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Divagações, Diatribes e outros Semelhantes
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segunda-feira, 23 de dezembro de 2019

Merry Natal

A SATA está de greve outra vez.
Não sei se é de mecânicos ou de porteiros ou lá o que é, mas estamos outra vez de vôos cancelados.

Eu percebo a necessidade de lutar pelos direitos, compreendo que é preciso combater a disparidade salarial e essas lérias todas que eles apresentam, mas... no natal?

Cheira-me demasiado a "hostage situation", demasiado a chantagem para me parecer bem.

Ficam as pessoas quase uma semana em terras alheias, a gastar do seu dinheiro para poder comer, sem amparo e sem fim à vista, numa das alturas mais lembradas do ano.

É assim meio coiso e tal, quer-se dizer...

Percebe-se que a tripulação boicote os vôos, para mostrar à administração que "ou melhoras ou ficas a perder dinheiro", mas isso soa muito menos mal quando é numa situação que há concorrência e há alternativa.

Nós aqui presos nestas ilhas só temos a SATA pra nos valer, de modo que este boicote fere muito mais os utilizadores que os administradores.
Não há aquele aspeto de perda de negócio que justifica o transtorno perante as pessoas, nem há alternativa para os passageiros, pelo que estes engolem e só se calam.

Parece-me desnecessariamente cruel perante pessoas que já estão fartas de levar porrada.

segunda-feira, 16 de dezembro de 2019

Ressurreição: Leitores

Não estou à espera que ainda existam leitores deste blog.
A visibilidade já era pouca em tempos de actividade contínua e agora que se passaram quase sete anos (porra!) muito menos.

No entanto, isso não muda a direção inicial que o blog tinha: a de válvula emocional.

A intenção sempre foi a de tornar este blog no meu escape esquizofrénico, de conversas de mim para mim, um diálogo interno exposto ao mundo. Parece parvo (e até é) mas pronto, é o que temos.

Se com isso arrastar alguém comigo, tanto melhor, se não, temos pena.

Isso não quer dizer que não quero leitores. Diálogo é sempre bem vindo e conversas interessantes nascem dos lugares mais inéditos, mas não é por aí que se vai deixar de escrever.

Sempre fui da opinião que quem escreve para o leitor em vez de escrever para si acabar por trair o seu escritor interior, aliás acho que já o disse aqui.

Isto de ficar sete anos sem escrever faz mesmo esquecer o que é que já se tinha escrito...

Em resumo, com leitor ou sem leitor, um feliz natal!

domingo, 24 de junho de 2012

Diz-me com quem andas

Já vou avisando que este é controverso. 

Eu tenho um hábito sempre que vou de férias em que nos primeiros dias rapo o cabelo, normalmente à lâmina e deixo crescer a barba.

Não há razão em especial, parte é rebeldia porque normalmente não posso e então vingo-me nas férias, parte é nostalgia em que andava sempre assim nos tempos de liceu e a maior parte é já por tradição, faço-o porque sempre o fiz.

Uma coisa a que eu não consigo escapar é a reação pública.
Casaco de (pseudo-)cabedal, botas de biqueira de aço, careca e barba grande, fico com cara de mânfio. Qualquer loja que entre, tenho sempre um empregado a marcar. Nos restaurantes sou sempre mal servido e até chega a acontecer pessoal atravessar a rua só para não se cruzar comigo.

É o custo de fazer o que me apetece... as pessoas acham o que acham e reagem em concordância com isso.

Isto para dizer que de bem cedo percebi que a imagem muda a atitude que as pessoas têm perante nós. É por isso que usamos fato nas entrevistas de trabalho. Ou a nossa melhor roupa pra ir à missa. Ou até a nossa pior roupa para ir ajudar um amigo com as mudanças (não tenhas vergonha de pedir nada, que como a roupa mostra estou pronto pra tudo). O ar que projetamos é estudado para o que queremos que as pessoas pensem.

Ontem caminho do trabalho vi uma rapariga toda indignada porque um bêbado qualquer estava a fazer-se a ela no meio da rua. À frente dum bar. Às onze e meia da noite. Em que ela só tinha um par destes e um top justíssimo vestido. Em que a amiga dela estava ao marmelanço com um outro gajo qualquer. Na mesma rua. À vista de toda a gente.

Não é querer dizer que algumas estão a pedi-las, mas também não é de ficar indignado quando aparece algum a oferecer!

Isto é quase a mesma coisa que borrar-se de sangue para se atirar à água e depois ficar todo espantado quando aparecem os tubarões!

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Dia do Pai

Começo por dizer que a fotografia não tem absolutamente nada a ver com o assunto, mas estava à procura de presépios e encontrei isto... no fim explico a piada. 

Oras, para todos aqueles que como eu estão baralhados com esta coisa do dia do pai, deixem-me relembrar-vos que o dia do pai em Portugal é a 19 de Março.

Assim como a Espanha e a Itália entre outros, o dia do pai celebra-se no dia de S. José, marido de Nossa Senhora e o gajo que sustentava a casa onde Jesus cresceu.

O que me parece meio bizarro... então nós celebramos o dia do pai no dia do santo que ficou famoso exatamente por não ser o pai?

Mas nós pelo menos ainda podemos dizer que temos tradição! No Brasil nos anos 50 houve um publicitário qualquer que decidiu que faltava um dia do pai no calendário e pimba! Fez-se um feriado! Sem haver tradição, sem haver razão, só porque apeteceu.

Nos Usas o dia do pai só se tornou oficial em 1972... O que significa que os nossos pais quando eram pequenos não festejaram esse dia/feriado/acontecimento.

