100 milhões.” Para mais, os falantes da lusofonia têm a vantagem de ser feitos em África e na América do Sul, o que lhes confere uma sonoridade nova e exótica. Para instalar uma aparelhagem lusofónica devidamente apetrechada, são necessários complicados componentes tupis, quimhmoguenses, umbandinos e macuas, Enfim, coisas que não se fabricam na nossa terra. A partir de 1986, todos os povos a quem uma vez chegou a língua portuguesa podem contar com um lusofone em casa. Um lusofone é um aparelho que permite a qualquer indígena falar e escrever perfeitamente esta nova e
excitante língua, que passará a chamar-se o brutoguês.

Para haver lusofonia, nada pode ser como dantes. Os Lusíadas passarão a conhecer-se por Os Lusofoníadas. Se dantes havia língua portuguesa e a sua particular ortográfica, agora passa a haver a língua brotuguesa e a sua ainda mais particular tortografia. A tortografia, conforme se estabeleceu no Acordo Lusofónico de 1986, consiste em escrever tudo torto.

As bases da tortografia assentam numa visão bruta da fonética. Por outras palavras, se a lusofonia é uma cacofonia de expressão oficial brutoguesa, a tortografia consiste fundamentalmente no conceito de cacografia”. Dantes cada país exercia o direito inalienável de escrever a língua portuguesa como queria. As variações ortográficas tinham graça e ajudavam a estabelecer a identidade cultural de cada país. Agora, com o Acordo Tortográfico, a diferença está em serem os Portugueses a escreverem como todos os outros países querem. Como todos os países passam a escrever como todos querem, nenhum país pode escrever como ele, sozinho, quer.

As ortografias tupis e crioulas, macumbenses e fanchôlas passarão a escrever-se direito por linhas tortas. O Prontuário passa a escrever-se «Prontuario», rimando com «desvario» e «Cuf-Rio». O Abecedário passa a escrever-se «Abecedario», em homenagem a dario, grande Imperador da Pérsia, que, por sua vez, se vai escrever «Persia» para rimar com «aprecia», já que qualquer persa aprecia uma homenagem, mesmo que seja só uma simples omenagem. Já dizia acentuadamente Fernando Pessoa que «a minha pátria é a língua portuguesa». Agora passa a dizer «a minha patria é a lingua portuguesa», em que «patria» deixa de ser anomalia e «lingua» assim, nua e crua.

Será possível imaginar os ilustres filólogos de Cabo Verde a discutir minúcias de etimologia grega com os seus congéneres de Moçambique? Imagine-se o seguinte texto, em que as palavras sublinhadas serão obrigatoriamente (para não falar nas grafias facultativas) escritas pelos portugueses, caso o acordo seja aprovado:”A adoção exata deste acordo agora batizado é um ato otimo de coonestação afrolusobrasileira, com a ajuda entristorica dos diretores linguisticos sãotomenses e espiritossantenses. Alguns atores e contraalmirantes malumorados, que não sabem distinguir uma reta de uma semirrecta, dizem que as bases adotadas são antiistoricas, contraarmonicas e ultraumanas, ou, pelo menos, extraumanas. No entanto, qualquer superomem aceita sem magoa que o nosso espirito hiperumano, parelenico e interelenico é de grande retidão e traduz uma arquiirmandade antiimperialista. Se a eliminação dos acentos parece arquiiperbolica e ultraoceanica, ameaçando a prosodia da poesia portuguesa e dificultando a aprendizagem da lingua, valha-nos santo Antonio, mas sem mais maiúscula. A escrever »O mano, que é contraalmirante, não se sabe mais nada, mas não é sobreumano«? O que é que deu nos gramáticos de além-mar (ou escrever-se-á alemar)? A tortografia será uma doença tropical assim tão contagiosa?”

Os portugueses no fundo assinaram um Pacto ortográfico que sabe a pato. Ninguém imagina os espanhóis, os Franceses, ou os Ingleses a lançarem-se em acordos tortográficos, a torto e a direito, como os Portugueses. Cada país – Seja Timor, seja o Brasil, seja Portugal – tem o direito e o dever de deixar desenvolver um idioma próprio, Portugal já tem uma língua e uma ortografia próprias. Há já bastante tempo. O Brasil, por sua vez, tem conseguido criar um idioma de base portuguesa que é riquíssimo e que se acrescenta ao nosso. Os países africanos que foram colónias nossas avançam pelo mesmo caminho. Tentar «uniformizar» a ortografia, em culturas tão diversas, por decretos aleatórios que ousam passar por cima de misteriosos mecanismos da língua, traduz um insuportável colonialismo às avessas, um imperialismo envergonhado e bajulador que não dignifica nenhuma das várias pátrias envolvidas. É uma subtracção totalitária.

