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Divagações, Diatribes e outros Semelhantes

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Toda a gente fode

Vestido feito de preservativosA compartimentação do sexo é, para mim, uma coisa difícil de compreender.
É bizarro e é um daqueles comportamentos inexplicáveis.

Não consigo perceber porque é que ninguém fala nisso.

Não digo gabarem-se, que é o que os homens fazem quando aparecem a dizer que comeram esta e comeram aquela e que rematam às três de cada vez se for preciso, 25 horas por dia e 9 dias por semana.
Nem digo aquelas parvoíces que se escrevem na Maria, que é do mais inventado que há, como o tal "tive relações sexuais com o meu cão, será que isto é normal?".

Conversas abertas sobre sexo, ninguém tem.

E ao mesmo tempo toda a gente fala... toda a gente fala mas ninguém conversa.

Outro dia apanhei um pisco de uma conversa entre duas tias em que uma dizia à outra "estava-mos a fazer aquilo"... Aquilo o quê? Tricô?

O português tem uma dificuldade inerente em falar em sexo... Ninguém chama as coisas pelos nomes.

A princípio pensava que era por ser íntimo, uma coisa a ser falada só entre dois... mas o que mais se vê praí é raparigas e rapazes a rodarem o mais possível e até escrevem blogs sobre isso e metem fotografias no hi5. Portanto não, se se faz tanta publicidade não pode ser íntimo.

Depois pensei que fosse por uma questão de nojo (hey, eu era puto), mas o que não falta nas touradas é homens a mijar contra a parede e por várias vezes ouvi um "hoje não posso ir trabalhar que estou com diarreia"... portanto não, se essas duas ninguém evita, então também não pode ser por nojo.

Acabei por decidir que é por falta de vocabulário.
Ou vamos pelo científico de "quando o falo está erecto e a cavidade vaginal está lubrificada estão atingidos os pré-requisitos para a penetração" ou se vai pelo popularucho de "aquilo e aquilo e aquilo".

Mas é que isto é grave! Chega até à conhecida lei das multas de "boca naquilo", "mão naquilo" e "aquilo naquilo"...

Está por todos os lados e nem as revistas pornográficas escapam (estou até hoje para perceber o que raio é um zizi), nem há substitutos aceitáveis para o descrever.

E depois fui apresentado ao mundo dos palavrões!
Digamos que no meio de piças, pachachas e canzanas a desculpa de ser por falta de vocabulário foi-se com os porcos.

E isto levanta um grave problema locucional.

Não se pode dizer sexo, que é íntimo, não se pode dizer foda que é malcriado e até "fazer amor" já dá uns torcimentos de nariz.

E então não se diz. As pessoas inquietam-se para se perceber e é um tal rodear e rodear e rodear e nunca mais estacionam.

Motivados pela vergonha perdem-se verdadeiros poços de sabedoria simplesmente porque as pessoas tem custo em falar.

E chega aos casais, ao meio onde isto não devia acontecer! O que as mulheres mais se queixam é que os homens não sabem o que ou quando fazer durante o sexo, mas se lhes perguntam acanham-se e não dizem nada e está tudo bem!

É que a mim, quando estava na minha fase formativa, tinha-me dado jeito alguém com quem falar seriamente sobre isto!

O que é que se faz? O que é que entra onde? Com que força é que se aperta aqui ou ali? Quanto tempo é que dura? Pode-se parar pra beber água?

Aquela coisa dos tamanhos não interessarem, é verdade?

E mamas? O que é que é preciso saber sobre mamas?

Querem um povo iluminado? Querem uma sociedade civilizada? Levantem os tabus do sexo que metade das parvoíces que se fazem é por ignorância!

Deixo-vos com um recorte da Maria... Digam-me lá com toda a seriedade que isto não é inventado.
Sim, e vais ter um cachorro!

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Dualidade


Um dos sites que eu sigo com alguma regularidade é o PostSecret que pra quem não conhece recomendo vivamente e desde já aviso que o tópico de hoje não é exemplo.

Este em particular fez-me pensar numa das que, na minha opinião, é uma das fortes razões para algumas relações não darem certo.

Esta esperança de que "as coisas vão mudar depois" e a dualidade de opiniões (no sentido que eu posso fazer mas tu não podes) estragam muitos casalinhos o que, tenho que dizer, não me surpreende nada.