Isto no fundo no fundo, como o caso do Brasil mostra perfeitamente, não passa de mais um falso Natal. Mais uma época pra nos fazer gastar dinheiro, para nos fazer comprar merdas que não lembram a ninguém, tralhas que ninguém precisa e mais um dia pra criar situações embaraçosas porque este ou aquele se esquece.
É mais uma comercialização, uma maneira de nos puxar pelas emoções pra nos fazer gastar dinheiro por culpa.

"Se eu gastar 200 euros numa prenda será que o meu pai vai saber que gosto dele? Ou será que não é caro o suficiente?"

Pai não tem dia, pai não despe a farda ao fim do dia e deixa de ser pai até ao próximo turno de serviço. Pai é pai todo o ano e não deve ser lembrado só num dia específico...
Deixar o pai para um dia definido no calendário não é uma celebração, é um insulto.

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Acho que ainda não tinha reclamado desta treta de se pagar bilhetes no minibus.

Digamos que vou de casa prá Lua, ou pra outro destino qualquer que não é isso que interessa, e decido ir tomar café ao centro, eu e a maria pra fazer dois.
Estaciono no Cerrado do Bailão e apanho o dito cujo até à Central, por exemplo. E lá vão 40 cêntimos.
Chego, tomo café, volto a apanhar minibus de volta. E mais 40 cêntimos.

Se parasse o carro mesmo à porta da Central e pusesse 50 cêntimos no parquímetro saía-me bem mais barato que dar de comer à EVT.
E parar em cima do passeio com os quatro piscas ligados ainda mais barato sai.

Mas a ideia dos Minibuses não era fornecer uma alternativa viável para não entulhar o centro de carros? Para as pessoas que não querem pagar parquímetro? Para os idosos, inválidos, malandros, preguiçosos e outros políticos em geral? Para melhorar o comércio tradicional, dando às pessoas um método de transporte fácil entre zonas, uma maneira de explorar o comércio local?

O problema destas medidas é que quando revelam a sua verdadeira razão de existir (dar 80 cêntimos à EVT por cada passageiro, que as pessoas já não andam tanto de carreira como andavam) as pessoas reagem pelo extremo.

E dentro em breve, vou direito ao Hiper onde posso comprar de tudo e ainda tomar café... e o parque é de graça e o euro que dou pelo carrinho é-me devolvido.
E aí lá se vai o comércio tradicional, lá se vai a mama da EVT e lá se vai o chulanço dos parquímetros.

Porque se há coisa com que podemos contar é que assim que as pessoas se apercebem que estão a ser obrigados a fazer alguma coisa deixam logo de o fazer e se revoltam contra quem os obriga.

domingo, 10 de junho de 2012

Amigos (?)

De acordo com um e-mail que o facebook me enviou, 5 amigos meus fazem anos esta semana.

Só de raiz deve-se notar que o facebook envia-me mais e-mails que todos os meus amigos juntos, mas isso talvez seja sinal dos tempos, prova do atual cenário tecnológico.

Já ninguém envia mails. Já ninguém escreve cartas, ninguém visita ninguém só porque sim, ninguém sai de casa para se encontrar com ninguém para saber da vida deles, ninguém vai pro café na esperança de encontrar os amigos, ninguém faz nada espontaneamente...

Faz-se tudo pela internet. O facebook espelha ao mundo as nossas ideias, os SMS servem de agenda e todos estão contactáveis a todo o momento e em todo o lado. Com dois cliques falamos com família que está do outro lado do mundo, que nunca vimos pessoalmente, que talvez nunca iremos conhecer, sem barreiras nem entraves.

Não há filtro. Não se pode dizer "agora não me apetece" sem que se ofenda alguém. Porque assim que dissermos à tia que agora não dá porque estamos muito ocupados, ela vai pro face ver que afinal estamos ligados na PSN numa maratona de FIFA ou qq coisa assim.

E ao mesmo tempo não há máscaras. E acreditem ou não, as máscaras são necessárias. Se as pessoas soubessem que o doutor que lhes trata da saúde nem há 5 anos atrás estava aterrado no meu sofá podre de bêbado, pra não ir pra casa para a mãe não o apanhar naquele estado, se calhar não o queriam como doutor. Se calhar não o achavam competente suficiente.

É necessário, para aquele doutor por exemplo, não revelar os seus podres à vista do mundo.

Porque embora ninguém consiga olhar para dentro, apontar todos sabem. E num país que o que menos falta são dr.s, se aquele não é sériozinho arranja-se outro.

Face a isto, censuramo-nos a nós próprios. Não mostramos o nosso lado cru porque não queremos ser julgados. E no fundo ninguém nos conhece, porque nunca mostramos o verdadeiro eu.

Isto cria a ilusão de conhecimento... na realidade estamos todos sozinhos e ninguém conhece ninguém.

E com cada vídeo de youtube, com cada post de blog, com cada share de facebook, ficamos mais sozinhos... e com menos amigos.

sexta-feira, 8 de junho de 2012

P(r)ontos

Mas porque é que nós humanos somos tão destrutivos?

Porque é que temos sempre que escarafunchar, corroer, desfiar, gastar e moer até não haver mais?

A semana passada fui arrancar um destes, que já estava a pedir pra emigrar à uns anos.

Fiquei com uma cavidade que cabia um pão caseiro. O buraco era tão grande que via-se o osso. Era tão massivo, que se os Montanheiros vissem abriam o Algar da Boca. Tão abrangente que dava pra cursos de espeleologia.

Enfim, era um buraco grande.