A ortografia brasileira tem a sua razão de ser, e a sua identidade. Quando lemos um livro brasileiro, desde um «Pato Donald» ao Guimarães Rosa, essas variações são perfeitamente compreensíveis. Até achamos graça. Como os Brasileiros acham graça à nossa. Tentar «uniformizar» artificialmente a ortografia, para além das bases mínimas da Convenção de 1945, é da mesma ordem da estupidez que pretender que todos os que falam português falem com a pronúncia de Celorico ou de Salvador da Bahia. é ridículo, é anticultural, é humilhante para todos nós. Se não tivessem já gozado, era caso para mandá-los gozar com o Camões.

>Imaginem-se os biliões de cruzeiros, escudos, meticais, patacas e outras moedas que vai custar a revisão ortográfica de todos os livros já existentes. Imagine-se o distanciamento escusado que se vai causar junto das gerações futuras, quando tentarem ler escorreitamente os livros do nosso tempo. Sobretudo, imagine-se a desautorização e a relativização que o acordo implica. Amanhã, uma criança há-de escrever esperanssa e quando for chamada a atenção, dirá «tanto faz, que estão sempre a mudar, e qualquer dia desaparecem as cês cedilhados». Ou responderá, muito simplesmente: «Pai, mas é assim que se escreve em Cabo Verde!»

“A língua portuguesa nasceu do latim – toda a gente sabe. Um dia, a língua brasileira, e a língua são-tomense, e a língua angolana serão também línguas novas e fresquinhas que nasceram da língua portuguesa. Ninguém há-de respeitar menos a língua por causa disso. (Nós também não desrespeitamos o latim.) As línguas são indissociáveis das culturas e das histórias nacionais, e elas são diferentes em todos os países que hoje falam português à maneira deles. A maneira é a maneira deles, e a nossa é a nossa. A única diferença é que Portugal já há muito que achou a sua própria maneira, tanto mais que a pôde ensinar a outros povos, e é um ultraje e um desrespeito pretender que passemos a escrever como os Moçambicanos ou como os brasileiros. Eles são países novinhos. Nós somos velhinhos, e não faz sentido ensinar os velhinhos a dizer gugudadá, só para que possam «falar a mesma língua» que as criancinhas.

Sem império, Portugal tem ainda a dignidade de ter sido Império. Mas há um feitio mesquinho que se encontra em muitos portuguesinhos de meia-tijela, que consiste em ter medinho que as ex-colónias se esqueçam de nós. Estes acordos absurdos são sempre «ideia» dos Portugueses armados em donos da língua. A verdadeira dignidade não é essa – é soltar a língua portuguesa pelo mundo fora, já que a sua flexibilidade é uma das suas maiores riquezas. Aquilo que já aconteceu – haver um português brasileiro, um português angolano, um português indiano – é prova gloriosa disso. Mas quando os Portugueses desejam meter-se na vida linguística dos outros, é natural que os outros também se metam na nossa. Os próprios participantes deste último Acordo parecem ter perdido completamente a cabeça, aceitando normas ortográficas disparatadas para a língua portuguesa de Portugal. Sem ingerências da nossa parte, seriam inaceitáveis as ingerências dos outros. O Acordo agora proposto – que o Governo deveria ler muito cuidadosamente, antes de consigná-lo, entre saudáveis gargalhadas, ao caixote do lixo da história – é uma mistura diabólica e patética de extremo relaxamento ortográfico («tudo vale, seja na Guiné, seja em Loulé) e de inadmissível sobranceria cultural («tudo vale, mas nós é que temos o aval»). Faz lembrar aqueles miúdos que dizem «Eu faço o que vocês disserem, desde que eu possa ser o chefe»).