Acho curioso quando uma rapariga se apaixona por um gajo porque ele é todo charmoso e engatatão e depois se surpreende quando ele vai "charmar" e "engatatar" outra qualquer. Oras, se ele já era assim, estavam à espera de quê?

Citando uma frase de Dexter "E o teu ex-marido? Também estavas à espera que ele mudasse?"

A nossa sociedade vive nesta névoa, nesta ilusão de que "o poder do amor conquista tudo"... Não minha gente, não conquista.

Os defeitos que eles tinham antes de se casarem continuam a ser os mesmos defeitos depois. Não é uma argola no dedo que muda a personalidade.

O que as pessoas se esquecem e que os nossos avós sabiam é que tens que aprender a viver com isso e mai nada! Ele tem defeitos? Já sabias? Então pra que raio é que te casaste com ele?

Ao mesmo tempo acho curioso quando um homem (sim, porque graças a deus nestas coisas são sempre os homens) anda por aí com tudo o que é rabo de saia e depois fica todo chateado quando a mulher lhe faz o mesmo...

Então estavas à espera de quê? Achavas que tinhas esse direito e ela não?

Por fim, relacionando com a imagem acima, as pessoas não aprendem a não fazer, aprendem é a esconder melhor!

Acho que mais vale saberes o que ele faz e aceitares (ou ires-te embora) do que ele andar a fazer por trás.

É que um dos problemas mais graves, a prova que todos os psicólogos apresentam como o factor determinante para o fim de uma relação, é a falta de comunicação.

É que no caso acima, o noivo não vai deixar... Vai é esconder. E depois começam os sentimentos de culpa, começam os pequenos ódios porque "ela não deixa isto e ela não deixa aquilo", começam as respostas bruscas, as discussões por razão nenhuma e tudo porque ele acha que não pode confiar nela. Se ela não aceita isso (que até não é do mais destruidor que há praí) como é que há-de aceitar o resto?

Verdade verdade é que vais-te casar com o teu melhor amigo, a pessoa que vai estar lá o resto da tua vida...

Se não há honestidade, e eles ainda nem estão casados, estão só noivos, como é que isto há-de resultar?

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Conversa

Roubada das internetesAcredito plenamente que as internetes estão a roubar-nos as nossas capacidades de comunicar como seres humanos minimamente inteligentes.

O pior dos piores é mesmo a escrita de telemóvel, as abrev constnts, as trokas xtupidas de letras e o limite de caract(CONTINUA NA MENSAGEM SEGUINTE)

(MENSAGEM SEGUINTE)eres impede completamente de fazer chegar a mensagem pretendida ao outro lado, ficamos sempre com a dúvida se a outra pessoa vai perceber ou não.

Bem perto, se não mesmo quase empatado, vem a linguagem à messenger.
É que LOL tás a ver, o ppl na percebe meda nenhuma!!!!!111!!!1!11
E depois kés xplicar mas não dá! Bols!!!!!11!!!!1
Fiko fdd kisto td!

Mas grave grave é quando as pessoas, e isto vê-se muito a nível empresas, se querem comunicar por e-mail e se esquecem que estão a escrever.
O erro que praticamente todos fazem é passar para o ecrã exactamente o que estão a pensar, sem ligar a forma, contexto ou forma de estilo, por assim dizer.

Piadas passam completamente despercebidas, ou são até tomadas como insulto, o sarcasmo vai completamente pela janela fora e a ironia é muito, mas mesmo muito, mais difícil de detectar.

Embora isso até nem caia mal num blog, como neste por exemplo, quando a conversa que tentamos ter é algo profissional ou pelo menos mais "sério", este modo de escrita é a receita perfeita para o desastre.

É que enquanto nos chats e nos telelés agente já espera um certo grau de parvoíce, estes casos passam completamente ao lado e mesmo os escritores não se apercebem do ninho de vespas que têm na mão.

Está provado que só metade da conversa está nas palavras que se dizem. O resto é linguagem gestual que a acompanha, inflexão das palavras, postura física, volume da voz e por aí em diante.

É da minha humilde opinião que tudo o que há de importante para ser dito deve ser dito cara-a-cara ou no mínimo dos mínimos por telefone, primeiro porque ilustra a real importância do assunto e segundo porque evita um sem-fim de confusões.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Expectativas

Imitando um pouco o que digo aqui, cá vai mais uma posta de pescada.

