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Divagações, Diatribes e outros Semelhantes

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Blackout

Get it?Lembro-me do meu primeiro blackout com memória. Quer dizer, não sei se foi o primeiro, mas é o primeiro de que me lembro.

Eu era novo, devia ter algures entre os 3 ou 5 anos, mais coisa menos coisa. Lembro-me que esta naquela idade em que os putos aprendem autonomia, tipo a lavarem-se sozinhos ou fazerem cereais ou cenas desse tipo, e foi mesmo isso que aconteceu.

Saí da banheira e limpei as costas sozinho pela primeira vez! Estava super orgulhoso, mais que se tivesse ganho as olimpíadas!

Tal como qualquer puto que consegue um "achievement" nessas idades, fui todo contente mostrar aos meus pais.

Algures entre a casa de banho e a sala esqueci-me completamente o que é que estava a fazer. Quando dei por mim estava na sala à frente do meu pai, todo nú e todo molhado (mas de costas secas!) e fui logo mandado de volta pra banheira "lavar como deve ser".

Só depois de sair da banheira a segunda vez é que me lembrei dos porquês. É claro que na altura era novo demais para perceber que aquilo não era normal, pelo que nunca mais me lembrei desta história.


Até ao liceu.

Numa prova global, já não sei de quê nem em que ano, aliás, só sei que era uma global por causa das folhas de teste estúpidas que tínhamos que comprar, fechei os olhos e quando os abri a prova estava feita.

E tinham-se passado 25 minutos.

Levei o resto do tempo a ler o que tinha escrito, só pra ter a certeza que não tinha feito asneira nenhuma. Ao contrário da banheira, nesta não me lembro mesmo do acto... não me lembro de ter passado 20 minutos a escrever nada.

Foi mais ou menos nesta altura que comecei a perceber que isto se calhar não é lá muito normal...

Mas como tudo na vida, esqueci-me completamente e nunca mais me veio à memória.

Até à próxima.

Talvez o mais significativo dos meus blackouts foi a minha primeira experiência sexual.
Não me lembro de ter acontecido, não me lembro com quem foi nem onde foi nem quando foi nem quanto tempo durou...
Só sei que aconteceu porque no dia seguinte tinha marcas de batom onde não devia ter e uma sensação de que alguma coisa se passou, mas não me lembro de absolutamente nada.

Se bem que nesta tenho a distinta sensação que o dia "desapareceu" da minha memória, como se fosse uma página arrancada de um livro, em que sabemos que ela falta mas não fazemos ideia do que lá diz.

Não acontece vezes suficientes para ser preocupante, nem me parece que seja um sinal de que alguma coisa está criticamente errada comigo, mas é no mínimo enervante.

O que me deixa mais apreensivo é que um dia aconteça e eu me esqueça de alguma coisa realmente importante, ou faça alguma coisa que me vá arrepender.

E o mais bizarro é que não conheço mais ninguém a quem isto tenha acontecido.

Fico sempre na esperança que estas memórias um dia voltem, como descobrir uma gaveta cheia de filmagens antigas no sótão empoeirado que é o meu cérebro.

Mas não conto muito com isso.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Emo Music

Estava a ouvir Papa Roach outro dia (hey, pra quem lê a União e o Diário Insular, comportamentos suicidas não devia surpreender ninguém) quando me lembrei desta...

O problema de cantar música Emo, do tipo sou um triste, ninguém gosta de mim, não presto pra nada, é que é impossível ser um projecto de longa data.

Tome-se como exemplo a banda mencionada.

Na altura que ouvi pela primeira vez o Infest, há uma década atrás, achei que ecoava o sentimento de uma geração.
Sem querer comparar níveis de fama, fez-me lembrar o que Kurt Cobain fez pela geração rasca, no fundo pondo o que se estava a passar na cabeça dos jovens em canções que só podiam ser compreendidas por esses mesmos jovens.

Mas esta era é uma era de inseguranças. É uma era de imaturidades.
É uma era de meninos mimados que fazem birra quando a rapariga bonita da escola não olha pra eles e de meninas mimadas que fazem birra quando a mãe não deixa usar aquele roupa toda gira só porque dá ares de puta...

É uma era de cromos temperamentais... uma era de idiotas.

E voltando à banda sem nunca ter saído dela.

Como é que uma banda consegue viver de música de "ninguém gosta de mim" quando pela altura do segundo CD já um monte de gente gosta deles?

E eis que chega lovehatetragedy... Desde que foi lançado em 2002, o álbum não passou do ouro... e basta ouvir "she loves me not" para perceber porquê.

É uma merda.
Já não tem feeling, eles cantam de um sentimento que se lembram vagamente de ter... e para as massas isso não é suficiente.
Porque as massas têm gostos efémeros. Porque as massas não têm respeito pelos artistas.
Na geração X tudo o que não conseguir prender a atenção por mais de 5 minutos passa à história.
As modas mudam mais depressa que tudo e o que antes se gritava na rua agora esconde-se com vergonha.

Felizmente para eles foram espertos e acabaram por se safar.

E é assim que aparece o próximo álbum, aptamente titulado Getting Away With Murder.

Neste álbum os Roach assassinam o som que tinham e reinventam-se com o mais "seguro" rock alternativo.

Mais Alien Ant Farm que Papa Roach, este já chega à platina e os putos do ninguém gosta de mim aprendem uma valente lição...