Dizem que é «mais conveniente». Mais conveniente ainda era falarmos todos inglês, que dá muito mais jeito. Ou esperanto. Dizem que a informática não tem acentos. É mentira. Basta um esforçozinho de nada, como já provaram os Franceses e já vão provando alguns programadores portugueses. Dizem que é mais racional. Mas não é racional andar a brincar com coisas sérias. A nossa língua e a nossa ortografia são das poucas coisas sérias que Portugal ainda tem. É irracional querer misturar política da língua com a língua da política.
O que vale é que, neste momento, muitos portugueses – escritores, jornalistas e outros utentes da nossa língua – estão a organizar-se para combater a inestética monstruosidade. Que graça tinha se se fizesse um Acordo Ortográfico e nenhum português, brasileiro ou cabo-verdiano o obedecesse. Isso sim, seria um acordo inteligente. Concordar em discordar é a verdadeira prova de civilização”.

Miguel Esteves Cardoso, “O Acordo Tortográfico”, in “Explicações de Português” (Assírio & Alvim, 2ª edição, 2001)

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Papier-Mâché

Água vai!Aparentemente vai-se discutir no Outono Vivo o futuro do livro.

Acho piada que a classe social que está a destruir o Livro seja a mesma que se vai juntar para discutir qual vai ser o futuro do mesmo.

O livro vai seguir o caminho do vinil. Vai ser só para aficionados, aqueles que juram que o som é diferente, que o cheiro faz um efeito qualquer e que a terra é plana e o sol gira à volta da lua e outras coisas assim.

O que é que interessa? O dinheiro.

Pura e simplesmente, o dinheiro.

Para o editor, para a empresa que lança o livro, é mais barato lançar em formato electrónico. É mais rápido, mais cómodo, mais limpo até.
Para quê gastar fortunas em transporte quando se pode mandar o livro por email?
Para quê abater árvores aos milhares para produzir livros aos milhões quando um iPod leva mais informação que uma biblioteca inteira?
Para quê armazéns, espaços comerciais, bibliotecas até, quando tudo está na ponta dos nossos dedos?
Para quê gastar fortunas em impressoras, tipografias, tintas, químicos que só fazem mal ao meio-ambiente e entulham os caixotes do lixo?
Aparentemente a produção de um e-reader gasta 3 vezes menos materia prima e 78 vezes menos água, só pra rematar.

Para o escritor é igual ao litro, ele recebe o seu na mesma e o resto que se lixe.
Os autores não deixam de escrever só porque as coisas não se imprimem e já pra mais de 15 anos que todos usam computadores pra preparar o seu trabalho.

E a electronificação do livro só é boa pros autores. Um livro publicado em formato electrónico tem um custo muito mais baixo, o que se traduz num custo de venda menor, o que posteriormente se traduz em mais venda... se eu for dar 15 euros por um livro ou 15 euros por dois, é claro que compro os dois. E também pode significar um lucro maior pro autor, considerando que o bolo total não tem que ser dividido em tantas fatias acaba a dar fatias maiores.

A Palavra Escrita, essa está bem viva. A venda dos Kindles anda a subir em flecha, o Google tem uma secção inteira dedicada a livros electrónicos em constante crescimento, os grandes jornais já todos têm edição electrónica e ,quem diria, blogs é o que não falta.

As pessoas continuam a escrever, continuam a ler, continuam a comunicar.

Eles não querem saber do futuro do Livro... eles querem saber é do monte de filhos da puta que fazem fortunas à custa da criatividade dos outros!

sábado, 8 de outubro de 2011

Eu

Gosto como Álvaro Monjardino se apresenta hoje, "o autor destas linhas."

É daquelas coisas que depois de se ver desperta um "mas como é que não me lembrei disto antes?"

Vê-se por aí muita apresentação diferente, sendo a maioria auto-depreciativa como é caso "o vosso humilde servo" ou "este simples escriba" ou outras lérias do género, como que a convidar uma resposta de "deixa lá que até és importante" e até ficam chateados quando não recebem dita resposta.

Quando se refere outros é quase sempre um elogio exagerado, quase sardónico, "o poeta," "o bardo," " o grande," "o ilustríssimo," "o venerável," "Sr. Dr. Eng. Arq. Zé Povinho," e outras demais lambidelas ao rego, um medo de possíveis e imaginárias represálias por meia dúzia de palavras, a maioria das vezes até absurdas.

Mas assim não é com Álvaro Monjardino (pelo menos hoje). "O autor destas linhas" não é pretensioso, humilde, exagerado, não é uma chamada de atenção nem uma fuga à ribalta.