Os pontos duraram três dias.
Uma combinação de gengiva fraca, comida mole, desinchar da carne, escarafunchanço e azar, o resto da semana já passou sem costuras. Rebentou tudo de um lado e ficou tipo bandeira ao vento, preso só do outro.

Quando regressei ao dentista quarta-feira, fui arrancar mais três. E qual tirar pontos que os pontos já tinham ido.

Costura em três sítios diferentes, passar a noite a comer gelado, nada de álcool, nada de quentes, os cuidados todos pra não acontecer a mesma coisa.

Neste momento passam dois dias... e uma das costuras já lá vai.

Mas porque raio é que eu não deixo os pontos da mão? E que tal parar quieto?

Então fui-me pôr feito tosco a comer pipocas, tava à espera de quê?

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Crise

Roubado da Wikipedia
O português gosta de falar.
Não gosta de ouvir, não gosta de trabalhar e não gosta de tomar decisões... mas gosta de falar.
E mais que isso, adora queixar-se.

A culpa é do governo, dos advogados, dos políticos, da burocracia, dos ricos, dos pobres, dos políticos, da classe média, dos médicos, dos políticos, dos tribunais, do Carlos Cruz, da função pública, dos políticos, da polícia, dos hospitais, dos políticos e, para o caso de me ter esquecido, dos políticos.

Mas minha gente... a culpa do país estar da maneira que está? É do povo.

É vossa, nossa, minha e tua. Tal como o país é de todos nós, a culpa é de todos nós.

Ora veja-se a bela decisão do povo português:

27 de Setembro de 2009.

Já tinha rebentado o caso da Independente, o famoso curso comprado ao Domingo, bem como toda a tentativa de encobrimento do mesmo.
Já tinha rebentado o escândalo dos Magalhães.
Já tinha rebentado o caso Freeport, em que o tio do primeiro ministro disse à imprensa que tinha "oferecido" o contrato dos ingleses ao sobrinho.
Já tinha começado a caça à TVI.
Já havia barulho sobre os voos de Guantanamo...
Vale a pena continuar?
Já havia mais que provas suficientes que a pessoa à frente do Governo era um aldrabão, talvez incompetente, que punha os seus interesses à frente dos do país.

E o país o que é que faz?
Elege a criatura para novo mandato!

A culpa não é do Sócrates.
A culpa é dos dois milhões de pessoas que votaram nele e, mais ainda, dos quatro milhões que não levantaram o cú do sofá, efectivamente dizendo "enganem-me à vontade e façam o que vos apetecer, que eu cá estou-me cagando"

E onde é que estão esses quatro milhões agora?

Nos cafés, nas ruas, no sofá... a queixar-se dos políticos e do governo e dos médicos e dos políticos e... da troika também, e da Alemanha e da Grécia e da Irlanda e sei lá mais o quê.

Antigamente dizia-se que a televisão era futebol e fado. Agora acabou-se o fado e é só futebol.
Antigamente queria-se putas e vinho de cheiro. Agora as putas são importadas do Brasil e o vinho de cheiro já não pode ser por causa dos taninos.

O povo português quer é pão e circo.

Ou brasileiras e futebol.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

De volta à televisão

PlonkEu não sigo a política nacional. Não sigo os sensacionalismos, os tablóides, as casas dos segredos nem os big brothers, não sigo a política internacional, nem as guerras do mundo nem todas essas trapalhadas que enchem as páginas dos jornais. A maioria das vezes nem vejo telejornal.

Num dia a dia de contar cêntimos pra pagar as contas e por comida na mesa torna-se difícil sequer fingir que me preocupo com o que acontece aos outros quando os conheço, quanto mais o que acontece do outro lado do mundo a um plantador de arroz qualquer no Vietname.

Como tal, não estou nada a par do processo Casa Pia. Não sei quem são, quantos foram, o que é que se passou, o que é que se provou que não se passou e tudo mais que talvez fizesse sentido a este post. Quando penso em Casa Pia só me lembro de Bibi, Carlos Cruz, Herman José e uma entrevista a um rapazinho que dizia "se algum adulto vos puser a mão no pénis, não tenham medo de falar que não vão ser castigados."

De acordo com a Pública deste fim de semana, Carlos Cruz vai voltar à televisão.
E tenho que admitir que não me estranha nada.

O tempo apaga tudo, cura todas as feridas e limpa todas as memórias. O mesmo instinto que nos faz não falar mal dos mortos faz-nos esquecer as injustiças de ontem, as atrocidades do passado e concentrar nas parvoíces do presente.

Enquanto que há 9 anos atrás a praça pública estava certa da sua culpa e queriam esquartejá-lo e arrastá-lo pela rua, hoje se calhar já não é bem assim e talvez não tenha sido e porque há a hipótese de que afins e coisa e tal.

Demorou quase uma década, mas para Carlos Cruz a vida está a voltar à raiz, à sua televisão, à sua profissão.

É bizarro.

Não consigo perceber como é que as pessoas se esquecem daquilo que ontem tinham tanta certeza. Como é que as sentenças de morte de outrem são palmadinhas nas costas de agora. Como é que os demónios-em-pele-humana se tornam numa cara que nos invade a casa pelo ecrã.

E daqui a dez anos, talvez até menos, já ninguém se lembra do processo, já ninguém se lembra da pedofilia e Carlos Cruz passa a ser só mais um dos figurinos sentado a uma mesa em frente às câmaras.

E tudo volta a ser como era antes.