Quer gostes ou não gostes da tua própria música, o que interessa é vender CD's... e se tiveres dinheiro muita gente vai gostar de ti.

Cinzas!

Puff!Tem sido um belo fim-de-semana...
Graças à já famosa nuvem de fumo do Eyjafjallajökull (diz lá isso três vezes depressa!) o espaço aéreo açoriano está fechado.
Nada de aeroportos, nada de aviões, nada de nada.

E nada de partidas.
Ninguém chega e ninguém sai.

E percebe-se. A cinza vulcânica causa problemas gravíssimos nos aviões, desde vidros riscados (que causa problemas na visibilidade), leituras erradas nos controlos de altitude até à fatal paragem completa dos motores.
Percebe-se perfeitamente que as companhias não queiram arriscar perderem os seus preciosos aviões... senão como é que nos iam roubar dinheiro no futuro?

Note-se que os militares não querem saber (ou não queriam, ao princípio) e já há aviões da RAF aterrados para manutenção.

É claro que acaba a tocar aos hotéis. A Sata e a TAP pagam a conta e os hotéis enchem de pessoas irritadas, incomodadas, desesperadas e muitas vezes chatas como tudo.

Dezenas e dezenas de turistas, empresários e afins entalados na ilha sem poderem ir pra casa.
E velhotes... raios partam os velhotes!

Ai, porque se eu não estiver em casa vou perder a missa lá do padre não sei de onde, que diz uma reza especial em nome de não sei quem!Justificar completamente

Por amor de Deus...

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Enquanto os fracos não tiverem medo dos fortes, enquanto não houver força motivadora para sermos o melhor que podemos ser, nunca vamos nem sequer fazer o esforço para o ser... vamos continuar medíocres, ignorantes e simples... porque temos uma sociedade que nos diz que estamos bem assim.

Porque temos professores, pais, líderes e ídolos que nos dizem, todos os dias e com toda a convicção... que não é preciso ser o melhor.

Que o importante é competir, não ganhar.
Que não precisamos ser bons, basta ser bom o suficiente.
Que não é preciso ter a melhor nota, basta passar.
Que devemos abraçar a nossa criança interior, não é preciso crescer.
Que temos que ter pena dos mais fracos, coitadinhos, não tem culpa de ser assim.
Que não podemos comer animaizinhos, só couves e cenouras.
Que não precisas perder peso, a beleza interior é que interessa.
Que não é necessário um curso superior, trabalhar no caixa do Hiper também paga as contas.
Que não precisas de educar os teus filhos, há professores para isso.
Que não é obrigatório seguir a lei, os governantes estão cá para endireitar as coisas.
Que não tens que poupar, os créditos servem para isso.
Que as prioridades não interessam, faz o que te apetecer que isso resolve-se tudo depois.

Enquanto continuarmos a ser levados ao colo toda a vida, vamos continuar a comportar-nos como bebés porque podemos. Porque nos deixam.

E quando for necessário sermos adultos?

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Enquanto não houver respeito pela autoridade legal, não há dever cívico. E quando não houver dever cívico, que para lá caminhamos bem depressa, os governantes deixam de ter interesse no seu país e passam só a ter interesses... e que se lixe o país.
Quando não somos educados para o bem maior não podemos esperar que os outros o sejam.
Nenhum de nós tem o direito de reclamar dos governantes que temos, porque para além de termos sido nós que os pusemos lá, nenhum de nós conseguiria fazer melhor.
Não estamos equipados para isso. Não tivemos o respeito necessário para aprender o mínimo sobre o assunto. O dinheiro não cai do céu e os cofres de estado têm fundo e nós não conseguimos perceber disso.

Nós pensamos que como o dinheiro é fabricado, não tem fim. Que é só ir lá às máquinas e mandar imprimir mais uns milhares de euros.

Ninguém sabe o que é preciso para governar uma freguesia, quanto mais um país.

E como não percebemos, reclamamos.
Porque é que não baixam os impostos? Porque é que eu pago tanto de IRS? Porque é que a gasolina está sempre a aumentar? Porque é que a comida é tão cara?

Porque nós deixamos!

Porque vem um filho da puta fazer um aeroporto que não interessa para merda nenhuma e nós dizemos sim senhor! E depois queixamos que os impostos aumentaram... e a culpa é do estado.
Porque vem um cromo qualquer dizer que não é preciso plantar mais trigo na ilha, então toca de criar vacas! E depois queixamos que não há pão e a carne de vaca não rende... e a culpa é do estado.
Porque vem um energúmeno e diz que as fábricas de conservas já não interessam e toca de mandar fechar todas! E depois queixamos que o atum está caro e não exportamos nada... e a culpa é do estado.
Porque vem um engravatado dizer que o que precisamos é de ajuda dos americanos, que não temos exército nem força aérea suficiente para controlar o nosso território, e é só aplaudir! Depois queixamos que não há turismo, que os preços dos bilhetes são caríssimos, que os americanos estão a foder isto tudo... e a culpa é do estado.
Porque queremos pontes daqui pró caralho e o estado diz que vai ser caro mas consegue-se e nós é logo, manda vir! E depois as portagens são um balúrdio e há falta de reparação... e a culpa é do estado.

O estado não presta e a culpa é do estado.

Mas tal como os treinadores de futebol, qualquer um de nós acha que na sua magnanimidade consegui fazer melhor se tivesse uma oportunidade.

Mas não tem, porque o estado não dá.