É apenas o que é e nada mais.

O que me parece perfeitamente adequado.

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Esterco

De acordo com o DI, mandar lixo à rua vai passar a dar multa até 2500 euros.
E acho muito bem.
O dever cívico não se faz cumprir pelo amor à pátria, nem pelo amor à Natureza, nem pelo amor ao planeta Terra nem nenhum desses outros slogans hippies de trazer por causa.

Faz-se cumprir, isso sim, pelo amor ao dinheiro.

É fácil atirar um jornal pro chão depois de o ler.
É fácil atirar a beata ao chão depois de acabar o cigarro.

A única solução para isso é passar a ser menos fácil de o fazer.

Mas agora, envolvendo alguns outros exemplos, pergunto eu...

Na minha rua não passam os carros do lixo da reciclagem.
Eu recebi a cartinha a dizer que a minha rua faz parte da zona seleccionada para recolha porta-a-porta. Supostamente este facto justifica não haver ecopontos na minha zona. Recebi os calendários e as fitas.
Durante um mês pus a minha reciclagem na rua, em sacos marcados e próprios, com etiquetas, com fitas, com as cores certas, nos dias certos... e nada.
Não sei se eles acharam que dava muito trabalho, ou se quiseram ser simpáticos e dar-me material para escrever no blog.

A verdade é que eu ao fim de um mês disse "puta cuspariu" e caguei completamente na reciclagem. Agora... acham justo que eu, dado que o governo não está a cumprir a sua parte, deva ser multado por uma situação que não é da minha culpa?

E quando chegar ao inverno e eu estiver a andar na rua e se me partir o guarda-chuva? Vou pô-lo onde? Nos cinzeiros? É que os baldes que havia antigamente já foram... como é que faço agora?

Isto de ameaçar multas é tudo muito giro mas criar condição para cumprir? É quando?

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Carlos Castro

Não há mais a relatar do que se ouve na comunicação social, até porque eu não estava lá, e guardo a minha opinião pessoal sobre a vítima para uma altura em que isto já tenha resfriado mais, mas deixo aqui dois comentários retirados de um site qualquer que ilustram a minha opinião do tratamento dos media neste caso.

"Crime horrendo e orientação sexual à parte, considero ridículo e anedótico que se esteja tratar Carlos Castro por jornalista. Ele era cronista/colunista social (o próprio admitia-se como tal), pois andar a mexericar na vida dos famosos não é jornalismo. E não vale a pena jogar o trunfo de que "ele tinha carteira profissional". Primeiro: se esse senhor fosse uma pessoa inteligente e de valor tinha-a devolvido (tal como a Rita Ferro Rodrigues fez quando começou a apresentar programas, e algo que a Conceição Lino ainda não teve a decência de fazer). Segundo: já houve gente a perder a carteira por muito menos do que esse senhor fez na TV.

Incrível é que quem escreve peças noticiosas sobre este assassinato parece não se sentir ofendido pela atribuição dessa nomenclatura. Um jornalista que faz o trabalho de relatar factos aceita descer ao mesmo nível de alguém que pululava por talk-shows para falar da nova namorada de indivíduo X ou o vestido que a senhora Y levou a um evento Z. A passividade e conformismo dos jornalistas portugueses irrita-me.

Reafirmo, o crime é horrendo, independentemente das razões que levaram a que tal acontecesse. Mas mesmo em momentos trágicos deve haver ponderação de palavras."

e o segundo:

"Não o quero estar a defender, longe disso porque o miúdo cometeu um crime monstruoso se forem de facto esses os contornos. Mas cá para mim este foi o desfecho de uma grande repugnância que ele provavelmente tinha pelo Sr. Carlos castro, a forma como o crime foi cometido e a castração dele depois de morto, na minha opinião só revela o nojo que ele poderia ter por ele. Um miúdo de 20 anos com um velho de 65 anos não é amor, não é paixão e muito menos atracção física! Quanto muito só é interesse, interesse para "subir na vida", e o Carlos castro bem me parece a típica pessoa do "fazes-me determinados favores "sexuais"- diga-se - e eu ajudo-te na tua carreira de modelo". Portanto e para mim, os dois agiram mal, o Carlos castro não é nenhum santinho, nem o Renato já que aceitou humilhar-se dessa forma e fingir-se homossexual para um propósito, mas a mim mete-me nojo velhos destes meterem-se com miúdos que ainda estão a começar a vida e aproveitarem-se deles com promessas... já devia de o fazer há muito mas desta vez o sr. Carlos castro deu-se mal. Morreu ele e ficou o Renato com a vida destruída, infelizmente foi assim."