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Ponta do Facho

De acordo com a União de hoje, foi encontrado morto um jovem de 13 anos...
De acordo com o meu pai, o dito jovem é meu primo.
Acho que primo em 3º grau ou praí, mas mesmo assim primo.

Faz-me pensar nas unidades familiares hoje em dia.

A minha mãe tem alguns 40 primos e conhece-os a todos, pelo menos de nome. Sabe as suas genealogias, nem que seja por aproximação, que este é filho daquele e sobrinho daquela.
Não querendo chamar ninguém de velho, antigamente era assim... as pessoas viviam umas com as outras, precisavam umas das outras e contavam umas com as outras.

Este meu primo, eu não o conhecia. Mas é que nem sabia da existência dele.
Conheço a mãe dele (aliás, sei pouco mais do que quem ela é de nome) mas já não a vejo desde antes do rapaz nascer... Pouco mais sei do que "a filha do irmão do meu avô."
Do rapaz não lhe sei o nome, não faço a mínima ideia quem era como pessoa, quais os seus interesses, desejos futuros, expectativas da vida, fantasias, sonhos e tudo mais.

Por um lado entende-se, sendo já um grau afastado, mas por outro... não é só nos afastados que falho neste ponto.

Andando a "folhear" páginas do facebook percebo que praticamente não conheço a minha família!
Vejo que esta está a namorar com aquele, aquela comprou um bar, o outro arranjou uma namorada, a outra foi tirar um curso novo, aquele queria ir pra tropa mas não conseguiu e por aí em diante, gente de quem eu era muito chegado à dez ou quinze anos atrás e de quem agora não sei nada.

Chegando ao cúmulo de que a minha irmã ontem disse-me que foi aceite pra universidade, quando eu nem tinha bem a noção de que ela já tinha acabado o 12º.
O contacto íntimo entre nós, viver o dia-a-dia lado a lado como era quando vivíamos sob o mesmo tecto, já acabou à tanto tempo que na minha ideia ela só agora é que chegou ao liceu, só agora é que começa a recta final de estudo, ainda com sonhos de ser juíza.

Mas já não é assim. Já é uma mulher feita, como diz a minha avó, já tem um namorado de sete (oito?) anos, já trabalha e já organiza a sua vida como uma adulta.
Embora ainda viva com a mãe, já não é criança. Já é adulta.

É meio bizarro da minha parte... olho para trás e tento-me lembrar quando é que começou o distanciamento e não consigo perceber nem quando nem como foi.

É a única constante da vida, de que o tempo passa.
A vida segue inexoravelmente e tudo flui rio abaixo sem esperar por testemunhas.
O tempo não se preocupa com quem está a ver, nem com o que possamos estar a perder das vidas daqueles que gostamos.

Mas são situações como esta, do meu primo de 13 anos, que me fazem perceber (nalguns casos tarde de mais) que tudo está pelo fio da navalha e que temos que aproveitar o tempo que temos ao máximo, saber o máximo, partilhar o máximo e viver, em conjunto, o máximo que pudermos.

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Tabaquices

Fumar é um vício cada vez mais caro.

A alternativa que eu encontrei é a mostrada aqui ao lado, uma máquina de enrolar que, em termos de comparação, me dá um custo de 1,25 € por maço, mais coisa menos coisa.
Eu fumava Ventil Box, que agora custa 2,80 €, só para terem uma ideia.

Antes de enveredar por esta via tentei o básico cigarro enrolado só que surpreendentemente acabava a sair mais caro... Mortalhas, filtros e tudo mais, ficava à volta de 2 euros o maço.
E isto pra nem falar do efeito visual meio embaraçoso de parecer que estou a fumar charros a céu aberto... mesmo com maquinaria própria, um cigarro de mortalha vai sempre parecer um charro.

Chegou-me a acontecer ser elogiado pela qualidade dos meus enrolanços... que até hoje ainda não sei se é um elogio, um insulto, ou uma acusação de abuso de droga.

Note-se que eu sei que fumar faz mal.
Sei que devia parar, que estraga a saúde e a carteira, que cada cigarro é um prego no caixão e etc e etc mas a pura verdade é que, nem que seja só lá no fundo, não quero deixar.

Gosto da "pausa na vida" que fumar um cigarro proporciona, do efeito calmante daquele cigarro numa situação mais tensa, do contemplativo cigarro a meio da noite, do digestivo a seguir à refeição, do despertador primeiro cigarro da manhã ou até do paladar apurado que o cigarro dá ao café... Pra não falar do cigarro celebratório de uma vitória num qualquer jogo, do cigarro "concentrante" num qualquer problema difícil a resolver ou ainda do cigarro relaxante depois do sexo.

Sou da ideia de que todos temos vícios muito próprios.
Eu não me consigo ver a beber 3 cervejas por dia todos os dias, nem vinho a todas as refeições, não me vejo a fumar charros todos os fins de semana.
Do mesmo modo que não me vejo a beber Coca-Cola 2 ou 3 vezes por dia...
Ou a tomar banho de mar todos os dias às 7 da manhã, faça chuva faça sol.
Ou duche de água fria independentemente da hora do dia.

Ou até mais, coisas que as pessoas nem se apercebem que são vícios... depilação, ler o jornal, jantar às seis em ponto, ir à missa todos os domingos e tudo mais que no fundo sejam rotinas.

Porque os vícios não passam disso, a nossa necessidade humana de rotina, a nossa âncora psicológica a uma actividade imutável, constante.