No ano 1700 e troca o passo, o ideal de beleza era isto.
Marie Antoinette
Esta rainha de França é a infeliz autora da conhecidíssima frase "Que comam bolachas!" e do (incorrecto) facto de ter sido nos seios dela que se baseou o design da taça de champanhe. É para todos os efeitos a loira burra mais antiga de que há memória.

Denote-se a cara de saloia, o olhar de vaca a pastar, a cabeleira postiça e a roupa tão grossa que nem dá para perceber as curvas... Se fosse hoje, esta pequena teria sorte de lavar o chão do rei, nem sequer pensar em casar-se com um.


Avançando uns séculos, baseado em uma das séries mais famosa de Beat 'Em Ups, em 1990 o ideal de beleza era isto.
Chun-Li

A primeira lutadora feminina dos jogos de computador e, se formos acreditar nos fãs do Street Fighter, o primeiro contacto feminino de muitos jovens naquela altura, Chun-Li tem a dúbia honra de ser o ícone pela qual se medem todas as outras personagens femininas que apareceram nas salas de arcada daquela década...

Note-se as ancas larguíssimas, a cintura impossivelmente fina, mamas enormes, roupa exótica e pose de "vem cá que é barato".

Os... ataques especiais... da criatura envolviam vários pontapés ao queixo de pernas abertas e outras posições semelhantes que reforçam a ideia de preço referida acima.


Hoje? Pelo que nos diz a MTV hoje o ideal de beleza é isto...
Snooki

Note-se a pele cor de laranja, os beiços de botox, o cabelo de vassoura e o geral ar de puta, que já nem barato é, é mesmo de graça.

E quem já viu a série nota também a personalidade detestável, a falta de cultura, a malcriação geral, enfim, todo um indesejado rol de "qualidades".


Não esquecer que embora à primeira vista tenha piada, o certo é que as massas imitam as estrelas.
Não se pode negar que depois de Baywatch começaram a aparecer muitas mais mamas postiças na praia e que cada vez que a princesa Diana aparecia com o penteado novo era um tal correr para o cabeleireiro só para dar dois exemplos.

É isto que nós queremos para o futuro?

sábado, 18 de setembro de 2010

Imposto Audiovisual

Há já alguns anos ajudei um amigo meu a esvaziar a casa antes da sua partida para os Continentes, uma das coisas que apareceu pro lá foram uns facturas muito giras com o logótipo da RTP, que supostamente seriam de uma taxa de televisão. Ao que parece, antigamente pagava-se para ter o luxo de televisão em casa...

Coisa que até certo ponto fazia sentido, considerando que antigamente não havia intervalos publicitários de 15 minutos e se é a televisão do povo pro povo convém que seja o povo a pagar por ela.

Oras, algo recentemente ouvi sobre a tal confusão da Contribuição Áudio-Visual.
E para quem não sabe como eu também não sabia, passo a explicar.
De acordo com o n.º 5 do artigo 5.º da Lei n.º 30/2003, de 22 de Agosto, na redacção que lhe foi dada pelo Decreto-Lei n.º 169-A/2005 e pelo Decreto-Lei n.º 230/2007, de 14 de Junho, as empresas fornecedora de electricidade são obrigadas pelo estado a cobrar aos clientes esta CAV que reverterá na íntegra para a Rádio Televisão de Portugal SGPS, SA, ou seja as nossas amadas RTP e RDP.

Sou só eu que acho estranho que se pague televisão por duas vias?
Quer dizer, já não basta pagar (no meu caso) 50 euros por mês à MEO, ainda tenho que pagar mais 4 à EDA?

E já não se pode dizer que faça sentido! Agora a RTP tem contratos publicitários aos montes, já não tem produções originais, a programação é uma porcaria, os concursos são horríveis não há absolutamente nada que se salve...

E se, com a MEO, eu tenho a opção de pagar por certos canais (telecines e isso) porque é que não me dão a opção de pagar ou não pela RTP?

Simples! Porque se me for dada a opção eu não quero RTP para nada!
Não quero financiar a RTP1, a RTP2, a RTP Memória, a RTP Internacional, a RTP Madeira, a RTP Açores e muito menos a RTP África!

Se algum exemplo ilustra bem o que é o estado português, é este.

Este hábito de mentir aos contribuintes, de dizer que não, a taxa de televisão acabou e depois pimba com a CAV, mostra sem discussão possível que o nosso país está efectivamente a cagar-se para nós.

E passe a boa regra portuguesa... As moscas mudam, mas a merda é a mesma.