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Ambulâncias com taxímetro

Chamem uma ambulância!Muito se fala disto agora, de taxa de uso das ambulâncias.

Eu não concordo e não concordo ao ponto de chamar nomes a quem defende esta ideia.

É um perfeito disparate, uma burrice de primeira apanha, uma ideia completamente estúpida.

Eu percebo que haja pessoas que chamam ambulâncias como se fossem táxis. Eu percebo que haja abusadores que tem que parar...

Sabem como é que eles fazem nas américas? Multas!
Se o pessoal da ambulância percebe que não é urgência, assim que chegam ao hospital pimba que lá vai multa.

E sabiam que também nas ditas américas há médicos nas ambulâncias? Não são bombeiros que tiraram um curso de duas semanas, nem enfermeiros emprestados, mas médicos especializados em transporte médico de emergência, o verdadeiro sentido da palavra "paramédicos".

É claro que não são todos médicos, mas pelo menos um elemento da equipa é.

E é nas mãos desta gente que vamos pôr a regulamentação destes custos?
Os próprios bombeiros é que vão decidir quanto é que se paga para andar de taximbulância?

É que aí de certeza que as pessoas vão abusar mais ainda. É porque se estão a pagar vão exigir, e por aí a fora num ciclo vicioso.

Eu sou a favor das multas. Se ligar para o 112 quando não é emergência dá multa, então chamar ambulância quando não é preciso também devia dar.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Fisioterapia

O sí cariño!Aparentemente hoje é o dia nacional da fisioterapia.

Logo a seguir ao dia das parteiras em 4 de Maio, ao dia mundial das tartarugas a 23 de Maio, o dia de falar como piratas a 19 de Setembro e o importantíssimo dia internacional das sanitas a 19 de Novembro, este é o dia mais importante que existe...

Nunca nos podemos esquecer do importantíssimo papel da fisioterapia na recuperação de doenças, na reabilitação de internamentos e, não menos importante, na desculpa para encher as algibeiras de médicos e brasileiras.

Fisioterapia é daquelas coisas que toda a gente fala mas ninguém tem bem a certeza o que é.
Para a maioria das pessoas fisioterapia é chegar ao consultório e levar umas massagens na zona afectada e dá cá 50 euros e até prá semana.

Para outras é ir para o alto das covas fazer ginásio de máquinas e levantar pesos, o que não é muito diferente das outras coisas que se fazem no alto das covas.


No Brasil há a diferenciação entre fisioterapeutas e fisiotratas, sendo que uns são médicos especializados e os outros são como que comparar contínuos a professores só porque trabalham numa escola.

Aqui? Aqui é tudo a mesma merda e qualquer massagista é chamado de fisioterapeuta.

Está mal. Deprecia-se uma profissão e gera-se a enorme descrença no povo...

Fisioterapeutas? São todos uns mamões e não fazem a mínima ideia do que estão a fazer, só querem é dinheiro.

Querem uma boa coisa pra fazer neste dia? Toca de passar uma lei a obrigar fisioterapeutas a ter cursos e acabar com a mama dos que não percebem nada daquilo!

terça-feira, 19 de outubro de 2010

ACM

ACM Versão AmericanaDe acordo com o Diário Insular de hoje, vai começar uma mini-guerra contra o ACM, por causa de "algumas" denúncias de maus tratos e outras variadíssimas infracções.

A que mais me choca é a dos patos.

Aparentemente os jovens utentes do ACM têm patos como animais de estimação, prática muito usada na educação de deficientes por todo o mundo, já que a criação de um animal para além de ensinar sobre responsabilidade, ensina o valor da vida (animal e etcetera) e os mais variados cuidados diários que advêm de ter uma criatura dependente de nós.

Parece que por vontade de algum membro da administração ou lá o que foi, os ditos patos foram mortos por estrangulamento e dados de comer aos utentes...

Ora parem uns minutos a pensar nisto.

Pensem nos vossos animais de estimação, cães ou gatos na maioria dos casos.

Pensem naquela criaturazinha que tem um nome, que já vos deu alegrias e tristezas, que é parte integrante da vossa vida...