Num mundo em que cada minuto que passa nos aproxima mais do minuto final, saber que há coisas ou sensações que permanecerão sempre iguais é essencial para a nossa sanidade mental.

domingo, 17 de julho de 2011

Beleza Interior

Nunca percebi esta conversa de beleza interior... que o que interessa é a beleza interior, que o superficial não importa, que as pessoas mais bonitas normalmente são feias por dentro.

Mentira! Nós por dentro somos todos iguais! Alguns com mais gordura, outros com pulmões mais pretos, estômagos mais largos, mas isso são tudo insignificâncias. Por dentro somos todos iguais, carne e osso, sangue e tripas.

Não me venham dizer que beleza interior é que é importante.

Os americanos têm uma expressão, "beauty is skin deep", que independentemente da intenção inicial, ilustra perfeitamente o que eu estou a tentar dizer.

A beleza exterior, aquela à flor da pele, é a única que interessa.
As modelos, actrizes e outros sex-symbols não são feias. Não têm espinhas, não precisam perder peso, não tem estrias, nem celulite, nem varizes.
As caras e corpos que vendem carros, produtos de beleza, filmes, comida, cerveja e até armas não são a forma média da humanidade.
São sim, sem falha, boas cmó milho.

Nunca se ouviu ninguém dizer "Ó miúda, belo duodeno!" por muito curta que seja a mini-saia.
Nunca ninguém pensa "aquela rapariga parece ter um sistema digestivo altamente funcional, deixa-me cá meter conversa".

A verdade é que nós, humanos e pessoas em geral, somos vaidosos.
Somos fúteis, superficiais, frívolos.

À parte das relações de trabalho, obrigações e família, todas as pessoas do sexo oposto que conhecemos (ou do mesmo sexo, dependendo da preferência) são motivadas puramente por uma atracção física... o sex appeal de que tanto se fala.

Isto da beleza interior não passa de uma mentira que as mães contam aos filhos feios... deixa estar que há-de aparecer alguém que goste de ti por aquilo que realmente és.

Note-se que não estou a falar de amor, que isso é outra canção completamente diferente, nem sequer está no mesmo CD.

Mas a maior piada é que isto de gajas boas nem é uma verdade absoluta.

Os ideais de beleza são completamente absurdos. No tempo dos romanos as mulheres usavam mercúrio para manter a pele branca... hoje usam-se solários à base de lâmpadas de mercúrio para bronzear a pele.
Ou seja, enquanto antes era quanto mais vampiro mais bonito, hoje é quanto mais laranja mais bonito.

No tempo dos nossos avós dava-se preferência a ancas largas, as chamadas "ancas parideiras". Hoje é ao contrário.

Antes os cabelos queriam-se compridos, a partir dos anos 20 passam a ser curtos.

E isto vai mudando e mudando num processo quase cíclico em que ninguém sabe muito bem o que é que é suposto ser bonito ou o que é que é suposto ser feio.

Só uma coisa é certa.

Enquanto se gastar mais dinheiro em cosméticos do que em educação, os ideais vão continuar a mudar para nos fazer abrir os cordões à bolsa.

terça-feira, 12 de julho de 2011

E cá vai resposta

"o naturismo e o naturalimo não é coiza dos tempos modernos, a pedofilia sim.
os naturalistas existian desde antes da descoberta do brasil, um exemplo claro é os indios.
Isso mostra que apedofiliapode ter cido criada pelo uso das roupas e não pela falta delas. "
-- Anónimo

Não sei como mas o meu blog caiu na atenção de alguns brasileiros.
Isto não é bom nem mau, mas parece-me que este comentário veio de lá, daí a referência.

Não sei bem se isto é uma opinião própria, ou seja, que este indivíduo acredita mesmo nisto, ou se é uma defesa a terceiros, no sentido de conhecer alguém que pratique isto ou aquilo e se ache na obrigação de defender as suas decisões.
Até poderá ser só posta de pescada, que até veio parar ao sítio certo se for o caso.

Mas passando à frente...

Note-se a seguinte imagem.

Roubada da internetIsto parece-me bem mais antigo que o brasil... e note-se a falta de roupas.

Supostamente (que isto das internetes nunca é de confiar completamente) este prato antigo representa "um guerreiro espartano e o seu jovem amante".

Para quem gosta muito de olhar pra estátuas, ruínas, monumentos e outras tretas gregas, deixem-me falar um pouco sobre os ritos de passagem do povo grego, principalmente de Atenas.

Ao atingir a puberdade, um jovem grego a partir dos 12 anos a um máximo de 17 seria parelhado com um adulto, normalmente aristocrata, para dar início ao seu treino.

Seria deste adulto que o jovem aprenderia tudo, desde comportamento à mesa até matemática, de astrologia até levar no rabinho.

Estes comportamentos eram rigorosamente estipulados, bem vistos pela sociedade, considerados parte fundamental da educação de todos os bons homens.

Vamos recapitular...
Levar no rabinho era considerado fundamental para a educação de qualquer homem que se preze.

Esta relação, conhecida como uma relação pederasta, acabava quando o adolescente desenvolvesse um "corpo de homem" principalmente no que respeita a cabelo.

Por outro lado, as mulheres tinham o thiasos, uma espécie de escola só pra mulheres com praticamente os mesmos ensinos.

A mais famosa líder de uma destas escolas era Sappho, que comandava o thiasos da ilha de Lesbo.
Acho que se nota algumas raízes gramaticais vindas desta situação toda, não?


E como tal, de volta ao comentário para responder à pergunta implícita... A pedofilia pode ter sido criada pelo uso de roupas e não pela falta delas.

Não, não pode. A única diferença é que naquela altura não era proibido.