E agora absorvam a ideia de um ensopado de gato, ou um bife de cão para o almoço...

E mais! Alguns recusaram-se ao almoço, trazendo autorizações assinadas por pais, e não lhes foi permitido sair para comer fora! Comes a merda do pato e mai nada!

Nós sabemos que os animais comem-se. Nós sabemos que os bifes não crescem na prateleira e que as linguiças não crescem nas árvores.
Mas uma coisa é um animal criado para alimentação e outra coisa é um animal de estimação!

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Think of the children!

Também recentemente encontrei esta e esta deixa-me numa posição mais ambígua.

Já referi praqui algures quantos anos tinha quando foi a minha primeira vez, mas sem querer entrar em pormenores digamos que era um perfeito caso para uma destas acusações.

O que gera ambiguidade é que eu sabia perfeitamente o que é que eu estava a fazer...
E nem estava perto deste, que este tinha 17!

As fantasias mais comuns entre TODOS os rapazes adolescentes são a vizinha, a professora e a mãe do amigo... é assim tão estranho que dada a oportunidade eles a agarrem com unhas e pénis? Ou era unhas e dentes?

Se eu acho que ela fez mal, sim, acho que fez mal. Mas não é porque se enrolou com o rapaz, é porque quebrou a lei.

Diz-se que as crianças crescem depressa demais, que já querem ser adultos com tenra idade, mas na minha opinião é que só as consideram adultas tarde demais.

Em Portugal, a idade de consentimento para o sexo é 14. Da tropa 16. Da carta 18.
Antigamente, praí à 60 anos atrás, quando os dinossauros andavam na terra e não havia electricidade, não era raro um "rapaz" de 16 anos já ser pai de família. Um de 20 já era homem de palavra. Quem chegasse aos 40 já era velho e aos 50 já era um milagre.
Hoje? Hoje quem tem 20 é um puto, não percebe nada da vida e ainda tem muito que aprender... Quem tem 40 ainda nem tem filhos na escola e quem tem 50 ainda nem se pode reformar.

Antigamente ficava-se quatro anos na escola e já se sabia tudo o que era preciso para viver. Hoje? Hoje são 12 e bem mais de metade é palha.
Está provado que os primeiros anos são os anos mais úteis para aprendizagem... Porque é que não lhes estamos a enfiar tralha na cabeça mais cedo? Levar um dia inteiro para pintar um desenho? Mas isto o que é? E depois surpreendemo-nos quando eles são preguiçosos... Pois então! Nós levámos os primeiros anos da vida deles a dizer-lhes que há tempo pra tudo e é tudo nas calmas!

Acho mal. Só porque agora vivemos mais tempo significa que levamos mais tempo a crescer?

Na minha opinião é-se adulto quando se chega à puberdade... Se a natureza diz que estás pronto pra criar família, quem somos nós pra discordar?

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Tabacagem

Hoje na União falou-se de tabaco, de como os plantadores na Terceira estão a desaparecer.

Faz-se uma entrevista com um dos poucos que resta, um tio josé qualquer com a sua fotografia na página da frente.
Cita-se um livro lá do século 30 antes de cristo, que diz haver plantações em tudo o que é quintal, nem que seja para consumo próprio.

Mas não é isso que me mais me chamou à atenção.

O que me chama a atenção neste... atraso de vida... é que, de acordo com o redigido, as declarações do tal tio josé foram feitas à Lusa.

Sou só eu que acho isto mal?

É preciso vir uma agência noticiária com sede em Lisboa vir-nos dizer o que é que se passa no nosso próprio quintal?

O que é que aconteceu ao jornalismo? À pesquisa?

É assim tão complicado, tão difícil, tão hercúleo, ir à rua falar com as pessoas para saber o que é que se está a passar?

Porra, basta sentar na Praça Velha durante meia-hora a ouvir conversas daqui e dali para perceber logo quais são as preocupações das pessoas, para se perceber sobre o que é que elas querem ler...

As pessoas queixam-se do buraco no passeio na rua da Sé? Faz-se uma reportagem sobre isso!
Diz-se o que é que está feito, quem é que tem a obrigação de arranjar, a quem é que nos devemos queixar e o que se pode fazer para evitar...

Não é escrever como o Diário Insular, que "isto está mal e aquilo está mal e o outro está mal" e está tudo mal e é só queixumes.