O casamento grego normalmente era entre um homem com mais de 30 e uma mulher de 12. Se fosse hoje era pedófilo.
No judaísmo, a partir dos 3 anos de idade as raparigas já podem ser prometidas. E não, não é erro e não falta um 1 ali... é mesmo três anos.
No Islamismo, a partir do momento que sangra, pode casar.
Na Nigéria e na Etiópia, a partir dos 7 está pronta.
No Sri Lanka casam-se antes dos 9, na Pérsia casavam-se antes da puberdade, bem como nas ilhas Fiji e em Sumatra.

Note-se que eu misturei o actual com a antiguidade... mesmo pra dizer, que as coisas não são assim tão lineares.

À parte, note-se que 40% das prostitutas tailandesas são crianças.

E por último voltando à vaca fria.

Pedofilia é meramente uma questão legal, naturalismo é puramente uma escolha própria.
Aquelas revistas? Aquilo é pornografia infantil e não me venham dizer o contrário.

sábado, 4 de junho de 2011

Deixem o Panda morrer

Aquilo... é um bifeOs humanos agarram-se a tudo o que seja fofinho.
O urso panda (note-se aquela primeira palavra no nome do bicho) é um animal em vias de extinção.

É verdade que os humanos desflorestaram uma parte considerável do habitat do bicho.
É verdade que eles foram muito caçados pela sua pele.

Mas mais importante que isso, é verdade que o panda quer morrer.

Verdade verdade é que o panda é um urso, não é uma vaca. Há pouco tempo (biologicamente falando claro, dado que foram encontrados túmulos de realeza chinesa com pandas lá dentro com mais de 4000 anos de idade) os pandas decidiram virar vegetarianos. Se repararem na imagem em anexo, vão ver que os pandas até comem bifes. Prova pra quem tem pachorra, aqui.

Note-se que um panda a comer bambu é um bocado como as gajas a comerem gelado ao balde quando são traídas pelos namorados, não é a sua dieta normal... é só comida de desespero.

Mas não, os humanos não querem deixar o panda morrer.
Em 50 anos que temos pandas nos zoos, nasceram ao todo menos de 200 pandas em cativeiro. Mortes? 300.
Em comparação, os elefantes que também estão em vias de extinção? Mais de mil e quinhentos nascidos nos mesmos 50 anos.

Os humanos são meio-milhão por dia.

A natureza já percebeu que o panda não funciona.
Não hiberna, não consegue acumular gordura, precisa de três tipos de bambu diferentes no seu habitat natural (ao contrário das outras raças que basta 1 alimento... o leão come gazela todo o ano e não diz que tá farto), não se mexe depressa, não é o topo da cadeia alimentar.
E até é meio burro.
Nunca vai chegar aos pés de um chimpanzé ou um golfinho. É mais ou menos o mesmo que um cão.
O próprio panda já percebeu que não funciona...
Mas os humanos não se querem aperceber disso.

Quando em cativeiro, os pandas perdem a vontade sexual, que só de si já era pouca.
E o que é que os humanos fazem? Dão-lhes Viagra! E filmes pornográficos! Não, a sério!

E mais, sabiam que os pandas atacam humanos? Em média 10 ataques por ano...

Em suma, o panda tal como a orca e um sem fim de outros animais, não passa de um monte de humanos a verem o que querem ver em vez da realidade.

Nós graças a deus sempre tivemos esta mania e infelizmente não a vamos perder tão depressa.

domingo, 20 de março de 2011

Bêbeda

Alguém que me explique porque é que as pessoas bebem até ao ponto de ter que entrar de gatas para o hotel.

Eu já apanhei os meus carretes valentes, mas tanto quanto sei nunca fiquei bêbado ao ponto de black out. Fora uma ou duas que foi mais acidente que outra coisa, mas pronto. Esta gente que bebe como se fosse água, e se fosse não bebiam tanta, que no dia a seguir não se lembram de absolutamente nada não deve mesmo ter mais que fazer se não torrar dinheiro em álcool.

Se calhar já passei essa idade, mas não acho piada a estas figuras tristes, acho pena isso sim.

Acho pena estas pequenas e pequenos com tanto pra dar que esborracham completamente e acabam a passar do "tanto pra dar" para o "dar tudo e mais alguma coisa".

Enfim, são coisas da vida...

Quanto muito servem para que todos nós nos sintamos mais descretos!

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Hipercrisia

Ah pois é...
Fala-se muito praí de igualdade entre os sexos, de que somos pessoas tolerantes, de que cada um faz o que quiser e não temos nada a ver com isso, de que somos todos livres...

Posto isto, eu venho falar de hipocrisia.

Nós não somos tolerantes. De facto, nós somos tudo menos tolerantes.

Algures em 2007, uma criaturazinha escreveu para um jornal americano, o Peninsula Clarion, em que entre outras barbaridades dizia que "nós temos liberdade de religião, não liberdade de nenhuma religião" ou seja, podes escolher, mas és obrigado a ter uma!

O original dizia "The United States is based on having freedom of religion, speech, etc., which means you can believe in God any way you want (Baptist, Catholic, Methodist, etc.), but you must believe."

E é alarmante a enorme quantidade de gente que concorda com esta besta!

Mas não nos ficamos só pela religião, nem pouco mais ou menos!

Ponha-se em questão a fotografia em anexo... marido chega a casa e encontra a mulher na cama... tudo aponta para um amante. Dentro do guarda-fato está... uma gaja!

Isto não passa pela cabeça de ninguém! Qualquer pessoa confrontada com a traição do cônjuge pensa automaticamente em pessoa do sexo oposto.

Nunca ia passar pela cabeça daquele homem que estava a ser trocado por outra mulher... e porquê? É assim tão difícil de acreditar?

Chico Anysio, humorista brasileiro, diz e com razão "As mulheres estão descobrindo que mulher é bom - coisa que os homens já sabem há séculos."

E para apostar que aquele homem acredita que é o mais sortudo do planeta...

E lá vem outra... homem com muitas mulheres é bem-sucedido, mulher com muitos homens é puta. Isto já há muito tempo que se ouve, numa variação ou outra.

E mulher com muitas mulheres? É o quê?

Mau exemplo para dar aqui, mas o cantor Mika diz "I've never ever labeled myself. But having said that; I've never limited my life, I've never limited who I sleep with..."

E pergunto eu, dum ponto de vista completamente analítico, qual é o problema com esta mentalidade? Porque é que isto é considerado errado?

Mas é... se alguém diz uma coisa destas nós consideramos devasso, perverso... freak.

Não, nós não somos tolerantes, não somos aceitadores de diferença.

Para rematar deixo-vos com uma simples pergunta.
Só quando nós conseguir-mos ouvir perguntas destas sem ficarmos chocados e conseguirmos responder sinceramente sem medo de represálias, sem vergonha das nossas palavras, só aí seremos verdadeiramente tolerantes...

A tua primeira vez, foi com um homem ou uma mulher?

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Think of the children!

Também recentemente encontrei esta e esta deixa-me numa posição mais ambígua.

Já referi praqui algures quantos anos tinha quando foi a minha primeira vez, mas sem querer entrar em pormenores digamos que era um perfeito caso para uma destas acusações.

O que gera ambiguidade é que eu sabia perfeitamente o que é que eu estava a fazer...
E nem estava perto deste, que este tinha 17!

As fantasias mais comuns entre TODOS os rapazes adolescentes são a vizinha, a professora e a mãe do amigo... é assim tão estranho que dada a oportunidade eles a agarrem com unhas e pénis? Ou era unhas e dentes?

Se eu acho que ela fez mal, sim, acho que fez mal. Mas não é porque se enrolou com o rapaz, é porque quebrou a lei.

Diz-se que as crianças crescem depressa demais, que já querem ser adultos com tenra idade, mas na minha opinião é que só as consideram adultas tarde demais.

Em Portugal, a idade de consentimento para o sexo é 14. Da tropa 16. Da carta 18.
Antigamente, praí à 60 anos atrás, quando os dinossauros andavam na terra e não havia electricidade, não era raro um "rapaz" de 16 anos já ser pai de família. Um de 20 já era homem de palavra. Quem chegasse aos 40 já era velho e aos 50 já era um milagre.
Hoje? Hoje quem tem 20 é um puto, não percebe nada da vida e ainda tem muito que aprender... Quem tem 40 ainda nem tem filhos na escola e quem tem 50 ainda nem se pode reformar.

Antigamente ficava-se quatro anos na escola e já se sabia tudo o que era preciso para viver. Hoje? Hoje são 12 e bem mais de metade é palha.
Está provado que os primeiros anos são os anos mais úteis para aprendizagem... Porque é que não lhes estamos a enfiar tralha na cabeça mais cedo? Levar um dia inteiro para pintar um desenho? Mas isto o que é? E depois surpreendemo-nos quando eles são preguiçosos... Pois então! Nós levámos os primeiros anos da vida deles a dizer-lhes que há tempo pra tudo e é tudo nas calmas!

Acho mal. Só porque agora vivemos mais tempo significa que levamos mais tempo a crescer?

Na minha opinião é-se adulto quando se chega à puberdade... Se a natureza diz que estás pronto pra criar família, quem somos nós pra discordar?

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Sexualidade Pública

Rutgers UniversityRecentemente a ler as manchetes pela net encontrei esta.

Parece que o jovem foi apanhado pelo colega de quarto envolvido com outro homem e a melhor coisa que o colega se lembrou foi filmar e pôr na internet.

Este tipo de suicídios está a ficar famoso nos tribunais, porque vendo bem não se sabe de quem é a culpa nem se sabe bem qual é a acusação.

Assusta-me um bocadinho que o crime mais grave que eles arranjam para pregar ao colega de quarto só dá cinco anos de cadeia...

Quer dizer, se o irmão do Manel das Couves vai berrar para a rua da Sé que a mulher do Manel das Couves anda a pregar os cornos ao Manel das Couves com o patrão do Manel das Couves e se, por causa da notícia, o Manel das Couves se atira pra debaixo de um Serginho e fica pa tijolo, o irmão do Manel das Couves vai dentro por Homicídio Involuntário por pelo menos vinte anos!

Não seria de esperar que neste caso fosse o mesmo?

O que me chateia neste suicídio em particular é que os advogados estão a tentar transformar o caso num crime anti-gay.
Eu percebo a motivação, provavelmente acham como eu que cinco anos é muito pouco, mas vai tirar mérito ao caso.
Mas o que vai acontecer é transformar a situação numa guerra entre pro- e anti-gay e perde-se a vítima, perde-se a pessoa.

E depois fica como o Casa Pia, que já rola à tanto tempo que está-se tudo a cagar para o resultado.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Toda a gente fode

Vestido feito de preservativosA compartimentação do sexo é, para mim, uma coisa difícil de compreender.
É bizarro e é um daqueles comportamentos inexplicáveis.

Não consigo perceber porque é que ninguém fala nisso.