Que se motivem as pessoas!

Se eu ler no jornal que tenho que me queixar ao Sr. Manuel das Couves para arranjar o dito buraco e por acaso vir o homem sentado a tomar café, vou lá e digo-lhe!

Instrução para o povo!

O pessoal fala da barriga de aluguer do Cristiano Ronaldo? Faça-se uma reportagem sobre inseminações artificiais, métodos de reprodução alternativos, fertilização in vitro... entrevistas com psicólogos, com professores primários, com pessoas que já tenham passado por isso...
Fale-se de quais são os pros, quais são os contras, fale-se de que estas crianças vão passar no futuro, quais os riscos médicos...

A semente já está plantada, está tudo a falar do Cristiano Ronaldo, aproveitem a oportunidade! Tirem daí o futebolista e instruam o povo!

Houve um acidente em cadeia na recta? Ora lá vai mais um!

Faça-se um apanhado dos maiores acidentes da terceira... Eles não tem arquivo de jornais com cem anos? Vão lá desencantar uma notícia qualquer para comparação!

Faça-se uma comparação da recta, como é que era antes, como é agora, quais são as vantagens, as desvantagens, como devemos conduzir para evitar estas situações!


O que nós temos agora não é jornalismo, é repetição...
Outro jornal ou outro órgão social fala disso e os nossos dois pasquins toca de repetir.

Tem que mudar!

Se não inovarem esta porcaria depressa os jornais vão acabar e depois onde é que eu vou buscar números de telefone de brasileiras?

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Irresponsabilidade

Fotografia da página da frente da União de hoje... "Presença de limos provoca acidente".

Não, não provoca.

O que provocou o acidente do dito rapaz foi falta de atenção, falta de responsabilidade, falta de cuidado, falta de juízo e à bela moda da Terceira, falta de discrição.

E se calhar também foi falta de umas palmadas bem dadas na altura certa.

Se não se andassem a comportar como uns babuínos estas coisas não aconteciam.

Como o outro estúpido que foi arrastado pelas águas ao pé do petiska, só porque muito bêbado se lembrou de atravessar a correr de um lado ao outro da zona balnear, em dia de fortes ondas... estava-se mesmo a ver onde é que aquilo ia acabar.

Quando eu era puto, na altura em que ainda ia pra silveira, tanta vez voltei eu pra casa com joelhos esfarrapados e canelas negras... os meus pais nunca foram pro jornal chorar à frente da ilha toda!
E porquê? Porque eles sabiam perfeitamente que eu magoava-me porque andava para lá aos pinchos que nem um canguru speedado... ainda cheguei a ouvir uns quantos "é bem feito que é pra aprenderes".

Hoje? Hoje a culpa é da sociedade, é da escola, é do Bin Laden, é da polícia, é dos amigos, é da câmara, é do Cristiano Ronaldo, é da televisão e é do raio que o parta mas nunca, mesmo nunca é dos pais e dos próprios catraios.

Vivemos numa cultura infantocêntrica, estamos a pôr as crianças em pedestais e isto só vai acabar mal.

O que é que vai acontecer quando esses putos que crescem a pensar que são reis e senhores do mundo, que são génios, que são especiais, que conseguem fazer tudo o que quiserem "basta desejar com muita força e bater os calcanhares três vezes!", o que é que vai acontecer quando eles chegarem a adultos e perceberem que são só mais um idiota, só mais uma roldana na máquina, que não são mais que nenhum outro?

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Cinzas!

Puff!Tem sido um belo fim-de-semana...
Graças à já famosa nuvem de fumo do Eyjafjallajökull (diz lá isso três vezes depressa!) o espaço aéreo açoriano está fechado.
Nada de aeroportos, nada de aviões, nada de nada.

E nada de partidas.
Ninguém chega e ninguém sai.

E percebe-se. A cinza vulcânica causa problemas gravíssimos nos aviões, desde vidros riscados (que causa problemas na visibilidade), leituras erradas nos controlos de altitude até à fatal paragem completa dos motores.
Percebe-se perfeitamente que as companhias não queiram arriscar perderem os seus preciosos aviões... senão como é que nos iam roubar dinheiro no futuro?

Note-se que os militares não querem saber (ou não queriam, ao princípio) e já há aviões da RAF aterrados para manutenção.