Não digo gabarem-se, que é o que os homens fazem quando aparecem a dizer que comeram esta e comeram aquela e que rematam às três de cada vez se for preciso, 25 horas por dia e 9 dias por semana.
Nem digo aquelas parvoíces que se escrevem na Maria, que é do mais inventado que há, como o tal "tive relações sexuais com o meu cão, será que isto é normal?".

Conversas abertas sobre sexo, ninguém tem.

E ao mesmo tempo toda a gente fala... toda a gente fala mas ninguém conversa.

Outro dia apanhei um pisco de uma conversa entre duas tias em que uma dizia à outra "estava-mos a fazer aquilo"... Aquilo o quê? Tricô?

O português tem uma dificuldade inerente em falar em sexo... Ninguém chama as coisas pelos nomes.

A princípio pensava que era por ser íntimo, uma coisa a ser falada só entre dois... mas o que mais se vê praí é raparigas e rapazes a rodarem o mais possível e até escrevem blogs sobre isso e metem fotografias no hi5. Portanto não, se se faz tanta publicidade não pode ser íntimo.

Depois pensei que fosse por uma questão de nojo (hey, eu era puto), mas o que não falta nas touradas é homens a mijar contra a parede e por várias vezes ouvi um "hoje não posso ir trabalhar que estou com diarreia"... portanto não, se essas duas ninguém evita, então também não pode ser por nojo.

Acabei por decidir que é por falta de vocabulário.
Ou vamos pelo científico de "quando o falo está erecto e a cavidade vaginal está lubrificada estão atingidos os pré-requisitos para a penetração" ou se vai pelo popularucho de "aquilo e aquilo e aquilo".

Mas é que isto é grave! Chega até à conhecida lei das multas de "boca naquilo", "mão naquilo" e "aquilo naquilo"...

Está por todos os lados e nem as revistas pornográficas escapam (estou até hoje para perceber o que raio é um zizi), nem há substitutos aceitáveis para o descrever.

E depois fui apresentado ao mundo dos palavrões!
Digamos que no meio de piças, pachachas e canzanas a desculpa de ser por falta de vocabulário foi-se com os porcos.

E isto levanta um grave problema locucional.

Não se pode dizer sexo, que é íntimo, não se pode dizer foda que é malcriado e até "fazer amor" já dá uns torcimentos de nariz.

E então não se diz. As pessoas inquietam-se para se perceber e é um tal rodear e rodear e rodear e nunca mais estacionam.

Motivados pela vergonha perdem-se verdadeiros poços de sabedoria simplesmente porque as pessoas tem custo em falar.

E chega aos casais, ao meio onde isto não devia acontecer! O que as mulheres mais se queixam é que os homens não sabem o que ou quando fazer durante o sexo, mas se lhes perguntam acanham-se e não dizem nada e está tudo bem!

É que a mim, quando estava na minha fase formativa, tinha-me dado jeito alguém com quem falar seriamente sobre isto!

O que é que se faz? O que é que entra onde? Com que força é que se aperta aqui ou ali? Quanto tempo é que dura? Pode-se parar pra beber água?

Aquela coisa dos tamanhos não interessarem, é verdade?

E mamas? O que é que é preciso saber sobre mamas?

Querem um povo iluminado? Querem uma sociedade civilizada? Levantem os tabus do sexo que metade das parvoíces que se fazem é por ignorância!

Deixo-vos com um recorte da Maria... Digam-me lá com toda a seriedade que isto não é inventado.
Sim, e vais ter um cachorro!

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Expectativas

Imitando um pouco o que digo aqui, cá vai mais uma posta de pescada.

No ano 1700 e troca o passo, o ideal de beleza era isto.
Marie Antoinette
Esta rainha de França é a infeliz autora da conhecidíssima frase "Que comam bolachas!" e do (incorrecto) facto de ter sido nos seios dela que se baseou o design da taça de champanhe. É para todos os efeitos a loira burra mais antiga de que há memória.

Denote-se a cara de saloia, o olhar de vaca a pastar, a cabeleira postiça e a roupa tão grossa que nem dá para perceber as curvas... Se fosse hoje, esta pequena teria sorte de lavar o chão do rei, nem sequer pensar em casar-se com um.


Avançando uns séculos, baseado em uma das séries mais famosa de Beat 'Em Ups, em 1990 o ideal de beleza era isto.
Chun-Li

A primeira lutadora feminina dos jogos de computador e, se formos acreditar nos fãs do Street Fighter, o primeiro contacto feminino de muitos jovens naquela altura, Chun-Li tem a dúbia honra de ser o ícone pela qual se medem todas as outras personagens femininas que apareceram nas salas de arcada daquela década...

Note-se as ancas larguíssimas, a cintura impossivelmente fina, mamas enormes, roupa exótica e pose de "vem cá que é barato".

Os... ataques especiais... da criatura envolviam vários pontapés ao queixo de pernas abertas e outras posições semelhantes que reforçam a ideia de preço referida acima.


Hoje? Pelo que nos diz a MTV hoje o ideal de beleza é isto...
Snooki

Note-se a pele cor de laranja, os beiços de botox, o cabelo de vassoura e o geral ar de puta, que já nem barato é, é mesmo de graça.

E quem já viu a série nota também a personalidade detestável, a falta de cultura, a malcriação geral, enfim, todo um indesejado rol de "qualidades".


Não esquecer que embora à primeira vista tenha piada, o certo é que as massas imitam as estrelas.
Não se pode negar que depois de Baywatch começaram a aparecer muitas mais mamas postiças na praia e que cada vez que a princesa Diana aparecia com o penteado novo era um tal correr para o cabeleireiro só para dar dois exemplos.

É isto que nós queremos para o futuro?