É claro que acaba a tocar aos hotéis. A Sata e a TAP pagam a conta e os hotéis enchem de pessoas irritadas, incomodadas, desesperadas e muitas vezes chatas como tudo.

Dezenas e dezenas de turistas, empresários e afins entalados na ilha sem poderem ir pra casa.
E velhotes... raios partam os velhotes!

Ai, porque se eu não estiver em casa vou perder a missa lá do padre não sei de onde, que diz uma reza especial em nome de não sei quem!Justificar completamente

Por amor de Deus...

sábado, 3 de abril de 2010

Ricky!

A ex do Ricky
Não, eu não morri... primeiro foi férias e depois são os putos do campeonato de ténis a tirarem-me o juízo.

Numa nota à parte, segunda-feira passada Ricky Martin anunciou no seu site oficial que é gay... saiu do armário e saltou para a net.

E pergunto eu...

Qual é o espanto?

É um homem bonito, bem sucedido, podre de rico, fez duetos com um monte de gajas boas (lembro-me da Christina Aguilera assim de repente), é actor de novelas, tem resmas de gajas aos saltos nos concertos todos e etc e etc e etc, e quando decide "assentar e criar família" faz o quê?

Arranja uma groupie qualquer? Uma actriz/modelo/cantora que lhe apareça? A apresentadora de televisão com que ele esteve a pseudo-namorar durante 15 anos?

Não, contrata uma barriga de aluguer...

Não era uma grande prova de que ele não gosta de sexo com mulheres?

E pergunto outra vez... qual é o espanto?

sábado, 6 de março de 2010

Fim do Lusitânia

O Diário Insular de ontem dizia "Clube sem amanhã", a União de hoje diz "Lusitânia a caminho do fim".

Já não era sem tempo.

Como uma cavalo com a pata partida o clube já se andava só a arrastar à espera que alguém o tirasse da sua miséria.
Um historial de má gestão, maus investimentos, más prioridades, má divulgação entre outros males levaram este clube com quase oitenta anos à ruína financeira, moral e desportiva.

Com uma equipa de basket entre as melhores do país, porque raio se continua a apostar numa equipazinha de futebol de merda que nem chega à terceira divisão?

Havia mesmo necessidade de ir comprar guarda redes ao Real Madrid? Defesas ao Sporting? Jogadores de primeira para uma equipa de quarta?

E os 40 mil euros mensais necessários para o funcionamento do clube? Vão cair do céu?

terça-feira, 2 de março de 2010

O "green" secou

Edição de 2 de Março de 2010Seguindo a nota de hoje de Aníbal Pires, sinto-me obrigado a concordar e expandir sobre o assunto.
Na minha opinião a região não precisa de casinos nem de golfe, muito pelo contrário, para atrair turismo.

Nós temos vistas, paisagens, património e sei lá mais o quê suficiente para ser merecedor de vista sem precisar de slot machines e buracos na relva.

O que nós precisamos resume-se a dois pontos que infelizmente estão em falta à já muito tempo.

Primeiro, precisamos de estruturas de apoio.
De nada serve ter uma marina com sistemas de atracagem e segurança topo de gama se depois não temos, por exemplo, lavandarias, mercearias ou lojas de material de reparação nas proximidades para quando os barcos chegam. Em vez disso temos o quê? Três bares e uma loja de pesca.
O que há-de um turista fazer ao domingo aqui? Está tudo fechado, nem comércio nem património, a única coisa que há pra ver são igrejas e é só na hora da missa...

Segundo, precisamos de acessos facilitados.
Ninguém vai vir aos Açores quando é mais barato ir para o Brasil, Inglaterra, França e muitos outros com muito mais história e muito mais pra ver.
De que serve ter um aeroporto todo XPTO com terminais de não sei quantas e acesso de não sei quê, quando a única maneira de sair de lá é de táxi que custa os olhos da cara, ou de carro alugado que idem idem?
Voltando a bater no domingo, será que nunca ninguém pensou que se calhar mais que dois autocarros no mesmo dia até dava jeito?
E não há informação... se alguém se manda a pé ilha a dentro, perde-se! Não sabe o que há para ver nem a que sítios deve ir, nem horários nem nada disso...
Temos um posto de turismo no aeroporto que está sempre fechado e quando está aberto é informação incompleta...

Tratem dos problemas sérios e depois pensa-se nos buracos na relva e nas mesas de jogo!